O cardeal-arcebispo de São Paulo, o insuspeitíssimo dom Odilo Scherer, teve que gastar parte do seu precioso tempo, neste domingo (16), para se “defender” dos ataques de internautas nas redes sociais. A “acusação”? Ele seria de “esquerda” e “comunista” por estar vestido de vermelho na foto do seu perfil.
Como a ignorância não tem limites (nem cor), o cardeal, um dos mais proeminentes membros da
Igreja Católica no Brasil, teve que explicar aos seus seguidores e ao público em geral o significado da cor e, em seguidas postagens, esclarecer que não é comunista nem abortista, como muitos sectários apressaram em apontar.
A coluna recorreu ao padre Renato Criste, pároco da Catedral de Vitória, para explicar o significado de cada cor utilizada há centenas de anos pela
Igreja Católica (descobriram que também se usa vermelho na liturgia só agora?).
“As cores litúrgicas são usadas nos paramentos, como estola e casula, de acordo com o tempo litúrgico durante as celebrações litúrgicas, incluindo missas e sacramentos como batismo, casamento, bênçãos, exéquias”, ensina o sacerdote.
A cor verde é utilizada no chamado Tempo Comum; o roxo, no Advento e na Quaresma; o branco, nas festas e solenidades; e o vermelho, alvo da ira dos intolerantes e ignorantes, utilizada para fins nobres: Domingo de Pentecostes, Domingo de Ramos e memórias dos santos mártires e apóstolos. Portanto, não tem nada de comunismo na cor. Há centenas de anos é assim.
“Além dos paramentos, os clérigos usam a veste talar, também chamada de hábito”, observa o pároco da Catedral. Criste destaca ainda que os cardeais, como é o caso de d. Odilo, usam batina vermelha. Os padres usam a cor preta e o chefe de todos eles, o papa, batina branca.
Renato Criste lamenta os ataques de que são vítimas ministros ordenados da Igreja, e atribui essa insanidade ao desconhecimento. “Penso que é uma ignorância, por desconhecer as insígnias clericais e a riqueza dos seus significados de longínqua tradição.
É uma pena que episódios assim desvirtuam a reflexão sensata e lúcida sobre os reais problemas e ameaças que sofrem a população.”
É preciso ver o mundo de uma forma menos agressiva e sectária. Um mundo multicolorido e de respeito às diferenças e aos diferentes. Que tal começar com a cor branca da paz?