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Leonel Ximenes

Como é o funeral de um bispo da Igreja Católica?

Caixão no chão nas exéquias, nove missas de corpo presente, sepultamento na cripta: saiba como está sendo o funeral de dom Luiz Mancilha, arcebispo emérito de Vitória

Públicado em 

24 ago 2022 às 14:41
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O caixão de dom Luiz Mancilha de frente ao altar da Catedral Metropolitana de Vitória
O caixão de dom Luiz Mancilha de frente ao altar da Catedral Metropolitana de Vitória Crédito: Daniela Gomide
São dois dias de velório, nove missas de corpo presente, sendo a última a mais solene, chamada exequial. A milenar Igreja Católica reserva funerais solenes para seus bispos, e assim será também em honra do arcebispo emérito de Vitória, dom Luiz Mancilha Vilela, que morreu nesta terça-feira (23), aos 80 anos, após mais de um mês internado no hospital.
A primeira missa de corpo presente foi realizada às 10h desta quarta (24), logo após o corpo do arcebispo emérito ter sido transportado da funerária para a Catedral Metropolitana de Vitória em cima de um caminhão do Corpo de Bombeiros.
Nesta quarta, outras cinco missas estão sendo celebradas, sendo a última prevista para as 20h. Uma hora depois, se encerra o primeiro dia do velório do prelado. A partir daí, a Catedral será fechada e só nesta quinta (25) o velório será retomado.
Amanhã, serão realizadas mais três celebrações, às 6h, 8h e 10h. Esta última é considerada a mais solene e importante, chamada missa exequial, que será presidida pelo arcebispo de Vitória, dom Dario Campos. As oito missas de corpo presente são consideradas comuns e serão presididas por bispos.
Em conversa com a coluna, o padre Renato Criste, pároco da Catedral, explicou o rito e o simbolismo do funeral do arcebispo. O prelado está sendo velado com toda a roupa e os paramentos litúrgicos que são usados normalmente pelos bispos durante as celebrações.
A túnica é branca e a casula é roxa, cor das celebrações em intenção do que a Igreja chama de fiéis defuntos. Além disso, dom Luiz está sendo velado e será sepultado com todas as insígnias de um bispo: anel, cruz peitoral, pálio, solidéu e a mitra.
“De acordo com o Cerimonial dos Bispos, o bispo deve estar com as vestes da missa”, diz padre Renato, que está cuidando do cerimonial do funeral de dom Luiz Mancilha.
O caixão fica aberto na Catedral. Por ser um ministro ordenado da Igreja Católica, a cabeça do bispo fica de frente para o altar e com os pés em direção ao povo. Segundo o padre Renato, se fosse um leigo, a posição seria invertida: os pés para o altar e a cabeça no sentido dos fiéis.
A missa mais solene será realizada nesta quinta às 10h. Esta celebração é a mais importante e uma mudança será bem visível: o caixão de dom Luiz, que está elevado e sobre um suporte durante o velório e as missas comuns, será colocado no chão em frente ao altar da Catedral.
“É um sinal de humildade, de entrega, de despojamento. Reproduz o gesto de ordenação dos ministros da Igreja. A morte é a máxima doação da vida”, destaca o padre Renato.
O caixão de dom Luiz sendo levado pelo carro dos bombeiros da funerária para a Catedral
O caixão de dom Luiz sendo levado pelo carro dos bombeiros da funerária para a Catedral Crédito: Instagram
Na missa exequial, logo após o Rito da Comunhão, dom Dario vai fazer uma oração especial e aspergir água benta sobre o corpo de dom Luiz. Além disso, o corpo será incensado. Esse rito é chamado de encomendação.
Logo após a encomendação, o corpo de dom Luiz Mancilha será levado para ser sepultado na cripta da Catedral, um local no subsolo reservado aos bispos falecidos. Neste momento, apenas dom Dario, alguns bispos e o pessoal de serviço terão acesso ao local, por ser muito pequeno. Depois, será aberto à visitação pública.

FATO INÉDITO NA CRIPTA

Os restos mortais de três bispos estão depositados na cripta, mas o pároco da Catedral destaca que dom Luiz será o primeiro cujo corpo será sepultado diretamente no local. Os demais foram sepultados em outros locais e depois levados à Catedral.
Por tradição, o local do sepultamento é escolhido em vida pelo próprio bispo através de uma carta-testamento, que fica no arquivo secreto da Cúria Metropolitana ou sob a guarda de uma pessoa de confiança dele, com testemunhas.
No caso de dom Luiz, na carta ele manifestou o desejo de ser sepultado na cripta da Catedral, “com a anuência do arcebispo”, o que foi concedido por dom Dario.
Que dom Luiz Mancilha descanse em paz.

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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