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Leonel Ximenes

“Maioria das mortes foram por negligência e descaso dos governantes”, diz arcebispo

Na missa de exéquias do padre Fernando, dom Dario Campos lembrou de todas as vítimas da pandemia de Covid-19 no Brasil

Publicado em 22 de Junho de 2021 às 12:44

Públicado em 

22 jun 2021 às 12:44
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Dom Dario Campos presidiu a missa exequial na Catedral de Vitória
Dom Dario Campos presidiu a missa exequial na Catedral de Vitória Crédito: Reprodução de vídeo
A missa de corpo presente do padre Fernando Antônio Silva de Souza, que morreu de complicações da Covid-19 nesta segunda-feira (21), foi marcada por uma forte homilia de dom Dario Campos, arcebispo de Vitória. Na celebração de despedida, realizada na manhã desta terça (22) na Catedral Metropolitana, o arcebispo lamentou a morte prematura do sacerdote, que tinha 37 anos, e afirmou que a maioria das mortes pelo coronavírus poderia ter sido evitada.
“Esta dor e perda é compartilhada pelas milhares de vidas ceifadas pela Covid-19. Mais de 500 mil irmãos e irmãs falecidos. O mais triste é que a maioria dessas vidas perdidas foram por negligência e descaso dos que nos governam”, apontou o arcebispo, que foi muito aplaudido após essa declaração.
Em seguida, dom Dario lembrou de todas as vítimas da pandemia no Brasil. “Hoje rezamos unidos com toda a nossa arquidiocese, pelo repouso eterno deste nosso irmão presbítero bem como por todos os nossos irmãos falecidos neste Brasil querido de norte a sul.”
Ainda durante a homilia, o prelado agradeceu aos familiares pela vida do padre Fernando e pediu a força de Deus para suportar este momento de dor. Aos padres, dom Dario disse que a morte do padre Fernando lembra o quanto a vida é frágil e exortou: “O povo precisa de nós, de nosso testemunho e alegria. Deixemos de picuinhas e continuemos nossa missão”.
Ao sacerdote falecido, o arcebispo fez um pedido: “Padre Fernando, junto de Deus e de todos os santos não se esqueça de nós e do povo que o acolheu com tanto amor”.
À celebração exequial estiveram presentes o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e, por causa da pandemia, um número restrito de parentes do padre Fernando, sacerdotes, seminaristas e religiosos. O caixão do pároco de Jucutuquara ficou bem em frente ao altar. Depois da missa na Catedral, o corpo do presbítero foi trasladado para Viana, onde foi sepultado.

CAIXÃO ABERTO DURANTE AS CELEBRAÇÕES

O caixão do padre Fernando ficou aberto da noite de ontem até a manhã desta terça durante a vigília na Catedral Metropolitana.  D. Dario explicou que o procedimento foi autorizado pela médica que assistiu o padre Fernando. Ela até emitiu um documento garantindo que o falecido sacerdote não tinha mais o vírus da Covid e não havia risco de contaminação pela doença.
O caixão só foi fechado durante a missa de exéquias e colocado no chão em frente ao altar. O gesto repete o rito de ordenação do padre, que fica prostrado diante do bispo em um momento específico da cerimônia.
Padre Fernando de Souza foi o terceiro sacerdote a morrer de Covid na Arquidiocese de Vitória. Em fevereiro, a vítima foi o padre Kleber dos Santos Júnior, de 33 anos, pároco em Itapuã, Vila Velha. Em abril, durante o oitavário da Festa da Penha, o coronavírus matou o frei franciscano Luiz Flávio Adami Loureiro, de 72 anos.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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