A missa de corpo presente do padre Fernando Antônio Silva de Souza,
que morreu de complicações da Covid-19 nesta segunda-feira (21), foi marcada por uma forte homilia de dom Dario Campos, arcebispo de Vitória. Na celebração de despedida, realizada na manhã desta terça (22) na Catedral Metropolitana, o arcebispo lamentou a morte prematura do sacerdote, que tinha 37 anos, e afirmou que a maioria das mortes pelo coronavírus poderia ter sido evitada.
“Esta dor e perda é compartilhada pelas milhares de vidas ceifadas pela Covid-19. Mais de 500 mil irmãos e irmãs falecidos. O mais triste é que a maioria dessas vidas perdidas foram por negligência e descaso dos que nos governam”, apontou o arcebispo, que foi muito aplaudido após essa declaração.
Em seguida, dom Dario lembrou de todas as vítimas da pandemia no Brasil. “Hoje rezamos unidos com toda a nossa arquidiocese, pelo repouso eterno deste nosso irmão presbítero bem como por todos os nossos irmãos falecidos neste Brasil querido de norte a sul.”
Ainda durante a homilia, o prelado agradeceu aos familiares pela vida do padre Fernando e pediu a força de Deus para suportar este momento de dor. Aos padres, dom Dario disse que a morte do padre Fernando lembra o quanto a vida é frágil e exortou: “O povo precisa de nós, de nosso testemunho e alegria. Deixemos de picuinhas e continuemos nossa missão”.
Ao sacerdote falecido, o arcebispo fez um pedido: “Padre Fernando, junto de Deus e de todos os santos não se esqueça de nós e do povo que o acolheu com tanto amor”.
À celebração exequial estiveram presentes o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e, por causa da pandemia, um número restrito de parentes do padre Fernando, sacerdotes, seminaristas e religiosos. O caixão do pároco de Jucutuquara ficou bem em frente ao altar. Depois da missa na Catedral,
o corpo do presbítero foi trasladado para Viana, onde foi sepultado.
O caixão do padre Fernando ficou aberto da noite de ontem até a manhã desta terça durante a vigília na Catedral Metropolitana. D. Dario explicou que o procedimento foi autorizado pela médica que assistiu o padre Fernando. Ela até emitiu um documento garantindo que o falecido sacerdote não tinha mais o vírus da Covid e não havia risco de contaminação pela doença.
O caixão só foi fechado durante a missa de exéquias e colocado no chão em frente ao altar. O gesto repete o rito de ordenação do padre, que fica prostrado diante do bispo em um momento específico da cerimônia.