É só “passear” pelas postagens de Orlando Milan, nas redes sociais, para constatar o óbvio: era um homem profundamente engajado pela vida, pelos direitos humanos, pela democracia. Basta ver quantos abaixo-assinados virtuais, em favor de causas humanitárias, ele promovia. Italiano de nascimento, este militante de esquerda, de 77 anos de idade, morreu nesta terça-feira (27), em
Vila Velha, de complicações decorrentes da
Covid-19.
Ex-padre na conflagrada Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, Milan estimulava as Comunidades Eclesiais de Base (Cebs) quando o ato de se engajar nessa trincheira de luta popular, em plena ditadura militar, significava um risco à vida. Ainda no Rio, na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Duque de Caxias, abriu a casa paroquial para reuniões, contribuindo ativamente na criação do PT, como lembra a deputada estadual
Iriny Lopes (PT), que o homenageou nas redes sociais.
“Tudo que dissermos sobre Orlando Milan será pouco para descrever a sua humanidade e espírito coletivo, de proteção aos que sempre precisavam”, reconhece a parlamentar petista.
Milan largou a batina, se casou e veio para o
Espírito Santo. Aqui, presidiu o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Vila Velha, entre 2002 e 2007, e foi secretário executivo do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em Vitória, nos anos de 2009 a 2012.
“Era filiado ao PT de Vila Velha desde 1999. Aqui contribuiu com o partido e em candidaturas ligadas aos direitos humanos. Orlando ajudou a elaborar o estatuto de várias entidades que atendem crianças e adolescentes e atuava na Pastoral da Criança, junto com a sua companheira Célia Milan”, lembra Iriny.
Também militante do PT, Luciano Avellar recorda com carinho de Milan. “Era aquele tipo de companheiro que jamais será substituído. Dele guardaremos saudades, mas sobretudo lembranças de suas lições, para as quais deixou seguramente vários sucessores.”
Orlando Milan ficou três semanas internado com Covid - as duas primeiras no Hospital Antônio Bezerra de Farias e a última no Hospital Evangélico -, em Vila Velha, onde morreu nesta terça. Era casado com Célia Milan, ela também militante do
PT. O casal tinha seis filhos e 12 netos. O sepultamento dele será nesta quarta (28), às 15h, na Ponta da Fruta.