Apenas quatro dias depois de ser internada no hospital de
Guaçuí, referência para o tratamento de Covid na região do Caparaó, a secretária da Câmara de
Alegre, Rita de Cássia de Oliveira, 56 anos, morreu na quinta-feira (22) e causou comoção na cidade.
A Prefeitura de Alegre manifestou pesar pela morte da servidora do Legislativo. “É com profundo pesar que a administração municipal informa o falecimento da servidora Rita De Cássia De Oliveira (...). Desejamos que a família encontre em Deus o conforto necessário para suportar e superar esse momento de dor. Nossas sinceras condolências.” O presidente da Câmara, vereador Carlos Renato Viana, decretou luto oficial de três dias e suspendeu a sessão desta segunda-feira (26).
O sepultamento de Rita de Cássia ocorreu na sexta-feira (23) com um cortejo formado por centenas de veículos. “Ela era uma pessoa mais do que querida, muito importante para a cidade. Nesses 20 anos em que ela trabalhou na Câmara, construiu uma reputação de competência que não dá para imaginar o Legislativo sem ela”, reconhece Fabiano da Silva Pinheiro, 43 anos, colega de trabalho de Rita há 19 anos.
Mais do que a história profissional ao lado de Rita, Fabiano disse ter construído uma relação quase parental. “A gente trabalhava junto, cooperava, sonhava, eu perdi uma irmã”, lamentou Fabiano, que também está em quarentena por conta da
Covid.
Para além da proximidade profissional, Fabiano estava presente até no momento mais dramático de Rita. Na quarta-feira dia 14, a servidora chegou para trabalhar e pediu a Fabiano que chamasse o farmacêutico do estabelecimento próximo à Câmara para aferir sua pressão.
“Quando o rapaz estava aferindo a pressão, a Rita desmaiou. Colocamos ela em cima de uma poltrona e começamos a reanimá-la. O diretor deu a sugestão de levá-la ao pronto-socorro e eu disse que tínhamos que perguntar se ela queria ir porque a Rita morria de medo de pegar Covid. Quando ela começou a voltar a si, perguntamos e ela disse que não queria ir ao pronto-socorro, mas para casa”, conta Fabiano.
Na quinta-feira, Rita começou a ter sintomas relacionados à Covid, mas não procurou socorro, segundo o colega de trabalho. No sábado, ela desmaiou de novo e foi levada ao médico, que mandou fazer o teste. “No domingo de manhã, ela postou que tinha dado positivo e eu comentei: então, estou positivo também, porque estou sentindo as mesmas coisas”, disse Fabiano.
No domingo (18) à tarde, o quadro da servidora piorou e no início da noite ela foi levada para o hospital de Guaçuí, a 23 quilômetros de Alegre. Os primeiros testes já indicaram 50% do pulmão comprometido. Começou uma corrida contra o tempo. Na segunda-feira, ela já entrou na UTI e foi intubada, para só piorar até morrer quatro dias depois.
Centenas de pessoas lamentaram nas redes sociais a morte de Rita. Uma delas, a professora Dinorah Rubim, do campus do Ifes do município. “Trabalhei 12 anos com ela na Câmara, depois passei no concurso e fui trabalhar no Ifes. Mas nunca nos afastamos. Estou completamente arrasada”, disse Dinorah.
Nas
redes sociais, a professora postou: “Hoje eu só choro. Foram vários anos trabalhando e convivendo diariamente. Amigas da Câmara Municipal e amigas da vida. Erramos juntas, acertamos mais, aprendemos muito e rimos demais. Uma pessoa inteligente, profissional irreparável, competente, amiga fiel. Nunca imaginaria despedir-me tão cedo de você, e perdê-la para essa doença tão cruel (Covid). Foi tão rápido! Tão... Tão... Tá doendo demais! Ainda não consigo acreditar”.
O que vem assustando a população, porém, não são os números absolutos da doença, mas o fato de que de janeiro até abril houve um aumento de quase 70% nos casos.