Pouco mais de sete anos após sua morte, Gerson Camata está de volta. O ex-governador do Espírito Santo foi “ressuscitado” pelas ferramentas da Inteligência Artificial com imagens, voz e cenários com alto grau de realismo. O responsável pelo retorno do ex-governador é o marqueteiro Fernando Carreiro, que está se preparando para usar intensamente os recursos da IA na campanha eleitoral que se avizinha.
“O vídeo que traz o ex-governador Camata é, evidentemente, uma mostra das inúmeras possibilidades e do alcance dessas ferramentas hiper-realistas. Estamos falando de ambientes, narrativas e programas inteiros construídos com apoio de Inteligência Artificial generativa, algo ainda inédito no Brasil”, afirma o marqueteiro.
Segundo Carreiro, nenhuma campanha eleitoral brasileira utilizou, até hoje, recursos de Inteligência Artificial generativa de forma estruturante em sua propaganda na televisão. A proposta não é pontual: a tecnologia será a base da produção audiovisual das campanhas que o consultor pretende conduzir nas eleições de 2026.
Carreiro ressalta que o projeto respeita rigorosamente os limites legais. “A legislação eleitoral vigente proíbe desinformação e deep fakes. Essa nunca foi - nem será - uma prática do meu trabalho”, promete.
“Essa tecnologia nos permite reconstruir, com fidelidade histórica, trajetórias políticas a partir de registros visuais e documentais, além de dar materialidade a projetos de futuro que normalmente permanecem restritos aos frios territórios dos planos de governo”, acrescenta.
O sistema desenvolvido pela MJFilms em parceria com o escritório de marketing Fernando Carreiro Imagem Comunicação Inteligência é capaz de recriar ruas, cidades inteiras, fisionomias e vozes a partir de imagens antigas ou atuais, além de gerar trilhas sonoras e jingles originais.
Para o marqueteiro, isso representa não apenas inovação estética, mas também ganhos de eficiência e redução de custos em campanhas tradicionalmente onerosas. Ele descarta, no entanto, a substituição de profissionais humanos.
“Inteligência Artificial sem curadoria humana era ruído. A IA não lê contexto social, não identifica emoções nem sente o clima de uma campanha. Ela otimiza processos, mas não substitui sensibilidade, escuta e leitura política”, observa.
Gerson Camata foi assassinado no dia 26 de dezembro de 2018, aos 77 anos de idade, em uma das ruas do bairro Praia do Canto, em Vitória. Seu ex-assessor, Marcos Venício Andrade, confessou o crime. Camata foi vereador de Vitória, deputado estadual e federal, governador do Espírito Santo entre 1983 e 1986 e senador da República por três mandatos consecutivos a partir de 1987.
O VÍDEO DE CAMATA
Com 1 minuto e 32 segundos de duração, o vídeo ‘Ele está de volta’ se passa a partir do amanhecer de Vitória, capital do Espírito Santo. Em meio a cenas urbanas contemporâneas, cidadãos conectados e paisagens reconhecíveis pelos capixabas - totalmente recriadas por inteligência artificial -, a imagem de Gerson Camata surge caminhando pelas ruas em um tempo que ele não viveu: o hoje.
A narração, também gerada por IA, introduz o tom simbólico da peça: “Houve um tempo em que governar era olhar nos olhos e em que a política não cabia em um post; cabia na palavra”.
Sereno, Camata se dirige à câmera, enquanto sua voz - com uma recriação de seu timbre, feita a partir de áudios antigos de entrevistas - pode ser ouvida: “Eu governei quando o Espírito Santo ainda aprendia a se ouvir. Não havia redes sociais. Não havia algoritmos. Mas havia algo essencial: gente”.
Uma clara mensagem da voz da experiência à nova geração de políticos lacradores da internet: “Se eu estivesse aqui em 2026, faria o mesmo que sempre fiz: ouvir antes de decidir”.
O recado foi dado.
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