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Leonel Ximenes

Chef que vive no ES fez até churrasco de camelo para o rei no país da Copa

No Catar, cozinheiro que mora na Serra arriscou seu prestígio com um prato inédito para o banquete da família real árabe

Publicado em 11 de Novembro de 2022 às 13:35

Públicado em 

11 nov 2022 às 13:35
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O chef Mateus Costa Vieira, que vive na Serra, mas tem grande experiência internacional
O chef Mateus Vieira, que vive na Serra, tem grande experiência internacional Crédito: Álbum de família
Servir a um rei numa terra distante e com tradições muito diferentes das do Brasil foi o maior desafio do chef de cozinha internacional Mateus Costa Vieira, de 42 anos, que nasceu em Itaboraí, no Rio de Janeiro, chegou ao Espírito Santo ainda bebê com a família e viveu em Nova Almeida, na Serra, até os 18 anos.
Depois de ter cursado a Universidade de Gastronomia, em Rhode Island, na cidade de Providence, nos EUA, e de uma passagem por restaurantes de Aracaju (SE) e Natal (RN), Mateus recebeu o convite, em 2012, para trabalhar em Doha, no Catar, país que irá sediar a Copa do Mundo, a partir do próximo dia 20.
Lá, ele chefiou o Crowne Plaza Doha The Business Park, hotel cinco-estrelas, um dos mais luxuosos do Oriente Médio, onde atuou por dois anos e meio e lá conheceu o rei, o sheik Hamad. Mateus, que hoje vive em Morada de Laranjeiras, na Serra, e se considera capixaba de coração, caiu no gosto da realeza do Catar adaptando o tempero e o modo de fazer churrasco do Brasil, e inovou com um prato inédito: o churrasco de camelo.
“O desafio da carne de camelo é que ela é dura e demora um bom tempo para assar ou cozinhar. Ela também tem um gosto mais marcante que a carne de boi”, explica Mateus, sem dar detalhes do preparo do prato que ele garante ter introduzido no país da Copa e guardar a receita a sete chaves.
No Catar, Mateus disse que serviu a várias autoridades, mas o fato mais marcante que ele relata ocorreu na inauguração do hotel. Ele conta que o evento foi marcado por um requintado almoço, cercado de um forte esquema de segurança. Por isso, nem sequer foi fotografado ou filmado.
“A inauguração do Crowne Plaza Doha The Business Park foi de alto luxo e contou com a presença do então rei, o sheik Hamad. Tive a responsabilidade de servi-lo. Seguindo as tradições locais, o almoço teve os pratos típicos da localidade, além do churrasco de camelo”, lembra Mateus, com orgulho.
Mas o chef conta que, nos bastidores, o clima era de apreensão. “Para se ter uma ideia, antes do rei e seu séquito comerem a refeição, eu experimentei todos os pratos que servi, como medida de segurança para evitar envenenamento, e também tive meu passaporte confiscado.”
Hamad bin Khalifa Al-Thani foi o emir do Catar de 27 de junho de 1995 a 25 de junho de 2013, após ter deposto o seu pai, Khalifa bin Hamad Al Thani, em um golpe de Estado sem derramamento de sangue, sendo o até então sheik Hamad coroado em 20 de junho de 2000. Ele tem três mulheres e 24 filhos, sendo 11 filhos e 13 filhas. Em junho de 2013, abdicou do trono em favor do seu filho Tamim bin Hamad Al Thani, o novo chefe de Estado.
Mateus (segundo à direita) com sua equipe pronta para preparar churrasco de carne de camelo em Doha, capital do Catar
Mateus (segundo à direita) com sua equipe pronta para preparar churrasco de carne de camelo em Doha, capital do Catar Crédito: Álbum de família
Ao ser indagado sobre as curiosidades do país sede em que o Brasil irá buscar o hexacampeonato mundial de futebol, a partir da estreia, no próximo dia 24 contra a Sérvia, Mateus destacou que ficou surpreso com a discriminação que sofrem as mulheres no Catar, país em que a maioria da população é muçulmana.
“Lá, as decisões são tomadas pelos homens, que andam na frente das mulheres, em grupos separados. No verão, a temperatura ultrapassa os 50 graus. Doha foi construída no deserto. Como é um grande produtor de petróleo, no Catar a gasolina é mais barata que água”, compara.
Mateus conta ainda que, por dois anos, o restaurante do hotel em que trabalhava foi considerado o melhor do Catar. “Minhas premiações estão lá na parede do hotel”, destaca. Ele diz estar confiante na conquista do hexacampeonato.
Se o título vier, o chef pode voltar à churrasqueira. Mas nada de camelo; aqui a moda é picanha. Servidos?

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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