O que predominou foi a hipócrita pauta de costumes e a disseminação das criminosas notícias falsas - as repugnantes fake news. Diante desse lamentável quadro, a pergunta óbvia: a nossa democracia vai resistir a esse ataque organizado de setores obscuros da sociedade? A resposta: depende de todos nós.
O modus operandi dos autoritários mudou. Pensadores contemporâneos como Madeleine Albright (“Fascismo - um alerta”), Anne Applebaum (“O crepúsculo da democracia”) e Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (“Como as democracias morrem”) nos alertam que os algozes agora tentam destruir a democracia “por dentro”.
Ou seja, os conspiradores não recorrem mais a tanques, generais e quetais para subverter a ordem democrática, conquistada a tão duras penas. O método é mais sofisticado e quase “indolor”.
O arsenal dos inimigos da democracia é extenso: ataque permanente às instituições, destruição de reputações, casuísmos institucionais (aumento de membros do
STF é um bom exemplo), violência política, intimidação, uso intensivo das fake news…
O Brasil está dentro desse contexto, infelizmente. A ascensão de uma direita antidemocrática (a extrema-direita) no país espanta e deixa atônitos os democratas, que muitas vezes se veem sem instrumentos à mão para reagir à altura dos ataques.
É um fenômeno novo com ramificações em várias partes do mundo, incluindo EUA, Europa (Hungria e Polônia) e Ásia (Filipinas), entre outras nações. Espantoso que ocorra até nos Estados Unidos, vejam só, a pátria que se orgulhava de ser o farol da liberdade do mundo.
O estrago feito pelo trumpismo naquela nação foi tão grande que até hoje ameaça o equilíbrio institucional norte-americano. Esses maus exemplos contaminaram também o ambiente institucional do Brasil. Mas há como neutralizá-los.
É preciso, primeiro, que os setores democráticos estejam conscientes dessa ameaça constante e reajam à altura para manter os fundamentos do Estado Democrático e de Direito. Uma boa oportunidade para essa resistência são as eleições, e hoje nós brasileiros seremos chamados a decidir mais uma vez.
Este texto, é bom ressaltar, não pretende criticar qualquer candidato nem apontar em quem o eleitor deve votar - essa é uma tarefa e ao mesmo tempo um direito que, soberanamente, cabe só a ele.
Mas não é avançar sinal algum do equilíbrio que deve pautar o jornalismo alertar a nação para que mais do que o simples ato de votar, iremos todos dar ou não o nosso aval às conquistas democráticas.
É óbvio que não interessa à população - principalmente os mais pobres - a volta da ditadura e do autoritarismo. Demolir o edifício democrático da nação interessa apenas a uma minoria - não ao povo brasileiro, o primeiro a sofrer nos escombros institucionais.
Não sejamos negacionistas: contra o vírus do autoritarismo, inoculemos o antivírus do voto livre e soberano nas urnas. É o melhor imunizante que nos garante continuar respirando os ares democráticos. O resto é cloroquina autocrática que nos sufoca e mata.
Viva o Brasil! Viva o Espírito Santo! Viva a Democracia!