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Eleições 2022

Liberdade e democracia, abram as asas sobre nós

“Essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. Fiquei horas com essa frase na cabeça. Como é bonita, como é profunda

Publicado em 04 de Outubro de 2022 às 00:20

Públicado em 

04 out 2022 às 00:20
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Não presto muita atenção quando a maioria dos políticos e semelhantes fazem as semialfabetizadas exaltações de si mesmos. A primeira alusão à liberdade a que assisti na TV foi o juramento de um candidato a governador onde se comprometia a respeitar as liberdades.
Liberdade, então, é isso: poder ser e deixar ser. Nunca entendi o significado das siglas partidárias ou dos partidos. Mas tenho amigos de todas as posições, pelo menos teoricamente.
Podemos dizer que a liberdade foi vitoriosa. Havia de tudo nas propagandas. Nós do “Amigos de Baco” vamos discutir o assunto nesta terça-feira. O resultado das eleições foi o óbvio: uns ganham, outros perdem. O eleitor sempre perde. Mas a liberdade foi respeitada.
Nas minhas pesquisas no fundo dos armários nas madrugadas de zumbi das quarta-feiras encontro o “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meirelles, velhinho de tanto ser lido.
Dou de cara com o significado de liberdade: “Essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. Fiquei horas com essa frase na cabeça. Como é bonita, como é profunda.
Lembrei que apesar de toda a psicopatia que rolou nas campanhas a liberdade emergiu. Não precisa mudar o povo, como sugeriram alguns gênios autoproclamados, para melhorar o país. A bela indiferença que paira nos governos, federal, estadual e municipal tem matado muita gente,  em Brumadinho, na ausência adequada de vacinação, nas florestas do Pará, na ponte que caiu inteira no meu Amazonas, nas chuvas de Petrópolis. São sempre previsíveis e não há qualquer prevenção. Não vou cansá-los.
Todo santo dia assistimos a festivais de assassinatos de miseráveis, entre si. Fora os outros. O preço dos remédios nas farmácias, sem controle oficial, porque não há a menor fiscalização, também contribui com a morte precoce da classe média. E isso não tem nada a ver com essa pseudoguerra na Ucrânia, como nos querem nos fazer crer. É tudo descaso do Estado. A indiferença histórica em relação aos salários dos servidores públicos da saúde, é uma barbaridade.
Seguindo à cata da madrugada…
Acabei relendo parte de outro livro que meu amigo Raimar Aguiar me presenteou, do amazonense Thiago de Melo, que já ganhou um montão de prêmios por sua obra. Ele é apaixonado pelas florestas, onde, aliás, reside.
É bom ler de madrugada. Ao contrário do que pode parecer, a gente se sente acompanhado pelos doces ruídos na natureza, um incrível gosto de liberdade e a agradável sensação de ser o único do mundo.
Meu pensamento corre para as lembranças do Teatro de Arena e da peça “Liberdade, Liberdade”, onde se canta “abre as asas sobre nós, e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz”.
Vamos ver se essas sacras palavras se enquadram neste novo governar e se as promessas chegam mesmo a tocar os miseráveis, essencialmente.
Minha memória e o som dos pássaros que não me obedecem me levam para muitos lugares, inclusive a voz de Nara Leão: “E no entanto é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade...”.
Abuso da memória e surge a imagem de Paulo Autran recitando: “Canto apenas quando brilha, nos olhos dos que me ouvem, a esperança”. Bonito, né?
A poesia carrega a magia de nos levar aonde queremos, e não queremos. Nesta quarta, apareceu, quando já estava quase dormindo novamente, o samba de raiz: “Etelvina acertei no milhar. Ganhei cinco mil contos, não vou mais trabalhar. Eu vou comprar um avião azul para percorrer a América do Sul. Mas de repente, mas de repente, Etelvina me acordou, tá na hora do batente”.
A memória, dona de mim, retorna para “Liberdade, Liberdade” (eu não mando nela como sabem), no Teatro de Arena e na voz de Vianinha escrevendo a liberdade de profissão, no sertão:

  • Entra pra dentro Chiquinha, no caminho que você vai, acaba prostituta.
  • Deus te ouça, minha mãe, Deus te ouça…
Dorian Gray, meu cão vira-lata, sonha o tempo todo.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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