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Leonel Ximenes

A tradição centenária de um doce que cheira a cana no interior do ES

Casal se dedica a produzir a guloseima, feita a partir da receita trazida pelos avós italianos

Publicado em 07 de Novembro de 2025 às 03:11

Públicado em 

07 nov 2025 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
Rosana Bravim mistura no tacho o caldo da cana-de-açúcar, o mamão e o gengibre, matérias-primas do carrapito
Rosana Bravim mistura no tacho o caldo da cana-de-açúcar, o mamão e o gengibre, matérias-primas do carrapito Crédito: Dirceu Cetto
Na comunidade de Vila Nova do Ribeirão, no interior de Alfredo Chaves, o cheiro doce que toma conta do ar entrega: é dia de fazer carrapito. No sítio da família Bravim, tradição e sabor caminham juntos há mais de um século. O casal Adevaldo e Rosana Bravim segue à risca uma receita trazida pelos avós italianos, que chegaram à região no final do século XIX e trouxeram o costume de transformar o caldo de cana em um doce único e irresistível.
O carrapito, uma mistura perfeita entre o caldo da cana-de-açúcar, o mamão e o toque especial do gengibre, é o carro-chefe da produção familiar e um símbolo da cultura rural local. É também o único doce do tipo produzido na região, o que faz da família Bravim a guardiã dessa tradição.
Tudo é feito de forma artesanal, com o cuidado e a dedicação de quem aprendeu desde cedo o valor do trabalho no campo. A cana é cultivada, colhida e moída no próprio sítio, e o processo segue como era feito pelos antepassados: o caldo é fervido lentamente em grandes caldeirões aquecidos a lenha, até atingir o ponto exato. Só então entram o mamão e o gengibre, que dão sabor e aroma característicos ao doce.
Depois de pronto, o carrapito é resfriado, cortado em pedaços e cuidadosamente embalado pela própria família. O destino são os comércios da região, onde o doce é vendido e muito procurado por quem já conhece o sabor da tradição.

O VALOR AFETIVO DO DOCE

“Temos vários pedidos, mas não conseguimos ampliar por falta de mão de obra. Quem prova o doce sempre compra novamente, ele tem valor afetivo. Muitos lembram do tempo de infância, principalmente quem morou no interior”, conta Rosana.
Rosana com a bandeja de pedaços de carrapito, doce feito de forma artesanal
Rosana com a bandeja de carrapito, doce feito de forma artesanal Crédito: Dirceu Cetto
Além do carrapito, o casal também produz melado de cana e açúcar mascavo - todos com a mesma dedicação e respeito às origens. Mas é o carrapito que faz brilhar os olhos de quem visita o sítio: “É o nosso doce preferido, e também o que mais representa a nossa história”, destaca Rosana, enquanto mexe o caldeirão com a colher de cabo longo, gesto repetido há gerações.
Uma vez por semana, a rotina no sítio é toda dedicada à produção do doce. É um dia inteiro de trabalho, calor e cheiro de cana fervendo. Um dia que, para a família Bravim, é mais do que uma jornada produtiva: é uma celebração à memória dos antepassados e à força da agricultura familiar que segue adoçando a vida e preservando o sabor do tempo.

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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