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Pandemia

Volta às aulas: a importância do contato humano entre professor e aluno

Evitemos todos a aglomeração, mas o contato físico e pessoal entre professores, alunos e toda a comunidade escolar é essencial para a aprendizagem

Publicado em 01 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

01 mar 2021 às 02:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro
Escolas da rede municipal preparam volta às aulas
Embora os professores ainda não tenham sido vacinados, é necessário que a comunidade escolar retome os encontros presenciais Crédito: Prefeitura de Linhares/Felipe Reis
Após um ano de recesso forçado pela pandemia que assolou o mundo, é hora de voltar às aulas presenciais, com todo o cuidado necessário. Novos protocolos sanitários foram adicionados à rotina escolar e, embora os professores ainda não tenham sido vacinados, é necessário que a comunidade escolar retome os encontros presenciais, mesmo que seja por revezamento, com menor número de alunos por sala e horários diferenciados pro recreio. Evitemos todos a aglomeração, mas o contato físico e pessoal entre professores, alunos e toda a comunidade escolar é essencial para a aprendizagem.
Não podemos dizer que o ano passado foi perdido, mas, sem dúvida, ficou bastante prejudicado e esse prejuízo pode ser irreversível para a educação, sobretudo a das crianças. Convivo com algumas, no meio rural, e outras no meio urbano, com disponibilidade de internet e de equipamentos para aulas a distância, ao contrário daquelas. 
As crianças do meio rural não têm internet ou o sinal é precário, a maioria não tem computador em casa, o celular só é usado quando houver sinal e, portanto, é uma balela dizer que o ensino a distância funciona. Para elas, não. Isso aumentou o distanciamento das classes sociais, contribuindo para uma sociedade cada vez mais perversa em suas desigualdades.
Para a educação, o ano que passou e o que estamos vivendo estão sendo terríveis, pois poucos professores foram capacitados para dar aulas não presenciais e usar os meios de informação, com os recursos disponíveis, com eficiência e qualidade. O que vimos foi uma quantidade de aulas de telecurso, chatíssimas, professores e alunos desambientados nesse novo formato. 
Na Educação Infantil, foi um fracasso. A maioria dos alunos saiu da escola, com prejuízo para eles e para as escolas. E muitos professores, mulheres sobretudo, ficaram desempregados. Daí, a boa iniciativa do governo paulista em contratar mães desempregadas para atuarem como agentes sanitários temporários nas escolas.
No Fundamental I, é inconcebível colocar uma criança de seis a dez anos em frente a uma tela, independente do tamanho, para assistir a quatro horas diárias de aula com o mesmo professor. No Fundamental II, ainda há rodízio de professores e um ou outro consegue cativar a atenção das crianças, mas professor não é mágico de animação de festas e nem palhaço pra distrair a meninada. 
E, cá pra nós, reinventar o quê, com a formação e os equipamentos que temos ou de que dispomos? Um ano após a pandemia, o governo Casagrande anunciou a doação de seis mil reais para os professores comprarem computadores, impressoras, câmeras e programas. Isso se a Assembleia aprovar. Um pouco tarde, não? Mas, como diz o povo, antes tarde do que nunca.
No Ensino Médio e Superior, parece que o ensino não presencial teve alguma positividade, mas, é muito triste ver os campi das universidades e dos institutos tecnológicos vazios, entregues às moscas, com todos os equipamentos de que dispõem. Essas instituições possuem bibliotecas, laboratórios, aparelhos culturais diversos, restaurantes, e isso tudo não pode ficar fechado indefinidamente. É preciso voltar à rotina, paulatinamente, como estão fazendo as escolas de ensino fundamental e médio. 
O mesmo pessoal que advoga uma ‘greve sanitária’ se aglomera nas ruas da Lama, nas praias, nas festas clandestinas, nos barezinhos da moda. E, convenhamos, tenho assistido à algumas aulas on-line e tudo me parece uma grande farsa. Creio que nada tira a importância do contato humano entre professor e aluno, dos colegas entre si, de todos envolvidos no processo educacional. Educação sempre foi muito mais do que simples transmissão de conteúdo. Isso qualquer máquina faz. E, se essa situação perdurar, é quase certo que professores serão substituídos por elas, neste “admirável mundo novo”.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Francisco Aurelio Ribeiro

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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