Estava entre os americanos, há pouco mais de quatro anos, quando Trump foi eleito, para surpresa minha e nenhuma dos americanos. Eles estão habituados ao rodízio de partidos no poder e queriam, após oito anos de governo democrata do Obama, trocar a gestão política do país. Talvez eu estivesse influenciado pela imprensa e os jornais a que assistia na TV, que davam como certa a vitória da Hilary Clinton. Pois não deu.
O processo eleitoral americano é complexo, manual, longo, envolve várias etapas, bem diferente do nosso e, provavelmente, mais sujeito a fraude do que o da urna eletrônica, em que o resultado pode ser obtido em poucas horas de apuração. Antes, na época do voto manual, a fraude era comum, os votos de cabresto elegiam os coronéis, a contagem lenta e manual era possível de manipulações fraudulentas e não havia fiscais suficientes para garantir a lisura do processo democrático em todos os rincões desta nossa nação continental.
Amanhã, felizmente, chega ao fim o mandato do tresloucado Donald Trump, mas nem ele nem seus radicais apoiadores concordam com o resultado das eleições, em que a dupla democrata Biden/Harris foi eleita por ampla maioria. Incentivado por seu desvairado líder, os trumpistas radicais, combinados nas redes sociais, invadiram o Congresso Nacional norte-americano, numa cena antes nunca imaginada naquele país e que não acontecia há mais de duzentos anos.
Acostumado a ver isso na América Latina ou em outra parte do planeta, o mundo se surpreendeu com as cenas daqueles neovikings ou neopiratas, escalando muro, quebrando portas e vidraças, acuando policiais em minoria, saqueando, roubando objetos, conspurcando o gabinete da presidente, a combativa Nancy Pelosi, uma cena de barbárie inimaginável num país que busca ser um espelho democrático para o mundo.
Pela segunda vez, Trump sofreu impeachment, a ser referendado pelo Senado, ainda majoritariamente republicano. Os invasores do Capitólio estão sendo identificados, presos e serão julgados como terroristas. Que suas penas não sejam leves, para que isso sirva de exemplo para o mundo e, sobretudo, para nós, que temos no poder o principal seguidor de Trump e de sua ideologia, que já ameaçou a democracia brasileira, dizendo que, nas próximas eleições, aqui poderá ocorrer o mesmo, pois o voto eletrônico não é seguro, a despeito da lisura do processo garantida pelo Ministro Barroso, presidente da Justiça Eleitoral.
Bolsonaro, o boçal, também merece o impeachment, por sua interferência na Polícia Federal, pelo apoio aos extremistas nos ataques ao Supremo Tribunal e ao Congresso Nacional, pelo envolvimento seu e dos filhos nas milícias cariocas, pela negação da pandemia e da vacinação, responsável direto pelo genocídio de cerca de duzentos e dez mil brasileiros. Oxalá o Congresso Nacional o destitua do poder, em fevereiro. Por muito menos, Dilma foi defenestrada. Antes o Mourão que um Capitão falastrão.