A situação fiscal dos municípios do Espírito Santo em geral melhorou em 2025, mesmo em um ano com desafios no comércio internacional, como o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos importados, incluindo brasileiros.
Foi o que apontou um estudo realizado pelo Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES), divulgado nesta segunda-feira (18). Feito com base nas informações econômico-fiscais de 2025, o estudo Índice de Vulnerabilidade Fiscal (IVF) mostra que as cidades do Estado tiveram uma melhora do índice e uma redução da vulnerabilidade de forma geral.
Todos os 78 municípios foram avaliados de acordo com os quatro componentes do IVF: 1 – Margem recorrente; 2 – Endividamento; 3 – Situação previdenciária (ISP); e 4 – Liquidez. Cada componente recebe uma nota de zero a 25.
O estudo indica a capacidade que os municípios têm de suportar quedas de receita e aumentos de despesa inesperados. Nesse caso, quanto menores as notas, menores são as vulnerabilidades dos municípios – logo, notas altas indicam municípios em situação pior do ponto de vista fiscal.
Autor do estudo, o auditor de Controle Externo Robert Detoni ressalta que os dados de 2024 apontaram 25 municípios em baixa vulnerabilidade, 51 com média vulnerabilidade e 2 com alta vulnerabilidade.
Já os dados de 2025 apresentaram uma redução de municípios em média e alta vulnerabilidade (45 e 1, respectivamente) e aumento dos municípios em baixa vulnerabilidade (32).
“Apesar do tarifaço no mercado externo desfavorável ao Estado em 2025 e suas consequências econômicas e fiscais, tivemos uma melhora do índice, com redução da vulnerabilidade de forma geral. O número de municípios com alta vulnerabilidade já chegou a 8 em 2019 e atualmente está em somente um. Isso é muito positivo”, afirma Detoni.
As cidades
O estudo apresenta uma análise detalhada de cada município e os classifica em níveis de prioridade para receber ações de controle externo, a fim de reduzir os riscos fiscais. Sete municípios têm alta prioridade: Barra de São Francisco, Divino de São Lourenço, Guaçuí, Irupi, Itapemirim, Iúna e Pancas.
Seis têm média prioridade: Atílio Vivácqua, Ibitirama, Jerônimo Monteiro, Marataízes, Mimoso do Sul e Presidente Kennedy.
Por fim, nove municípios foram classificados com baixa prioridade: Anchieta, Governador Lindemberg, Ibiraçu, Mantenópolis, Marechal Floriano, Santa Leopoldina, São José do Calçado, São Mateus e Viana.
Os demais, não foram classificados por estarem com boas notas no IVF.
“O fato de se avaliar um município como ‘baixa prioridade’ não perde a importância frente ao grau de vulnerabilidade. A priorização é quanto à ação de controle externo, não quanto à vulnerabilidade”, explica Detoni.
Dentre os que apresentaram melhor resultado em 2025, destaca-se Aracruz, que registrou 32 pontos, seguido por Fundão, João Neiva, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, Venda Nova do Imigrante e Vitória – todos com 41 pontos.