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É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades. Escreve quinzenalmente às segundas

Colapso na saúde e atraso na vacinação poderiam ter sido evitados

Se tivéssemos tido, desde o início da pandemia, há um ano, um líder no governo ativo, operante, sensato, tudo poderia ter sido diferente

Publicado em 01/02/2021 às 02h00
Atualizado em 01/02/2021 às 02h04
O governador Renato Casagrande participara da vacinação contra a Covid-19 na unidade básica de saúde do bairro São Francisco em Cariacica
Vacina contra a Covid-19 vai chegando a pinga-gotas no Brasil. Crédito: Ricardo Medeiros

Pois é, a vacina vai chegando a pinga-gotas e o que se vê é gente furando fila, vergonhosamente, passando à frente de grupos prioritários, querendo se dar bem, num salve-se quem puder típico de egoístas e de individualistas, infelizmente, um comportamento comum do brasileiro. 

Me lembro de uma crônica memorável de João Ubaldo Ribeiro, publicada há algum tempo na "Veja", intitulada “Nós, os desordeiros”, em que afirma: “Recato e pudor parecem ter sumido e o exibicionismo, em mil formas contemporâneas, se manifesta em toda parte. Atos de civilidade, como devolver dinheiro achado, são manchete nos jornais. Não há órgão público que não seja alvo de corrupção, nepotismo, tráfico de influência e outras práticas imorais ou criminosas. Dia sim, dia não, noticiam-se desvios de verbas astronômicas, obras públicas caindo aos pedaços antes de serem concluídas e toda espécie de falcatrua”. Gente, esse texto é de 2013 e parece que foi escrito para os dias atuais.

Estamos vivendo esses aterrorizantes tempos pandêmicos, a cada dia a Covid estica seus tentáculos para pegar alguém mais próximo de nós, morrem mais de mil brasileiros por dia, e a vacina, até agora, vai sendo aplicada a poucas pessoas de grupos definidos como prioritários. Neles não se incluem os professores que, a partir de hoje, começam a receber seus alunos, muitos em aulas presenciais. Já sabemos o que vai acontecer, não? Muitos adoecerão e, provavelmente, morrerão, antes de serem imunizados, como aconteceu com médicos e enfermeiros na linha de frente do combate ao inimigo invisível.

Como se não bastasse, denúncias de mau uso de verbas públicas proliferam pelo país afora: respiradores caríssimos comprados, sem uso porque não funcionam; testes não aproveitados, pois perderam o prazo de validade; falta de leitos em hospitais e o caos de Manaus: centenas de pessoas morrendo por falta de oxigênio. 

Tudo isso poderia ter sido evitado, se tivéssemos tido, desde o início da pandemia, há um ano, um líder no governo ativo, operante, sensato. Não foi o que aconteceu. O nosso é um imbecil, negacionista da doença, crítico da vacina, um boçal que, junto com seus filhos e assessores, criticou e zombou da China, da qual, hoje, somos reféns. De lá veio esse vírus, e principalmente ela possui o antídoto para combatê-lo: a vacina.

Ficaremos o ano todo aguardando que a China nos envie, pingado, o tal do IFA, o insumo com que nossos grandes laboratórios, Butantan e Fiocruz, produzirão a vacina, e, a cada remessa, comemoraremos como se mais um gol fosse feito num campeonato mundial. Vez ou outra, o país conseguirá comprar alguns poucos milhões de dose da Índia, e, enquanto isso, vamos morrendo, milhares por dia. 

Tudo poderia ter sido diferente se, há mais tempo, o Brasil tivesse fechado contratos com as dezenas de empresas produtoras de imunizantes. Não o fizemos e , agora, pagamos o preço de mercado, quando e se houver produto para vender. Triste. Somos mais de duzentos milhões de brasileiros e precisaremos do dobro disso em vacinas. Até agora, não temos nem cinco por cento do que necessitamos. O presidente Cloroquina precisa ser responsabilizado por esse genocídio. Sua política negacionista nos levou a esse caos. #Fora Bolsonaro. #Impeachmentjá.

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