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Meio ambiente

Aquecimento global: como entender de um jeito fácil o que está acontecendo

A descoberta de que o planeta é envolto na atmosfera ocorreu apenas em meados do século passado. É um tempo muito curto para criar a consciência de que o espaço infinito que julgávamos existir não está ao nosso dispor

Publicado em 25 de Setembro de 2025 às 04:50

Públicado em 

25 set 2025 às 04:50
Carlos Roxo

Colunista

Carlos Roxo

Quando em um dia bonito olhamos o céu azul, e à noite em uma zona rural o céu estrelado, temos a sensação do infinito. O Homo Sapiens surgiu há 300 mil anos, e essa sensação está gravada no nosso subconsciente.
A descoberta de que o planeta é envolto na atmosfera ocorreu apenas em meados do século passado. É um tempo muito curto para criar a consciência de que o espaço infinito que julgávamos existir não está ao nosso dispor.
A atmosfera terrestre tem cinco camadas. Se compararmos a Terra com uma maçã, a espessura da atmosfera é análoga à da sua casca. Para os seres vivos, a mais importante é a troposfera, com apenas 20 km de altitude. Essa fina camada contém 75-80% do ar respirável, principalmente nitrogênio e oxigênio, além de outros gases, como os que provocam o aquecimento global, chamados Gases de Efeito Estufa, os GEE.
O principal gás entre os GEE é o CO₂, responsável por 55% a 60% das emissões, oriundo principalmente da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e queimadas. Ele pode permanecer na atmosfera por muitos séculos. Outros GEE importantes são o metano, óxido nitroso, vapor d’água e gases fluorados, a maior parte resultante das atividades humanas.
A estreita correlação entre o aumento da concentração dos GEE e da temperatura média global permitiu que a ciência concluísse que as atividades humanas são as responsáveis pelo Aquecimento Climático.
Para exemplificar, tomemos o CO₂ como indicador. Sua concentração até o início da Revolução Industrial, em 1850, era relativamente baixa e a temperatura média global estável. A partir daí, sua concentração começou a aumentar e a temperatura a subir em sincronia cada vez mais rápida. Em 2000, o aumento da concentração do CO₂ atingiu 30% e a da temperatura 0,55°C. Em 2024, tivemos o ápice: o aumento da concentração do CO₂ foi de 50%, e a da temperatura 1,57°C.
Planeta, meio ambiente e as mudanças climáticas
Planeta, meio ambiente e as mudanças climáticas Crédito: user6702303/Freepik
Para colocar esses dados em perspectiva, em 2015 houve a Conferência de Paris (COP21), da ONU, considerada um marco político, já que pela primeira vez alcançou-se um acordo unânime entre os 197 países membros, que definiram como meta manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com ambição para limitá-lo a 1,5°C. Todos os países apresentaram compromissos voluntários para o atingimento dessas metas, as NDC, a serem revistos a cada cinco anos.
A próxima revisão será apresentada na COP30, em Belém. Mas a crise do multilateralismo, em que a saída dos EUA do Acordo de Paris é o sinal mais forte, torna muito improvável que ocorram progressos significativos. Para que o ritmo do aumento da temperatura da Terra decline, são necessárias medidas rápidas e estruturais em escala global, priorizando a redução das emissões dos GEE e a resiliência dos sistemas naturais e sociais.
A medida mais importante seria um cronograma para eliminar gradualmente o uso de combustíveis fósseis. Porém, as chances de sua aprovação são nulas, dada resistência de grandes produtores e a influência de interesses econômicos e geopolíticos
As previsões sobre o futuro variam, e as mais comuns são o aumento da temperatura de 2°C até 2050 e de 3,5°C a 4°C até 2100. Essas previsões embutem um enorme risco para a civilização, com a possibilidade de mudanças irreversíveis e reorganização massiva do modo de vida humano, incluindo a redução do PIB Global de 7.5% em 2050 e 30% em 2100.
Se atualmente o crescimento anual zero do PIB já é visto como desastroso, nublando o ambiente político, imaginem reduções como as citadas por períodos a perder de vista.
No limite, o Homem é um ser dispensável na trajetória da Terra, que pode eliminá-lo e prosseguir seu curso. Para evitar esse fim trágico, precisamos conscientizar a sociedade sobre esse risco, mobilizando-a para agir de forma rápida e vigorosa.

Carlos Roxo

Engenheiro ambiental, sócio da Maker Sustentabilidade e membro do Grupo Executivo da Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura

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