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Vacinação contra a Covid

Ataques de Bolsonaro à China podem dificultar acesso à vacina

Sequência de mentiras divulgadas por Bolsonaro, sua família e membros do governo federal contra o país asiático pode atrasar imunização em massa entre os brasileiros

Publicado em 22 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

22 jan 2021 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

Doses da vacina CoronaVac
Imunizante Coronavac foi muito atacado por Bolsonaro Crédito: Governo do Estado de São Paulo
Assim como é verdade que a aprovação do uso emergencial das vacinas Coronavac e de Oxford pela Anvisa causou intensa animação pelo Brasil, por outro lado, infelizmente, cabe registrar que há um longo caminho a ser percorrido até que haja imunização em massa entre os brasileiros.
Nesta primeira fase de imunização contra o coronavírus, terão prioridade a população indígena, os idosos maiores de 60 anos residentes em instituições de longa permanência, pessoas com deficiência que vivem em instituições e os profissionais que atuam na linha de frente no combate à pandemia. Porém, a quantidade de doses inicialmente disponibilizadas ao Espírito Santo não é capaz de atender nem a 40% dos mais de 111 mil trabalhadores na área da saúde.
No contexto capixaba, chamou atenção as deficiências no planejamento e a morosidade por parte de alguns municípios que não definiram com antecedência quais profissionais inclusos na primeira etapa prioritária receberiam o imunizante, já que as doses são inferiores ao número necessário. No primeiro dia após a chegada das vacinas, o município de Vitória, por exemplo, que recebeu o maior número de doses no estado (4.769), só vacinou 92 pessoas entre idosos e funcionários de um asilo.
Não faz sentido que tendo sido as vacinas aprovadas para uso emergencial demorem tanto para ser aplicadas. O natural seria que, num contexto de emergência sanitária sem precedentes, as doses liberadas fossem aplicadas imediatamente, o quanto antes, nas pessoas do primeiro grupo prioritário.
Outrossim, não se pode deixar de mencionar as inúmeras denúncias de fraude nas filas de vacinação, como o caso do prefeito de Itabi/PE, Júnior de Amynthas, que, mesmo fora do grupo prioritário, foi a primeira pessoa a se vacinar na cidade, justificando que assim o fez para “incentivar a população a também tomar a vacina”.
Segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde, na primeira fase da vacinação, além do grupo 1, há mais de 155 mil pessoas com mais 75 anos no Espírito Santo no grupo 2 e a imunização dessa população depende de aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde. E não há sequer uma previsão clara para tanto. Isso se deve, em grande parte, à falta de planejamento e de iniciativa do Ministério, que se comporta como um dos maiores inimigos da aprovação do imunizante Coronavac, produzido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.
Inclusive, durante a fase de testes, quando um dos voluntários que tomou o placebo da vacina cometeu suicídio, o presidente comemorou como sendo “mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. Lado outro, quando a Anvisa autorizou o uso emergencial dos imunizantes do Butantan e de Oxford, Bolsonaro não demonstrou tamanho contentamento como quando o voluntário se suicidou.
Até então, o único imunizante disponível para os brasileiros é justamente aquele que Bolsonaro tanto atacou e relutou em adquirir: a Coronavac. Bolsonaro prioriza os ataques políticos a João Doria e à China enquanto os brasileiros morrem asfixiados e sem previsão de imunização em massa. Se não fosse a Coronavac, adquirida inicialmente pelo governo de São Paulo, neste momento, não teríamos nenhuma vacina. A Fiocruz, por sua vez, afirmou que não conseguirá produzir doses da vacina Oxford/AstraZeneca antes de março e a Índia, um dos maiores fabricantes de vacinas, retirou o Brasil da lista de prioridades para vacinas contra Covid-19.
A forma como o Brasil conduz suas relações diplomáticas é preocupante. O país está cada vez mais isolado no cenário internacional e isso dificultará o acesso dos brasileiros à vacinação. A sequência de ataques e mentiras divulgadas por Bolsonaro, sua família e membros do governo federal contra a China pode estar por trás das barreiras que o Brasil tem enfrentado para adquirir matéria-prima para a produção e envase das vacinas em território nacional. A China, além de ser responsável por grande parte de tudo que o Brasil consome, é a maior produtora do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), fundamental para a produção dos imunizantes.
Alguns podem achar que é uma visão pessimista, entretanto, acredito que se trata de uma perspectiva mais realista do que pessimista. Como bem disse Ariano Suassuna: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança”.
Temos esperança na chegada de vacinas suficientes para todos. Todavia, a esperança precisa caminhar a par da realidade.

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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