O Espírito Santo superou São Paulo no volume de vinhos importados no período de janeiro a novembro deste ano. Enquanto os portos capixabas receberam 30.832.390 de itens, os terminais paulistas contabilizaram 29.065.264, segundo dados levantados pelo Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do ES (Sindiex) a pedido da coluna.
Embora em quantidade a liderança fique com o Espírito Santo, em valores é São Paulo quem apresenta o melhor resultado. Nos 11 meses de 2020, por aqui foram importados US$ 71,2 milhões (FOB) enquanto lá foram registrados R$ 99,6 milhões (FOB).
Outra curiosidade, de acordo com o levantamento do Sindiex, é o fato de ser a primeira vez, pelo histórico dos últimos cinco anos, que o Espírito Santo toma a dianteira. Considerando os anos completos de 2019, 2018, 2017, 2016 e 2015, o Estado sempre ficou atrás de São Paulo em quantidade e valores (US$).
Também chama a atenção o fato de, mesmo faltando contabilizar os dados do mês de dezembro para fechar o ano, o Estado registra uma marca superior a de 2019. No ano passado, ao longo de 12 meses, foram importados pelo Espírito Santo mais de 23 milhões de mercadorias, enquanto neste ano o número é de quase 31 milhões de produtos.
Para especialistas, a instalação ao longo dos últimos anos de empresas do segmento de bebidas, especialmente aquelas com forte atuação na venda on-line, tem contribuído para incrementar a atividade econômica local, situação que é reforçada pelo presidente do Sindiex, Sidemar Acosta.
“O Espírito Santo sempre foi um importante importador de vinhos e aqui se encontram os maiores e-commerces da bebida da América Latina. Neste ano, por conta da pandemia, as vendas on-line no Brasil tiveram um salto, inclusive nesse segmento. O Sindiex vem acompanhando de perto as operações de importações para que esse crescimento não reflita em problemas operacionais”, frisou.
DEFINIÇÃO SOBRE REDUÇÃO DO ICMS DO BUNKER FICA PARA MARÇO
A proposta apresentada, no dia 9/12, ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) pelo governo do Espírito Santo para reduzir o ICMS do combustível da navegação, o bunker, voltará a ser discutida em março.
O Estado de São Paulo pediu vista justificando precisar de mais tempo para avaliar a sugestão capixaba, que prevê a redução da alíquota a 4,5% desde que haja a contrapartida da empresa em ampliar em pelo menos 50% a quantidade média de operações semanais.
Mesmo com o posicionamento de São Paulo, integrantes do governo estadual estão confiantes de que a redução do imposto será aprovada no próximo ano, contribuindo para estimular as operações marítimas no Espírito Santo.
ORDEM GLOBAL E OPORTUNIDADES
Dados apresentados pelo presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) – Banco dos Brics -, Marcos Troyjo, em live sobre cenário econômico e político para 2021, chamou atenção do empresariado capixaba. O PIB combinado – medido pelo poder de qualidade de compra – das economias do G7 é de US$ 40 trilhões, enquanto que dos sete países emergentes já ultrapassa a casa dos US$ 50 trilhões.
"Será que vamos continuar neste processo de desglobalização que vivemos nos últimos 12 anos? Esses dados já confirmam que há mudanças dos pesos relativos e das economias emergentes do PIB mundial"
Troyjo, que é diplomata e já foi ex-secretário de comércio exterior e de assuntos internacionais, acredita que nos próximos anos o fluxo de investimentos seja majoritamente com os acordos comerciais. “Os tratados, como o Mercosul e o recente firmado na Ásia Pacífica, são muito importantes para o comércio internacional”.
Em sua palestra, o presidente do Banco dos Brics pontuou ainda a importância das reformas estruturais internas nos países, visando o aumento da competitividade, e da retenção de talentos. “O talento é o fator determinante de produção. E talento daqui em diante vai descolar da sua definição e significará responder à pergunta: o que mais você pode fazer além do que já é bom? Do ponto de vista empresarial, uma reinvenção corporativa. Do ponto de vista das nações, agregação de valor”.
SERVIÇOS EM ALTA
Após um 2020 difícil, o setor de serviços como aviação, turismo, restaurantes e lazer, deve ser o que vai apresentar um crescimento mais rápido em 2021. “O segmento parte de um nível extraordinariamente reprimido por conta da pandemia e, por isso, deve ter uma recuperação rápida ao longo de 2020”, explicou o economista Fernando Sampaio em reunião on-line do Grupo Permanente de Acompanhamento Empresarial do ES (GPAEES), realizada na última quinta-feira (10).