O Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), divulgou a taxa de crescimento da economia capixaba no primeiro semestre deste ano de 2026. Números positivos. O Espírito Santo teve crescimento médio de 4,4%. Significa mais do que o dobro da média do Brasil, da ordem de 1,9%.
Parênteses. Apenas à guisa de exemplos, vale lembrar que nos últimos 26 anos o ES cresceu mais do que o Brasil nos seguintes anos: 2000 (7,0% x 4,39%); 2006 (8,5% x 3,96%); 2007 (7,1% x 6,07%); 2008 (8,6% x 5,09%); 2010 (15,2% x 7,53%); 2021 (6,0% x 4,76%); 2023 (3,4% x 3,24%); e 2025 (3,9% x 2,29%).
Agora em 2026, o crescimento capixaba foi puxado principalmente pelas empresas do setor industrial extrativista, ou seja Petrobras, Vale, Samarco e Prio, dentre outras. A Petrobras beneficiou-se pela alta do preço do petróleo, em função da guerra no Oriente Médio (Estados Unidos & Irã).
O resultado positivo do PIB joga luz e impulso ao processo, já em curso, de configuração da mudança do perfil da economia capixaba. Trata-se da busca de agregação de valor aos bens primários. Para citar apenas quatro exemplos, a Vale, a Petrobras, a ArcelorMittal e a Suzano estão realizando investimentos verticais e horizontais de agregação de valor à economia regional.
Está em curso, portanto, a reorientação da política de desenvolvimento regional, na busca por maior complexidade e maior ênfase em inovação e tecnologia, a partir do modelo de cadeias produtivas. Esse é o horizonte já à vista.
A chegada da fábrica de automóveis da GWM vai nesta linha de adensamento das cadeias produtivas: o Espírito Santo ser receptor de investimentos de porte global e fazer parte da cadeia produtiva global.
A aceleração da fase operacional do Porto da Imetame em Aracruz e a aceleração das obras do Porto Central em Presidente Kennedy também vão nesta linha: logística para o modelo de adensamento de cadeias produtivas. Ambos são alavancas para o ParkLog Norte e o ParkLog Sul. Projetos de adensamento de cadeias produtivas.
A iniciativa privada, a Findes, a Fecomércio, a Agência Nova-ES, o Bandes, o Banestes, o BNDES e o BNB atuam nessa direção. A política econômica regional em curso tem conexões internacionais, nacionais e regionais.
A propósito, Sávio Caçador, que acompanha a política de desenvolvimento regional, tem elaborado sugestões relevantes para o aprimoramento da política e da busca pela competitividade sistêmica – com o alicerce da melhoria da produtividade alavancada pelo adensamento das cadeias produtivas. Como sabemos, a baixa produtividade é o Calcanhar de Aquiles da indústria brasileira.
Outro dia, Caçador enumerou em sua coluna aqui na Gazeta o que ele designa como “três pilares fundamentais”:
(1) Atração de investimentos estratégicos (como a GWM), já “capitaneada pela NOVA-ES”;
(2) Adensamento de cadeias produtivas “executado por Fapes, Banestes e Bandes, apoiando empresas locais em projetos de produtividade, inovação e sustentabilidade” – para modernizar setores já existentes e “criar novos elos produtivos”; e
(3) Integração com políticas federais, como a chamada “Nova Indústria Brasil”, liderada pelo BNDES e já em curso. E como a relação com o BNB (Banco do Nordeste) e com a Sudene, também já em curso.
A partir da junção e configuração didática desses três pilares, Sávio Caçador enfatiza a importância de dar prioridade a investimentos de maior complexidade econômica, como a GWM no setor de automóveis.
Para ele, o Espírito Santo tem vantagens competitivas já consolidadas – “como a infraestrutura portuária e a base mineral/metalomecânica” – para gerar valor agregado e articular cadeias produtivas.
Assim, as prioridades listadas por Caçador seriam as seguintes: setor automobilístico; indústria de transformação avançada (metalomecânico e rochas ornamentais); serviços intensivos em conhecimento (tecnologia da informação, design e engenharia); logística de comércio exterior; agroindústria sofisticada; turismo; e atividades de baixo carbono (energia renovável, biocombustíveis e soluções ambientais).
Sem dúvida, é uma agregação consistente e didática da política de desenvolvimento regional em curso, com sugestões valiosas para a melhoria da sistematização da política – ainda mais neste momento importante de eleições e escolhas dos dirigentes estaduais no próximo quadriênio de 2027/2031.
No Espírito Santo, a política econômica regional tornou-se política de Estado, construída com o consenso e a legitimidade da confluência de um pacto democrático entre os Três Poderes e a sociedade civil.