Puxada principalmente pela produção de petróleo e pela mineração, a economia do Espírito Santo registrou crescimento no primeiro semestre do ano e superou a média nacional. Entre janeiro e junho deste ano, a atividade econômica no Estado avançou 4,4% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado é mais que o dobro da alta brasileira, que ficou em 1,9%.
Os dados foram apresentados à imprensa nesta quarta-feira (16) pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), durante balanço do Indicador de Atividade Econômica (IAE-Findes). A projeção é que o Estado encerre 2026 com alta acumulada de 3,7%, também acima da estimativa nacional de 1,9%.
O principal responsável pelo resultado positivo foi o setor das indústrias, com uma expansão de 12,4% no semestre.
O principal destaque veio da indústria extrativa, que saltou 36,3%, impulsionada pela maior extração de petróleo e gás natural (ajudada por operação de novas plataformas) e pela retomada na produção de pelotas de minério de ferro pela Vale e pela Samarco.
Por outro lado, a indústria de transformação, ou seja, o setor que transforma matérias-primas e insumos em produtos novos, encolheu 2%, muito em consequência da queda na produção de alimentos (-9,3%) e da retração do setor de papel e celulose (-6,5%), que enfrentou um cenário mais desafiador.
Salto em óleo, gás e minério
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média de petróleo no Espírito Santo chegou a 244,8 mil barris por dia. Esse número representa um salto de 46,4% em relação ao mesmo período de 2025. O gás natural foi ainda mais longe: elevação de 69% na produção diária.
O resultado foi impulsionado pelo aumento da capacidade do navio-plataforma Maria Quitéria, no campo de Jubarte, e pelo início das operações no campo de Wahoo, da Prio.
Na mineração, a produção de pelotas subiu 18,7% no período. De acordo com os relatórios das empresas, a Vale produziu 10,8 milhões de toneladas de pelotas no Estado (aumento de 28%), enquanto a Samarco atingiu 7,7 milhões de toneladas entre pelotas e finos (elevação de 8%).
Mesmo com os juros altos (Selic em 14% ao ano, até a tarde desta quarta-feira, 16), que deixam o crédito mais caro e pesam no bolso de quem quer comprar um imóvel ou construir, a construção civil conseguiu crescer 2,7% no primeiro semestre. O impacto se reflete no mercado de trabalho, já que o número de pessoas trabalhando no setor subiu 10,1% no período.
Apesar do otimismo com os dados do semestre, o presidente da Findes, Paulo Baraona, acredita que o Estado não pode depender apenas do volume de produção.
Crescer não basta. É indispensável criar condições para que esse crescimento gere mais valor agregado, mais produtividade, mais empregos qualificados e mais oportunidades para as empresas capixabas. Nosso desafio, hoje, é transformar bons resultados em desenvolvimento sustentável e de longo prazo
Paulo Baraona, presidente da Findes
Em sentido oposto ao setor extrativo, a indústria de transformação recuou 2,0% no semestre. A queda foi puxada pela fabricação de alimentos (-9,3%), influenciada pela menor produção de carnes bovinas, água de coco e açúcar e pelo segmento de papel e celulose (-6,5%), que enfrentou desaceleração na demanda chinesa e instabilidade no mercado internacional.
Apesar da retração geral do segmento, algumas atividades fecharam o semestre no positivo, como a fabricação de derivados do petróleo (+7,4%), a metalurgia (+0,7%) e os minerais não metálicos (+0,6%).
O crescimento nos serviços foi sustentado principalmente pelos transportes (2,9%) e pelas vendas no comércio (2,0%), que aqueceram o mercado com a procura por remédios, cosméticos, móveis e materiais para reforma.
Na agropecuária, o cenário foi diferente. A queda de 7,5% se deu pela produção de leite e no abate de bovinos, enquanto a boa safra de café, principal produto agrícola do Estado, conseguiu equilibrar as contas e manter a agricultura e a estabilidade.
As estimativas do IAE-Findes indicam que o Espírito Santo deve fechar 2026 com um crescimento de 3,7% na economia. Se a projeção se confirmar, o Estado voltará a superar a média nacional, estimada em 1,9% pelo Boletim Focus do Banco Central.
A explicação para essa diferença entre o ritmo do Estado e o do país está na própria estrutura da economia capixaba. Por ter uma presença marcante de grandes indústrias, o Espírito Santo ganha uma tração extra nos momentos em que esses mercados globais estão aquecidos.
Esse desempenho [do primeiro semestre], somado à expansão de atividades como energia, saneamento e construção, ajuda a explicar por que a economia capixaba ainda deve crescer acima da média nacional em 2026
Marília Silva, gerente executiva do Observatório Findes