A Suzano, gigante mundial na produção de celulose e papel, e o grupo capixaba Imetame, que está concluindo a construção de um porto de Aracruz, Norte do Espírito Santo, anunciaram o fechamento de um acordo que coloca a multinacional como dona de 10% do complexo portuário. A Suzano não vai colocar dinheiro na operação, mas terras. O conglomerado é dono dos ativos que eram da antiga Aracruz Celulose, que começou a comprar áreas na região, para plantar eucalipto, ainda nos anos 60. Porto, para ser forte, precisa - além de profundidade capaz de receber grandes embarcações - de retroárea, que é o espaço ao lado do cais dedicado para armazenagem, movimentação de cargas, burocracia aduaneira e demais operações. Isto a Suzano tem de sobra.
Grande parte do entorno do hub portuário de Aracruz pertence à multinacional. A Imetame também tem bons terrenos por ali, mas nada que se compare às propriedades da antiga Aracruz Celulose. A sinergia entre o investimento portuário e os ativos fundiários da Suzano é enorme e, na visão do conglomerado, estratégica. "A Suzano acredita que a operação está alinhada à sua estratégia de criação de valor de longo prazo, combinando seu expertise de negócio em logística portuária com o potencial de monetização de seus ativos fundiários. Em parceria com grupos reconhecidos por sua capacidade de desenvolvimento e operação de empreendimentos de infraestrutura, a companhia entende que o empreendimento possui atributos para se consolidar como uma importante plataforma logística para o comércio exterior brasileiro", argumentou a companhia em comunicado ao mercado feito na noite de segunda-feira (31).
A conta da Suzano é a seguinte: está trocando áreas (muitas delas compradas nos anos 60 e 70) por ações de um complexo portuário que pode tornar-se um dos mais importantes do Brasil. O retorno financeiro (e estratégico), tudo dando certo, será bastante interessante.
O Imetame Logística Porto será inaugurado em 2027. O complexo - que terá terminais de contêineres, carga geral, granel sólido e granel líquido, iniciará suas operações com profundidade de 17 metros -, portanto, terá capacidade para receber os grandes navios do mundo que o maior porto brasileiro, Santos, não consegue recepcionar. O grande gargalo do projeto estava na retroárea, que, em princípio, ficava em 1 milhão de metros quadrados. Para efeito de comparação, o Porto Central, em desenvolvimento em Presidente Kennedy, conta com 20 milhões de metros quadrados. Com a entrada da Suzano na jogada, esse gargalo acaba. Assim, o Imetame Logística Porto está com as portas abertas para ser um hub continental.
No final de 2025, a Imetame fechou um acordo com a Hapag-Lloyd, um dos maiores armadores do mundo, para tocar o terminal de contêineres. Eles são donos de 50% do HGT (Hanseatic Global Terminals) Aracruz, responsável pela operação de contêineres no Imetame Logística Porto. A entrada de Hapag-Lloyd e Suzano dão peso à sociedade e, claro, isso abre portas.
Outro detalhe relevante: é importante lembrarmos que a Suzano, entre as suas áreas, possui a conhecida Casa de Hóspedes, em Barra do Riacho. De frente para o mar, é usada, hoje, para eventos da empresa. Ela fica justamente entre os portos da região e, no futuro, quem sabe, pode ser uma alternativa de expansão do cais.
Em princípio, nada muda para Portocel. Inaugurado nos ano 70 para escoar a produção de celulose da Aracruz Celulose e da Cenibra, o terminal, nos últimos anos, passou a movimentar outras cargas e tem o objetivo de se expandir.
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