A confirmação do investimento bilionário da ArcelorMittal na planta de Tubarão já pode ser incluída na história econômica do Espírito Santo. Não apenas pelo volume do investimento, entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, mas pelo o que vai agregar à indústria do Estado. A economia capixaba sempre foi muito dependente das commodities, desde o café, no século XIX. A era das grandes indústrias, dos anos 50 aos 80, quando Vale, Aracruz Celulose (hoje Suzano), CST (hoje ArcelorMittal) e Samarco se instalaram por aqui, foi fundamental, mas também ficamos nas commodities. Quando a Petrobras entrou com mais força, já nos anos 2000, a mesma coisa. Faltava a agregação de valor.
A instalação de um Laminador de Tiras a Frio (LTF) e de uma Linha de Revestimento Contínuo no complexo de Tubarão - as obras começam em 2026 e a inauguração está prevista para 2030 - trará para o Espírito Santo o que há de mais valioso e inovador dentro da indústria siderúrgica. Em 1983, quando a CST começou a rodar, só fabricava placas de aço. O primeiro passo rumo à verticalização se deu com a inauguração do Laminador de Tiras a Quente (LTQ), em 2002, que produz a matéria-prima do Laminador de Tiras a Frio que começará a ser construído nas próximas semanas. Hoje, a produção do LTQ capixaba vai para Santa Catarina, onde a ArcelorMittal possui uma fábrica. Depois de sair da Linha de Revestimento Contínuo, produto final de uma siderúrgica, as bobinas vão direto para as indústrias de veículos, eletrodomésticos, máquinas, energia e por aí vai.
O valor agregado é fundamental para que tenhamos uma economia saudável, afinal, injeta valor e coloca mais renda para rodar dentro do Espírito Santo. Sem contar o fato de atrair, em nome da eficiência, empresas que dependem de aço acabado para fabricarem os seus produtos. A GWM, maior fabricante privada de carros da China, fará uma fábrica de 200 mil automóveis por ano em Aracruz (querem inaugurar em 2028) está nesse pacote. É o famoso círculo virtuoso.
"Ao gerar oportunidades, atrair novos negócios e criar um efeito multiplicador positivo em toda a cadeia de valor, este projeto contribuirá para o crescimento econômico do Estado e reflete nossa confiança no futuro do Brasil. Por meio deste investimento, fortaleceremos nossa presença em mercados de alto valor agregado, como os setores automotivo, da linha branca e da construção civil", explicou Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e da ArcelorMittal Aços Planos na América Latina.
A estratégia da ArcelorMittal Brasil passa pela diversificação de portfólio, com foco na verticalização e no potencial de crescimento do mercado brasileiro. O consumo per capita de aço no Brasil ainda é baixo, na casa de 122,5 quilos por ano, 41% abaixo da média global: 209 quilos/ano.
O movimento feito pela ArcelorMittal, que já disse não pretender mais ampliar a produção de placas em Tubarão, não é isolado e vem, aos poucos, se consolidando na indústria capixaba. A Suzano, que, por mais de 40 anos, focou na produção de celulose no Estado, colocou para funcionar, de 2020 para cá, uma conversora (em Cachoeiro de Itapemirim) e uma fábrica de papel (em Aracruz). No café, já são três grandes fábricas de solúvel (fora as várias torrefadoras de menor porte), sendo duas, em Linhares, abertas nos últimos anos. Isso sem contar a chegada de fábricas relevantes como a da WEG Motores, da Marcopolo e da própria GWM.
Veja Também
Aceleração do projeto da GWM impõe desafio extra de oferta de mão de obra ao ES
Apesar da pressão em cima do crédito, agência de risco mantém nota do Sicoob ES
Crise na Apex: BTG quer mudar gestor de fundo que tem ações do Shopping Vitória
Le Mans, time francês que tem capixabas como proprietários, estreia na 1ª divisão
Fucape pede para sair de ação judicial que blinda patrimônio da Apex