O presidente da Federação do Comércio (Fecomércio) do Espírito Santo, Idalberto Moro, está bastante preocupado com o lado varejista do setor. O Comércio, no Estado, vem em franca expansão, mas o que está puxando são os grandes atacadistas e distribuidores - empurrados pelo comércio eletrônico e responsáveis pela ocupação dos enormes centros logísticos que não param de sair do papel na Grande Vitória. Por outro lado, boa parte das lojas de rua, principalmente as de menor porte, estão em sofrimento. As elevadíssimas taxas de juros e a concorrência com o e-commerce são os principais fatores da crise que assombra o setor.
"Não temos notícia de empresas capixabas de renome no varejo em situação problemática como a que estamos vendo na Casas Bahia, mas isso não significa dizer que não temos problemas. Pelo contrário. O varejo sofre demais com o juro alto e com o ataque feroz do e-commerce. Estamos muito preocupados com a situação. Ao mesmo tempo que os custos estão mais elevados, você está perdendo clientes para os novos entrantes. Situação delicada, que merece a atenção de todos, afinal, são milhares de empresários e trabalhadores nessa situação", assinalou Idalberto Moro.
Pelas contas dos economistas da Fecomércio, 136 mil empresas de comércio do Espírito Santo estão inadimplentes em R$ 1,3 bilhão, perto das máximas históricas. "Só contabilizamos inadimplência superior a 60 dias. Claro que a maior parte desse volume é de microempreendedor, cerca de 90%, mas, se formos olhar, são mais de 10 mil empresas de pequeno e médio porte em dificuldades sérias no Estado", acrescentou o dirigente.
Os juros altos, importante lembrar, complicam a vida tanto do cliente, que precisa de crédito para comprar uma geladeira, por exemplo, e complicam também a situação do empresário, que passa a ter um custo financeiro maior para manter o seu estoque. "Reduzir juro de maneira sustentada é questão fundamental para a economia brasileira. Que precisa ser resolvida sem os populismos que vimos em passado recente, que não resolvem. Mas o governo também precisa também observar esse projeto do fim da escala seis por um, que onera muito o comerciante, e olhar para o fim da chamada taxa das blusinhas, que liberou a entrada de importados no Brasil em uma concorrência desleal. É um conjunto de coisas bem ruins que colocam a estabilidade em xeque. Precisamos fugir do populismo e enfrentar um problema que é grave", finalizou Idalberto Moro.
Veja Também
ArcelorMittal confirma investimento bilionário no Espírito Santo
Aceleração do projeto da GWM impõe desafio extra de oferta de mão de obra ao ES
Apesar da pressão em cima do crédito, agência de risco mantém nota do Sicoob ES
Crise na Apex: BTG quer mudar gestor de fundo que tem ações do Shopping Vitória
Le Mans, time francês que tem capixabas como proprietários, estreia na 1ª divisão