Há ausências que pesam mais do que presenças. No mapa da inovação brasileira, uma delas salta aos olhos: o Espírito Santo é um dos poucos estados que não possuem unidades da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial). De 27 estados, 19 já contam com centros credenciados. O nosso, não. E isso faz diferença.
A Embrapii é uma instituição que conecta universidades e centros de pesquisa às demandas da indústria. Funciona como um elo: financia projetos de inovação tecnológica em parceria com empresas, dividindo riscos e custos. É um modelo que acelera a transformação de conhecimento em competitividade.
Em São Paulo, Minas, Paraná e tantos outros estados, a Embrapii já ajudou a desenvolver soluções que vão de novos materiais a tecnologias digitais, passando por biotecnologia e energia.
No Espírito Santo, essa ausência significa que nossas empresas e universidades têm menos acesso a esse tipo de apoio estruturado. E justamente num momento em que o Estado busca aumentar a complexidade econômica de sua estrutura produtiva – como está previsto no Plano ES 500 Anos – não ter unidades Embrapii é como correr uma maratona sem tênis adequados.
O Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Espírito Santo (PCTI-ES), recém-lançado, fala em interiorização, internacionalização e fortalecimento de ambientes de inovação. Tudo isso é fundamental. Mas sem instrumentos que conectem de forma direta a pesquisa aplicada ao setor produtivo industrial, o risco é que parte do esforço se perca. A Embrapii poderia ser esse instrumento.
Vale lembrar: a indústria capixaba tem vocação para se sofisticar. Temos cadeias ligadas ao petróleo e gás, à mineração, à celulose, mas também um ecossistema crescente de startups e iniciativas em bioeconomia e transição energética. O que falta é uma engrenagem que ajude a transformar pesquisa em produto, laboratório em fábrica, tese em mercado.
Não se trata de desmerecer o que já foi feito. O Espírito Santo avançou muito em ciência e inovação nos últimos anos. Mas é hora de pensar grande. Buscar unidades Embrapii no território capixaba seria um passo decisivo para consolidar essa agenda. Seria dar às nossas universidades e empresas a chance de competir em pé de igualdade com estados que já contam com esse apoio.
Em tempos de mudanças rápidas e desafios globais, não há espaço para timidez. O Espírito Santo precisa de instituições fortes, ousadas e conectadas. A ausência da Embrapii é um vazio que precisa ser preenchido. Se quisermos mesmo aumentar a complexidade da nossa economia e transformar conhecimento em desenvolvimento, não podemos deixar essa oportunidade escapar.
O futuro do desenvolvimento econômico capixaba depende de pontes sólidas entre ciência e indústria. A Embrapii é uma dessas pontes. E o Espírito Santo não pode continuar sem atravessá-la.