Há instituições que nascem discretas, mas carregam dentro de si uma potência transformadora. O Centro de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (CPID), inaugurado em 2018 e vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), é um desses casos. Em pouco tempo, o CPID se consolidou como um espaço de conexão entre universidades, empresas e governo, ajudando a transformar ideias em soluções concretas para a sociedade e para a indústria capixaba.
O Espírito Santo acertou ao criar o CPID. Ele é, de fato, uma ponte: aproxima a pesquisa acadêmica das demandas do setor produtivo, estimula projetos aplicados e fortalece o ecossistema de inovação.
Em um Estado que busca aumentar a complexidade econômica de sua estrutura produtiva – como está previsto no Plano ES 500 Anos – o CPID cumpre papel estratégico. Afinal, não basta formar bons pesquisadores; é preciso criar ambientes onde o conhecimento se transforme em novos produtos, processos e serviços.
Mas aqui cabe uma provocação saudável: por que não pensar o CPID como um “IPT capixaba”? O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo é um exemplo claro de como uma instituição pode se tornar referência nacional e internacional.
O IPT presta serviços tecnológicos de ponta, apoia a indústria paulista em desafios complexos e se consolidou como um verdadeiro motor de inovação. É graças a instituições como o IPT que São Paulo conseguiu sofisticar sua estrutura produtiva e se manter na vanguarda da indústria brasileira.
O Espírito Santo precisa de algo semelhante. O CPID tem potencial para ser esse motor, mas precisa de mais condições: mais recursos financeiros, mais autonomia para atuar de forma agressiva e maior capacidade institucional de articulação com programas nacionais e internacionais.
Se o Estado quiser mesmo dar o salto de complexidade previsto no ES 500 Anos, precisa apostar em instituições que façam a ponte entre ciência e mercado.
Não se trata de copiar São Paulo, mas de aprender com quem já percorreu esse caminho. O CPID pode ser o espaço onde a pesquisa aplicada se encontra com a indústria capixaba, ajudando a diversificar cadeias produtivas, gerar empregos de qualidade e posicionar o Espírito Santo em áreas estratégicas como inteligência artificial, bioeconomia e transição energética.
O trabalho feito até aqui merece reconhecimento. O CPID já mostrou que tem vocação para ser protagonista. Mas o futuro exige ousadia. Transformá-lo em um “IPT capixaba” seria um passo importante para consolidar o Espírito Santo como referência nacional em ciência, tecnologia e inovação.
Em tempos de mudanças rápidas e desafios globais, não há espaço para timidez. O Espírito Santo precisa de instituições fortes, ousadas e conectadas. O CPID pode ser exatamente isso – desde que receba as condições necessárias para cumprir o papel que lhe cabe.