Populismo é uma palavra que costuma aparecer em tempos de polarização. Na política, significa a tentativa de um líder se apresentar como a voz direta do povo contra as elites, dispensando mediações institucionais.
Na economia, traduz-se em políticas que oferecem ganhos imediatos – crédito fácil, subsídios, expansão fiscal – mas que frequentemente cobram um preço alto no futuro. A literatura econômica chama isso de “ciclo populista”: crescimento inicial, inflação, crise fiscal e recessão. Estudos mostram que países governados por populistas tendem a ter PIB per capita 10% menor após 15 anos.
E o Brasil de 2023 a 2026? Os números contam uma história ambígua. O PIB cresceu, média, 2,1% em 2023/2025 e deve avançar 2,0% em 2026. O desemprego caiu para 5,6% em maio de 2026, com renda real do trabalho subindo 4,0%. A inflação, porém, voltou a rondar os 5%, acima da meta.
No campo fiscal, o retrato é menos animador: déficit primário de R$ 51,7 bilhões em 2026 (0,4% do PIB) e dívida bruta projetada para saltar de 80,1% do PIB em 2026 para 102% em 2032 e 115% em 2036. Para estabilizar a dívida, seria necessário superávit de 2,1% do PIB ao ano – algo distante da realidade.
Do lado das políticas públicas, o governo ampliou o Bolsa Família, relançou o Minha Casa Minha Vida, aumentou a faixa de isenção do Imposto de Renda e lançou programas de renegociação de dívidas. Estímulos que somam cerca de R$ 150 bilhões em 2026, o equivalente a 1% do PIB. São medidas que aliviam o bolso das famílias e reforçam a popularidade do governo, mas também pressionam as contas públicas.
Diante disso, seria justo carimbar essa gestão como populista? A resposta exige nuance. Há traços típicos de populismo econômico – expansão de gastos e crédito para sustentar consumo – mas o cenário não é de colapso. Ao contrário, a economia cresce moderadamente, o mercado de trabalho segue aquecido e as instituições funcionam. O populismo clássico, aquele que ignora limites fiscais e termina em hiperinflação ou moratória, não se aplica integralmente aqui.
O risco, contudo, é real: déficits recorrentes e dívida em trajetória ascendente são terreno fértil para crises futuras. O populismo, afinal, é menos um rótulo e mais uma tentação permanente: oferecer soluções fáceis em troca de aplausos imediatos.
Como reduzir essa tentação? O caminho passa por fortalecer instituições. Regras fiscais claras e respeitadas, autonomia do Banco Central, transparência nas contas públicas e educação econômica da sociedade. Só assim o país pode escapar do ciclo de promessas fáceis e construir uma trajetória sustentável.
No fim, o populismo é como um doce em excesso: agrada no momento, mas cobra caro depois. O Brasil já provou desse sabor muitas vezes. A questão é se aprenderá, enfim, a buscar uma dieta mais equilibrada.