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Sávio Bertochi Caçador

ES: elevada dependência externa pode ser transformada em oportunidade

Ao atrair investimentos voltados para indústrias de base e fornecedores locais, o Estado pode adensar suas cadeias produtivas

Publicado em 06 de Junho de 2026 às 04:30

Públicado em 

06 jun 2026 às 04:30
Sávio Bertochi Caçador

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Sávio Bertochi Caçador

O Brasil é um país de contrastes, e não apenas culturais ou sociais. Também na economia, cada estado se conecta de forma diferente ao restante do país. Foi isso que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostrou no Estudo Especial nº 73, publicado em maio: um retrato das dependências produtivas estaduais, revelando quem precisa de quem para produzir.


A metodologia parte das Tabelas de Recursos e Usos (TRU) e das Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aplicando técnicas de regionalização. O resultado é um retrato detalhado das 27 unidades federativas em 12 setores econômicos, com foco no ano de 2023. 


A análise distingue o consumo intermediário interno daquele proveniente de outros estados, revelando o quanto cada economia estadual se sustenta em insumos locais ou depende de cadeias externas de outros estados. 

Cadeia produtiva Imagem gerada pelo Gemini

Os números impressionam pela disparidade. Enquanto São Paulo apresenta a menor dependência – apenas 17,5% de seus insumos nacionais vêm de fora – o Acre possui a maior dependência e chega a 78,3%. 


O Espírito Santo, por sua vez, aparece com 53,8% de seus insumos nacionais oriundos de outros estados, um patamar elevado e próximo ao do Rio de Janeiro (52,1%). Isso significa que mais da metade da base produtiva capixaba depende de fornecedores externos, sobretudo dos vizinhos Minas Gerais e São Paulo, que concentram indústrias de base e cadeias de insumos. 


A explicação está na estrutura econômica local: portos estratégicos e indústria extrativa de peso, mas pouca oferta de indústrias de base capazes de fornecer insumos internamente.


O que fazer diante desse diagnóstico? O estudo do BNDES sugere que políticas de desenvolvimento regional devem considerar não apenas o estímulo direto à produção, mas também os efeitos de encadeamento. 


No caso do Espírito Santo, a elevada dependência externa pode ser transformada em oportunidade: ao atrair investimentos voltados para indústrias de base e fornecedores locais, o Estado pode adensar suas cadeias produtivas, reduzir vulnerabilidades e ampliar os efeitos multiplicadores internos. 

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Incentivos fiscais e financeiros locais (válidos até 2032) e programas de inovação voltados para setores estratégicos – como, por exemplo, metalurgia, química, máquinas e equipamentos, e bens intermediários – poderiam criar um ecossistema mais autônomo, capaz de sustentar a expansão de setores já consolidados, como o portuário e o extrativo. 


Em outras palavras, o Espírito Santo precisa olhar para dentro. Se hoje mais da metade de seus insumos vêm de fora, há espaço para políticas que fortaleçam a produção local e criem novas conexões regionais. 


O estudo do BNDES não é apenas um diagnóstico; é um convite para que o Estado desenhe estratégias de desenvolvimento que transformem dependência em dinamismo, e que façam do Espírito Santo não apenas um elo de passagem, mas um polo de geração de insumos e inovação.

Sávio Bertochi Caçador

É economista, doutor em Economia pela Ufes, professor e consultor

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