O cruzamento de dados da última pesquisa da Quaest para a Rede Gazeta fornece um manancial de dados relevantes. Estratificando as
respostas dos entrevistados pelos critérios de idade, escolaridade, renda,
etnia, religião e identificação política, podemos chegar ao “eleitor padrão” de
cada um dos três principais candidatos ao Governo do Espírito Santo: Ricardo
Ferraço (MDB), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Helder Salomão (PT).
É como “montar o personagem” que vota em cada um, juntando
cada peça do quebra-cabeça. Para isso, levamos em conta, em cada critério, qual
é o estrato no qual o candidato obtém seus melhores resultados na intenção
estimulada de voto. O resultado é o seguinte:
O eleitor mediano de Ricardo é um homem idoso, com ensino
fundamental completo, branco ou pardo, seguidor do catolicismo. Politicamente independente,
de esquerda não lulista ou lulista.
O eleito padrão de Pazolini é um homem branco de meia idade,
com ensino médio ou superior completo, renda acima de dois salários mínimos, evangélico
e bolsonarista.
O típico eleitor de Helder é um homem ou mulher idosa e
preta, com ensino superior completo, renda de até dois salários mínimos,
católica e lulista.
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No cômputo geral, considerando os 804 entrevistados pela
Quaest de 23 a 26 de agosto, Ricardo lidera o cenário estimulado, com 35% das
intenções de voto, seguido por Pazolini (28%) e Helder (10%).
Resultados por faixa
etária
Na segmentação por faixa etária, um primeiro dado que chama
fortemente a atenção é o absoluto predomínio de Ricardo entre os eleitores com
60 anos ou mais. Nessa faixa etária, o atual governador reina, com 56% das
intenções de voto, contra só 19% de Pazolini e 14% de Helder.
Entre os mais jovens (de 16 a 34 anos) e os de meia idade
(de 35 a 59 anos), Ricardo e Pazolini estão tecnicamente empatados.
A conclusão é importantíssima: hoje, quem está dando a
vitória a Ricardo é o eleitorado mais velho.
Pazolini, por sua vez, tem seu melhor desempenho entre os
eleitores de meia idade: 34%. Nesse estrato, embora haja empate técnico, o
ex-prefeito está à frente do ex-governador, preferido por 31%.
Já Helder, assim como Ricardo, atinge sua melhor
marca entre os 60+, com 14%.
Sexo
Na categoria “sexo” (termo usado pela Quaest), não há grande
diferença nos resultados de Ricardo e Helder.
No caso de Pazolini, ele se sai ligeiramente melhor entre os
homens, com 31% das menções. Entre mulheres, sua preferência fica em 25%.
Vale frisar que a vantagem de Ricardo sobre Pazolini é maior
entre as eleitoras: 33% para ele contra os 25% do ex-prefeito, ou seja, 8
pontos de diferença.
Já entre os homens, a diferença é de 5 pontos: 36% para
Ricardo, contra 31% de Pazolini.
Escolaridade
No recorte por grau de instrução formal, Ricardo atinge sua
melhor marca entre os menos escolarizados: hoje, ele tem 40% entre os que só
completaram o fundamental. Nesse estrato, o governador derrota Pazolini com margem
confortável, de 16 pontos, já que o ex-prefeito só alcança 24%.
Já entre os que têm ensino médio e os que têm diploma
universitário, a disputa é acirradíssima, com os dois candidatos tecnicamente
empatados no primeiro caso (32% para Ricardo e 30% para Pazolini) e numericamente empatados
no segundo (ambos com 32%).
Pazolini atinge seus melhores resultados nesses dois
segmentos.
No caso de Helder, os resultados são muito lineares. Mas sua
melhor marca se observa entre os eleitores com ensino superior: 13%.
Renda
Na estratificação por renda, não há muita variação para
Ricardo: nas três faixas de poder aquisitivo, seus resultados oscilam de 33% a
38%. O melhor índice é obtido entre os que ganham mais de cinco salários
mínimos.
No caso de Helder, também há pouca diferença: ele vai de 8%
a 13% (melhor índice entre quem ganha até dois salários mínimo).
No caso de Pazolini, sim, observa-se uma clara diferença: ele
nitidamente se sai melhor entre quem tem renda mais elevada, ou seja, quanto maior a renda do entrevistado, melhor performa o ex-prefeito.
No grupo até dois salários mínimos, Pazolini só obtém 18%.
Mas, na faixa de dois a cinco salários, ele salta para 31%, chegando a 33% na
faixa acima de cinco salários.
Cor/raça
No recorte étnico, Ricardo é mais votado por brancos (35%) e
pardos (38%) do que por pretos (23%).
Com Helder, observa-se o contrário: ele é mais votado por
pretos (18%) do que por brancos (9%) e pardos (9%).
Já no caso de Pazolini, a coisa é bem equânime: nas três
categorias, seu índice varia de 26% a 31%.
Religião
Aqui há uma nítida inversão entre Ricardo, o preferido dos
católicos, e Pazolini, o dos evangélicos.
Entre quem professa o catolicismo, o atual governador tem
42% da preferência, contra 24% de Pazolini. São 18 pontos de vantagem.
Por outro lado, entre os que seguem religiões de matriz evangélica,
Pazolini leva vantagem, embora por margem menos larga: 37% para o
ex-prefeito contra 28% do atual governador – uma diferença de 9 pontos.
Helder tem seu melhor resultado entre católicos (9%). Entre
evangélicos, só chega a 5%.
SEGUNDO TURNO
A Quest também testou os três possíveis cenários de 2º
turno. Ricardo é quem sai na frente. Se a eleição fosse hoje, ele venceria
seus dois adversários.
Contra Pazolini, o governador tem vantagem de 10 pontos: 45%
a 35%.
Contra Helder, sua vantagem é de 38 pontos: 55% a 17%.
Num 2º turno entre Pazolini e Helder, o primeiro levaria a
melhor: o ex-prefeito derrotaria o deputado por 53% a 19%. São 34 pontos de
vantagem.
O instituto também segmentou os esses resultados de acordo com os mesmos critérios.
Vale a pena destacar algumas das constatações.
Sexo
No 2º turno entre Ricardo e Pazolini, o sexo dos
entrevistados faz pouca diferença. Entre mulheres, a vantagem do governador é
de 12 pontos (44% a 32%). Entre homens, é de 9 pontos (47% a 38%).
Faixa etária
A idade, sim, mais uma vez, desempenha grande influência. Confirmando
a predileção de Ricardo entre os idosos – e o quanto esse segmento se mostra
decisivo em sua vantagem no momento –, o governador atinge o pico de 62% entre os
eleitores acima de 60 anos, no confronto direto com Pazolini. São simplesmente
37 pontos de vantagem sobre o ex-prefeito, que só obtém 25%.
Entre os eleitores de meia idade, há um empate técnico;
entre os mais jovens, pequena vantagem para Ricardo.
Também aqui, quem está garantindo a vitória para Ricardo são os eleitores mais velhos.
Escolaridade
Novamente se prova a preferência e a vantagem de Ricardo
entre quem tem só o ensino fundamental. Nesse nicho, ele derrota Pazolini por
15 pontos: 47% a 32%.
Nos outros dois estratos (ensino médio e superior), o
governador também bate o ex-prefeito, mas por diferenças menores. A rigor,
entre os que têm o ensino médio, eles estão tecnicamente empatados.
Renda
Curiosamente, no confronto direto com Ricardo, Pazolini se
sai melhor entre quem tem renda média (de 2 a 5 salários mínimos). Aí os dois
empatam tecnicamente.
Mas Ricardo ganha com folga entre os que recebem mais de cinco salários mínimos (52% a 38%) e, principalmente, na faixa de menor renda, onde sua
vantagem chega a 17 pontos: 45% a 28%.
Cor/raça
Esse quesito influi muito pouco no resultado. Entre brancos,
pardos e pretos, a vantagem de Ricardo sobre Pazolini fica estável, entre 9 e
12 pontos percentuais.
Religião
A religião, sim, é um fator que exerce grande influência. Entre
todos os segmentos, de todas as categorias, o eleitorado evangélico é o único
em que Pazolini vence Ricardo no 2º turno, fora da margem de erro. Entre
evangélicos, o ex-prefeito chega a 43%, oito pontos à frente de Ricardo, que
tem 35%.
Em compensação, entre os católicos, Ricardo “sobra”, com
vantagem de 25 pontos: 53% a 28%.
AVALIAÇÃO DO GOVERNO
DE RICARDO
Por fim, a avaliação do governo de Ricardo Ferraço, inaugurado
em abril, reforça o quanto ele se sai melhor entre idosos.
No resultado geral, 56% dos entrevistados disseram aprovar o
governo do sucessor de Casagrande, enquanto só 13% o desaprovam. Por outro
lado, a pesquisa também revela um grande desconhecimento quanto ao governo de
Ricardo, já que 31% não souberam responder.
Os melhores índices de aprovação do governador, superando sua
média, são obtidos por ele junto aos eleitores 60+ (64%), católicos (63%), com
ensino fundamental (60%) e com renda superior a 5 salários mínimos (58%).
Isso corrobora aquele perfil do “eleitor padrão” do emedebista,
traçado no início deste texto.
E a identificação
política???
O leitor ou leitora há de ter notado: aqui, nesta análise, não
incluímos o detalhamento da categoria “identificação política”.
É que os resultados nesse quesito são tão surpreendentes,
mas tão surpreendentes, que merecem uma análise à parte.
Será o tema de nossa próxima publicação.
Eleições 2026
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada pela TV Gazeta, foi realizada entre os dias 23 e 26 de agosto, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem, utilizando questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções da população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-04444/2026.
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