Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

Quem são os advogados cascudos por trás das campanhas de Ricardo e Pazolini

Nessa nervosa luta que é toda travada nos bastidores e ajuda a definir o pleito sem que as pessoas nem imaginem, os dois candidatos contrataram simplesmente ex-juízes do TRE-ES, dois pesos-pesados da advocacia capixaba, agora se enfrentando nos autos

Publicado em 27 de Agosto de 2026 às 05:05

Públicado em 

27 ago 2026 às 05:05
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Flávio Cheim Jorge e Renan Sales Vanderlei
Flávio Cheim Jorge e Renan Sales Vanderlei Fotomontagem (divulgação e reprodução do Instagram)

Longe das vistas do público, uma nervosa guerra jurídica, tendo o TRE-ES como campo de batalha, já vem sendo ferozmente travada entre os escritórios de advocacia das duas maiores coligações para governador do Espírito Santo. Por meio dos respectivos advogados, as duas campanhas estão se marcando com lupa e já inauguraram o fogo cruzado de ações junto ao TRE-ES. Cada lado já conseguiu derrubar uma série de publicações do adversário. E é só o começo: o horário eleitoral só começará nesta sexta (28).


Tanto Lorenzo Pazolini quanto Ricardo Ferraço vieram fortemente armados para essa guerra à parte que ajuda a definir o pleito. Ambos estão sendo representados por nada menos que ex-juízes do próprio TRE-ES: Pazolini tem a seu favor Flávio Cheim Jorge, enquanto a retaguarda jurídica de Ricardo é liderada por Renan Sales Vanderlei.


Os dois advogados foram julgadores por quatro anos no tribunal, na vaga reservada à OAB-ES. Cheim passou por lá de 2004 a 2008; Sales mais recentemente, de 2020 a 2024.

São donos de bancas fortes, com atuação idem, no meio advocatício capixaba.

> Quer receber as publicações da Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp? É só clicar aqui

Pazolini: o “médico de família” e o grande hospital particular

No caso de Pazolini, na verdade, são dois escritórios de advocacia, que unem esforços durante o período de campanha. Eles representam não só Pazolini e sua coligação majoritária (“Paz pra viver um novo tempo”), mas também todos os candidatos a deputado estadual e federal do Republicanos no Espírito Santo (cuidando do registro e da prestação de contas à Justiça Eleitoral). São contratados pelo candidato e pelo partido.


Um dos escritórios é o de Rafael Teixeira de Freitas, em sociedade com o criminalista Rivelino Amaral. Este só atua na área criminal. Teixeira de Freitas é quem toca toda a parte eleitoral.


O outro é justamente o de Flávio Cheim Jorge, fundado por ele e por Marcelo Abelha: Cheim Jorge & Abelha Advogados Associados (CJAR). Trata-se de uma das maiores e mais antigas bancas de advocacia em atividade no Espírito Santo, com atuação em múltiplas frentes e uma cartela de clientes que inclui, principalmente, empresas, sindicatos, associações civis e agentes públicos.

 

Diga-se de passagem, Abelha, o outro sócio fundador, também já foi juiz do TRE-ES pela classe dos juristas, no quadriênio seguinte ao de Cheim Jorge, de 2008 a 2012.


Com cerca de dez advogados (seis deles dedicados ao eleitoral), a banca de Teixeira de Feitas é menor, mas ele é o “advogado de confiança” de Pazolini e de Erick Musso, o presidente estadual do Republicanos. Mantém uma longa relação pessoal e profissional com ambos, principalmente com Erick. Sua proximidade com este remonta ao início da trajetória política do hoje dirigente do Republicanos.


Em 2012, Erick elegeu-se para seu primeiro mandato, como vereador de Aracruz. De cara, tornou-se presidente da Câmara. Os dois não se conheciam. Teixeira de Freitas, à época, era procurador municipal da vizinha Ibiraçu. A convite de Erick, tornou-se procurador da Câmara de Aracruz. Os dois “cresceram juntos”. Quando Erick presidiu a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Teixeira de Freitas foi o procurador-geral da Casa, entre 2017 e 2023.

   

Já a banca de Cheim Jorge, fundada por ele e pelo advogado Marcelo Abelha, pode ser considerada uma gigante para os padrões do mercado advocatício capixaba. Com cerca de 60 funcionários na folha de pagamento (dos quais cerca de 40 advogados), tem forte atuação em múltiplas áreas do direito, incluindo trabalhista e criminal, além do eleitoral.


Há alguns anos, quem atua mais diretamente no eleitoral são o próprio Cheim Jorge e um dos seus sócios mais jovens, o advogado Ludgero Liberato. Mestre em Direito Processual pela Ufes, Liberato se dedica exclusivamente às searas penal e eleitoral. Durante o período de campanha, concentra-se na eleitoral.


Nas questões jurídicas da campanha de Pazolini, a banca também é representada pelo próprio Cheim Jorge, que participa pessoalmente de algumas reuniões com o candidato. Mas quem se envolve mais diretamente nas questões é Liberato. Ele e Teixeira de Freitas são os dois advogados que mais frequentam o comitê de Pazolini e Erick Musso, para prestar assessoramento e aconselhamento jurídico, e cuidam mais diretamente da produção das peças jurídicas.  


As peças, aliás, são assinadas por seis advogados: Teixeira de Freitas, Cheim Jorge, Liberato, Camila Batista Moreira, Carolina Silva Costa e Salisia Menezes Peixoto. As três últimas fazem parte do escritório de Cheim Jorge. 

  

Nessa parceria, é como se Teixeira de Freitas fosse o “médico de família”, enquanto a banca de Cheim Jorge seria o “grande hospital particular”.


O escritório do primeiro fica na Enseada do Suá. O do segundo, no bairro Santa Lúcia.


Cheim Jorge foi conselheiro da OAB-ES e diretor da Escola Superior de Advocacia da entidade. Mestre e doutor pela PUC-SP, é professor titular do Departamento de Direito da Ufes, incluindo a graduação e o programa de pós-graduação, um dos poucos do país com uma linha de pesquisa específica em Direito Eleitoral.

Rafael Teixeira de Freitas e Ludgero Liberato
Rafael Teixeira de Freitas e Ludgero Liberato Fotomontagem (divulgação)

Renan Sales: um estreante com vasta experiência

Na trincheira de Ricardo Ferraço, seu time jurídico também é chefiado por um peso-pesado.


Estreando em campanhas eleitorais, Renan Sales tem vasta experiência inclusive no Direito Eleitoral, mas, digamos, do outro lado da bancada, como julgador. Por dois biênios seguidos, foi juiz do TRE-ES, representando a classe dos advogados, de 2020 a 2024. Também foi diretor da Escola Judiciária do TRE-ES.


Sócio fundador da Sales Oliveira Advogados (seu escritório), Sales foi conselheiro e corregedor-geral da OAB-ES na primeira gestão de José Carlos Rizk Filho (2019-2021), que presidiu a entidade de 2019 a 2024.


Assim como Cheim Jorge, ele tem vasto currículo acadêmico. É mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV e tem pós-graduações em Compliance/Administração Pública (FDV) e Ciências Jurídicas (Candido Mendes). Também é especialista em Direito Constitucional, área em que tem maior expertise e se sente muito confortável. Também possui experiência em direito penal e administrativo.


Por muitos anos, foi professor de Direito em diversas faculdades, lecionando principalmente a disciplina Processo Penal.


Localizado na Enseada do Suá, seu escritório é muito respeitado, mas não tão grande quanto o do concorrente. Além do direito eleitoral, a banca atua predominantemente em duas frentes: direito empresarial e tutela coletiva.


Em que pese a experiência como juiz do TRE-ES (incluindo os pleitos de 2022 e 2024), essa é a primeira campanha em que Sales atua diretamente como advogado eleitoral. Para isso, estabeleceu uma parceria com um colega, o advogado Lucas Bessoni Coutinho de Magalhães, de Minas Gerais.


Lucas não é funcionário do escritório de Renan, mas está reforçando sua equipe e atuando com ele nesse projeto, durante o período eleitoral. Os dois assinam as peças jurídicas em nome de Ricardo, do candidato a vice-governador Camillo Neves (PP) e da coligação “Agora é o Futuro”.


No processo eleitoral, o escritório de Sales está representando Ricardo, Camillo e a coligação majoritária de ambos. Não representa outros candidatos, nem mesmo do MDB. 

Leia mais colunas de Vitor Vogas

Quem são os advogados cascudos por trás das campanhas de Ricardo e Pazolini

Batalha das Bancas: a guerra jurídica deflagrada entre Ricardo e Pazolini

Gilvan da Federal tem derrota no TSE e volta a ficar inelegível

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Compra de imóvel
Experiência e renovação caminham juntas entre os corretores de imóveis do ES
Imagem de destaque
'Modelo Bukele' usado em El Salvador não derrotaria PCC e CV no Brasil, diz especialista em segurança pública
Pastor Danilo Bicalho discursa durante evento do PT, em Vitória
O pastor do PT que quer furar a bolha evangélica no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados