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Comércio exterior

Café especial ganha mercado mundial e pode ser saída em meio a embates comerciais

Produtores e empresários do Espírito Santo, que virou referência na produção de conilon e arábica de altas pontuações, estão de olho nesse filão

Publicado em 16 de Setembro de 2025 às 03:00

Públicado em 

16 set 2025 às 03:00
Abdo Filho

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Abdo Filho Abdo Filho
Valetim deixa a lida com o café um pouco de lando por causa do Corpus Christi
Produtor rural do Sul do Espírito Santo trabalhando na sua propriedade Crédito: Matheus Martins/TV Gazeta Sul
Os embates entre países, com uma boa dose de política misturada, parece que vão dar a tônica do comércio internacional nos próximos anos. Produtos mais exclusivos, de alto valor agregado, sofrem menos nesse tipo de cenário, afinal, a troca não é simples e o consumidor final topa pagar o preço. Os cafés especiais, que vêm ganhando mercado no mundo todo, encaixam-se como luva nessa tese. Produtores e empresários do Espírito Santo, que virou referência na produção de conilon e arábica de altas pontuações, estão de olho nesse filão (é considerado especial o café que atinge 80 pontos numa escala de zero a 100 criada pela Specialty Coffee Association).
É claro que não se trata de substituir tudo, afinal, grande parte do mercado vai seguir consumindo um produto que não é premium, mas é importante observar a mudança de padrão nos últimos anos. Entre janeiro e agosto de 2021, o Brasil exportou 4,39 milhões de sacas de cafés diferenciados. Em 2025, no mesmo período, foram 5,09 milhões de sacas. Um crescimento de quase 16% em um espaço curto de tempo. Entre janeiro e agosto do ano passado, foram 5,6 milhões de sacas, embora tenha havido uma queda agora, a curva de ascensão é bastante evidente. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Os EUA lideram, em 2025, o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 893.651 sacas, 17,5% das exportações desse tipo de produto. Fechando o top 5, aparece Alemanha, com 656.585 sacas (12,9%); Bélgica, com 579.954 sacas (11,4%); Holanda, com 428.540 sacas (8,4%); e Itália, com 332.700 sacas (6,5%).
Outro detalhe bastante relevante: os valores envolvidos. Na média, o preço da saca do arábica é de US$ 404,01, o especial ou gourmet sai por US$ 448,59. O solúvel médio sai por US$ 303,35, enquanto o especial bate em US$ 2.129,29. No torrado, mercado em que o Espírito Santo não vende para fora, a saca média sai por US$ 632,45, no especial, vai a US$ 1.763,75.
Como já dito, não vai ser solução para tudo, mas um aumento da participação, diante do valor agregado, já daria um enorme impacto. O Espírito Santo tem experiência no tema, vale aprofundar o trabalho de abrir mercados.

Abdo Filho

Abdo Filho Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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