Publicado em 13 de agosto de 2020 às 14:30
O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a nova vacina russa contra a Covid-19 ainda é muito "incipiente" e "rasa". Embora não descarte outras opções, o titular da pasta afirmou que a parceria com a Universidade de Oxford ainda se mostra a melhor opção para o Brasil. >
Em audiência na comissão mista do Congresso Nacional que acompanha as ações de enfrentamento à Covid-19, Pazuello disse que manteve uma videoconferência com o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e com os técnicos que assinaram um acordo de cooperação com o Fundo de Investimento Direto da Rússia para pesquisa e produção da vacina.>
"Essa videoconferência mostrou que, concordo com os dados ali, está muito incipiente, as posições estão muito rasas. Nós não temos profundidade nas respostas. Não temos acompanhamento dos números", disse o ministro, após ser questionado por parlamentares.>
A Rússia anunciou na terça-feira (11) que concedeu a primeira aprovação regulatória do mundo para uma vacina contra a Covid-19, que foi chamada de Sputnik V para os mercados estrangeiros.>
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A aprovação foi dada pelo Ministério da Saúde do país à imunização produzida pelo Instituto Gamaleya de Moscou após menos de dois meses do início dos testes em humanos, segundo afirmou na ocasião o presidente russo Vladimir Putin.>
No dia seguinte, o governo do Paraná assinou um memorando de entendimento com a Rússia para dar início às tratativas relativas à vacina. A parceria vai ser dar por meio do TecPar (Instituto de Tecnologia do Paraná).>
"Pode até haver tudo isso [eficácia], mas tem que ter muita negociação, muito trabalho para que isso seja de uma forma efetiva, digamos, avalizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para que nós possamos discutir a compra", disse o ministro.>
Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que as informações oficiais sobre os testes da vacina contra Covid-19 da Rússia foram modificadas na base internacional que registra experimentos com humanos.>
Nesta quarta (12), as informações sobre os experimentos com humanos da vacina da Rússia passaram a incluir também uma segunda fase, concomitante à primeira. Agora, consta que os estudos foram finalizados no dia 3 de agosto, mas não há informação sobre conclusões dos testes.>
Pazuello também repetiu a posição largamente divulgada pelo Ministério da Saúde, de que os técnicos estão monitorando o desenvolvimento das vacinas no mundo e que devem aderir à primeira imunização que se mostrar mais eficaz e segura.>
"Resumindo: nós estamos atentos à vacina russa e caso essa prospecção seja positiva, nós devemos também participar, seja por intermédio da Tecpar, em Curitiba, seja por intermédio de uma outra ala de fabricação nossa", disse.>
"É orientação e diretriz minha que todas as vacinas que se mostrem em uma prospeção positiva, devemos estar acompanhando, devemos estar parceiros e com opção de compra".>
O ministro também acrescentou que mantém encontros com outros laboratórios que estudam uma vacina e está em contato também com o governo de São Paulo, para obter informações sobre a parceria desenvolvida pelo Instituto Butantan com uma farmacêutica chinesa. No entanto, afirma que, até o momento, a parceria da Fiocruz com a empresa Aztrazenica e com a Universidade de Oxford ainda é a melhor opção para o país.>
"A Aztrazenica com Oxford é ainda a melhor opção", disse o ministro. "É a mais promissora, mas a gente não deixa de estar atento a todas as outras.>
Antes da audiência no Congresso, por videoconferência, Pazuello participou de uma sessão informativa promovida pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O ministro apresentou dados sobre as ações do governo para combater a pandemia, mas em nenhum momento mencionou que o Brasil ultrapassou a marca de 100 mil mortes em decorrência da Covid.>
O ministro lamentou as mortes -sem mencionar o número de óbitos- e ressaltou a quantidade de pessoas curadas da Covid-19 no Brasil.>
"Até o final do dia [desta quarta], o Brasil contabilizava 2.309.477 casos recuperados de Covid-19. Estamos entre os líderes mundiais em pacientes recuperados, o que evidencia o acerto das ações do governo brasileiro em resposta à pandemia", disse Pazuello.>
"O desafio que enfrentamos deixará lições importantes. Muito mais do que a emergência em saúde, a pandemia resultou em um caos social em escala jamais vista. Apenas um sistema de saúde forte, incluso e inclusivo, e uma futura vacina podem garantir que o mundo vença essa batalha".>
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