Publicado em 28 de junho de 2023 às 09:44
SÃO PAULO - O ministro Benedito Gonçalves, corregedor-geral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e relator da ação protocolada pelo PDT contra Jair Bolsonaro (PL), votou a favor da inelegibilidade do ex-presidente por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.>
Segundo o parecer lido nesta terça-feira (27), Bolsonaro "violou ostensivamente" os deveres de presidente da República. Ele afirmou que o ex-chefe do Executivo é "integral e pessoalmente responsável pela concepção intelectual" da reunião com embaixadores no ano passado, quando foram difundidas mentiras sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema de votação brasileiro.>
A defesa de Bolsonaro diz não ter havido ato ilícito no encontro, mas se omitiu em demonstrar que as falas teriam qualquer relação com evidências.>
Após o voto do relator, a sessão foi encerrada, e o julgamento retorna nesta quinta-feira (29), às 9h, quando começam, então, os votos dos outros ministros.>
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Entenda, em cinco pontos, os principais argumentos do voto de Benedito Gonçalves:>
Benedito ressaltou a reunião com os embaixadores como um evento inserido em um contexto de diversos ataques ao sistema de votação do país em entrevistas, transmissões ao vivo e discursos proferidos durante o mandato.>
O ministro mencionou a transmissão ao vivo que Bolsonaro fez em 2021 questionando a segurança das urnas. Segundo o magistrado, o ex-presidente recorreu ao descrédito do dispositivo eletrônico a fim de manter sua militância "em contínuo estado de excitação e, até mesmo, de paranoia".>
Além disso, citou menções feitas pelo então mandatário às Forças Armadas como organização capaz de fiscalizar e apontar soluções para fraudes no pleito. "A reunião não é uma fotografia na parede, mas um fato inserido em um contexto", disse Benedito.>
O magistrado voltou a defender a inclusão, na ação, da minuta de decreto encontrada em janeiro pela Polícia Federal na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.>
Ele disse que a admissibilidade do documento apócrifo, que chamou de "golpista em sua essência", não contraria a tese que absolveu a chapa de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) em 2017, quando foram considerados apenas os fatos restritos ao processo.>
Benedito também afirmou não ser possível fechar os olhos para mentiras e discursos violentos na eleição, e criticou a banalização do golpismo nas atitudes do ex-presidente. Ele argumentou que a divulgação de notícias falsas é capaz de moldar abuso eleitoral ao prejudicar os pleitos.>
Para o ministro, Bolsonaro também obteve vantagens eleitorais a partir da repercussão da reunião com os embaixadores, especialmente pelo contexto de pré-candidatura à reeleição e pela projeção midiática que o tema tomou a partir do encontro.>
Benedito Gonçalves
Ministro do TSEO magistrado disse que o conspiracionismo foi amplamente utilizado no encontro com as representações internacionais para que Bolsonaro, em simbiose com as Forças Armadas, estivesse "levando adiante cruzada em nome da transparência e da democracia".>
Segundo ele, o então mandatário assumiu papel antagônico ao TSE, buscando vitimizar-se e desacreditar a competência do tribunal, de seu corpo técnico e de seus ministros nacional e internacionalmente.>
Benedito votou a favor da inelegibilidade de Bolsonaro até 2030, mas defendeu afastar o então candidato a vice-presidente, o general Walter Braga Netto (PL), da mesma pena, seguindo entendimento do vice-procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco.>
O relator também votou pelo encaminhamento do caso ao TCU (Tribunal de Contas da União) e aos inquéritos criminais em curso no STF (Supremo Tribunal Federal), visando apurar se cabem investigações contra Bolsonaro pelas condutas em debate para além da Justiça Eleitoral.>
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