Publicado em 7 de outubro de 2022 às 19:58
BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (7) que já recebeu propostas para aumentar o número de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e que pode discutir o tema após as eleições. Segundo o mandatário, já chegou para ele o projeto para incluir mais cinco magistrados na corte — atualmente, o tribunal tem 11 assentos.>
"Não posso passar [sozinho] para mais cinco [ministros]. Se quiser passar, tem que conversar com o Parlamento. Isso se discute depois das eleições. Essa proposta não é de hoje. Há muito tempo outros presidentes pensaram em fazer isso daí", disse, durante almoço com jornalistas.>
O aumento no número de ministros seria uma forma de Bolsonaro ampliar o poder de influência no Supremo, que impôs limites à atuação do presidente durante seu mandato, principalmente na gestão da pandemia da Covid-19.>
A alteração na composição do STF, que tem a palavra final para decidir se medidas do Executivo e do Legislativo respeitam a Constituição e podem vigorar, já foi feita, por exemplo, pela ditadura militar iniciada em 1964 no Brasil e por presidentes autoritários de outros países.>
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O próximo presidente do país terá o direito de indicar dois ministros do STF no lugar de Ricardo Lewandowski e Rosa Weber, que irão fazer 75 anos em 2023, idade limite para atuar no tribunal.>
Além disso, caso leve a ideia de ampliação do tribunal adiante, Bolsonaro poderia nomear outros cinco nomes. Em entrevista à revista Veja, o presidente foi questionado sobre o tema e também evitou rechaçar a ideia.>
"Já chegou essa proposta para mim e eu falei que só discuto depois das eleições. Eu acho que o Supremo exerce um ativismo judicial que é ruim para o Brasil todo. O próprio Alexandre de Moraes instaura, ignora Ministério Público, ouve, investiga e condena. Nós temos aqui uma pessoa dentro do Supremo que tem todos os sintomas de um ditador", disse.>
Em 2021, aliados do presidente já haviam retirado da gaveta da Câmara dos Deputados uma proposta de emenda à Constituição que reduz as competências do Supremo e aumenta o número de integrantes da corte.>
O projeto, porém, ainda está em discussão. A aposta de aliados é que, se for reeleito, Bolsonaro fará uma ofensiva contra o Supremo.>
O presidente protagonizou inúmeros embates com o tribunal durante o mandato e a avaliação é que, uma vez reconduzido na chefia do Executivo, pode usar a força política da vitória nas urnas para tentar fragilizar o STF. Ele já pediu, por exemplo, o impeachment de Moraes.>
A deposição de magistrado da corte é responsabilidade do Senado. Como o presidente elegeu diversos aliados para a Casa neste ano, poderá forçar sua base a abraçar a ofensiva contra o tribunal.>
Em 2018, Bolsonaro chegou a prometer ampliar as vagas no Supremo, mas depois recuou e evitou tocar no tema durante seu mandato.>
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