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Bosque das Cerejeiras de
Domingos Martins: Estado
realiza levantamento para
identificar e potencializar
ativos naturais,
paisagísticos e ambientais
Bosque das Cerejeiras de Domingos Martins: Estado realiza levantamento para identificar e potencializar ativos naturais, paisagísticos e ambientais. Crédito: Divulgação / Associação Nikkei de Vitória

Mapeamento quer fortalecer as aptidões de cada microrregião do ES

Panorama desenvolvido pelo IJSN, em parceria com Ufes e Ifes, revela potencialidades das 10 microrregiões do Estado e os desafios econômicos e sociais

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 24/11/2021 às 02h15

Sempre ouvimos que todo mundo tem um lado bom, cheio de qualidade e potenciais, mas que também tem outro, repleto de fraquezas. Esse entendimento também pode ser aplicado quando falamos de comunidades, cidades, Estados e nações. E uma forma de conhecer as duas faces de um território é por meio de dados, mapeados pelos institutos de pesquisas, e por diálogos com população, entes públicos e iniciativa privada.

Um programa criado pelo governo do Estado tem traçado uma radiografia, a partir de informações estatísticas, para conhecer a situação de cada uma das 10 microrregiões capixabas. O projeto ainda realiza levantamento em campo, ouvindo a sociedade civil, sobre as forças e os desafios dos 78 municípios.

Chamada de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS), a iniciativa tem delimitado os caminhos para levar desenvolvimento de maneira descentralizada às cidades, com planos para todas as regiões, de Sul a Norte, no Espírito SantoF.

O programa tem dois pilares. O primeiro é contar com a colaboração de conselhos locais para entender e conhecer as demandas, estabelecendo ações de forma de integrada para contemplar todas as cidades de uma mesma microrregião. A outra abordagem é a elaboração de um diagnóstico, em conjunto com um plano de medidas, para possibilitar a expansão de itens imprescindíveis para o bem-estar social.

A ideia é promover o crescimento econômico; reduzir o desemprego com o aumento das oportunidades de trabalho e, consequentemente, queda nos indicadores de pobreza; oferecer ensino de qualidade em todas as cidades; ter equipamentos de saúde capazes de atender às necessidades de moradores de uma determinada localidade; permitir investimentos em infraestrutura logística, de internet e saneamento básico; e desenvolver um trabalho para aquecer a economia ao mesmo tempo em que se atua para encontrar formas de produzir com menos poluição.

O DRS terá ainda indicadores para avaliar o desempenho econômico, social, territorial, ambiental e da gestão pública das subdivisões do Estado. Os números devem ser divulgados no primeiro semestre de 2022, já mostrando onde cada cidade terá que trabalhar para enfrentar gargalos e promover, assim, a expansão da qualidade de vida e também dos negócios.

Com esse raio-X em mãos, medidas que cabem ao Estado, às cidades ou mesmo ao setor empresarial poderão ser delimitadas e exercidas com mais eficiência. A proposta é pensar como agir em cada região, levando em consideração as características do lugar, sem aplicar fórmulas prontas que podem ser efetivas numa localidade, mas nao ter relevância em outra comunidade.

O DRS e seus indicadores desempenharão ainda papel importante na busca por soluções para problemas como déficit habitacional na zona urbana e também rural; preservação dos recursos hídricos e de recursos florestais nativos, além de encontrar alternativas para se combater falhas na mobilidade urbana, no ensino e também na saúde.

Outro aspecto que está no foco dos gestores da proposta, que conta com apoio ainda da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), é verificar as causas do empobrecimento da população capixaba e formas de combatê-lo. O cenário de dificuldades financeiras de famílias, e mesmo a fome, aliás, ficaram mais evidentes nesses últimos dois anos por conta da pandemia da Covid-19.

A alta da informalidade, com pessoas em subtrabalhos, também revela que os obstáculos são grandes, mas que podem ser rompidos a partir das competências econômicas que o Estado tem. Estas que vão do setor extrativo, com petróleo e gás, mineração, ao segmento de transformação, como de aço e celulose; e do agronegócio às atividades de cultura, turismo tecnologia, como as promovidas pelas startups.

Segundo o diretor de Integração do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, a intenção é criar uma nova onda de promoção da economia capixaba, trazendo reflexos para os segmentos sociais. O empurrão que esse programa vai dar valerá para o Estado, para as gestões municipais e também para lideranças empresariais.

Pablo Lira

Diretor de Integração do IJSN

"Nossa proposta é identificar as forças e fraquezas de cada uma das 10 microrregiões e traçar um plano integrado de ação para melhorar a economia e o desenvolvimento social das cidades do ES"

Entre as potencialidades que serão exploradas de cada região estão ativos naturais, paisagísticos e ambientais; o associativismo e cooperativismo; a atuação do agronegócio de forma menos poluente e com maior produtividade; uma indústria mais tecnológica e preocupação em encontrar formas de agredir menos o ambiente por causa dos efeitos climáticos.

AS CARACTERÍSTICAS DAS MICRORREGIÕES DO ES

Caparaó

  • Municípios: Ibatiba, Irupi, Iúna, Ibitirama, Muniz Freire, Divino de São Lourenço, Jerônimo Monteiro, Alegre, Dores do Rio Preto, Guaçuí, São José do Calçado e Bom Jesus do Norte.
  • Potencialidades: São ativos naturais, paisagísticos e ambientais, como o Parque Nacional do Caparaó. Os turismos ambiental e de montanha, que ocorrem na localidade, podem ser aposta para fortalecer a economia local. No agronegócio, o diferencial tem sido a atuação de pequenos produtores em modelos de associativismo e cooperativismo. As produções principais são o café especial arábica, a pecuária leiteira e a extração de rochas ornamentais. Alegre é a cidade polo, sendo referência até no leste mineiro.

Central Serrana

  • Municípios: Itaguaçu, Itarana, Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina.
  • Potencialidades: As cidades que ficam nesse território têm potencial agrícola e forte ativo cultural por conta dos imigrantes que se instalaram na região, como as comunidades de italianos, alemães, austríacos e pomeranos. No agronegócio, a força está na produção de latícinios, de ovos, café, hortifruti, além de vinhos. As festas típicas movimentam o turismo. Santa Teresa é o polo regional. A Central Serrana também chama atenção por suas cachoeiras e festivais, como o de jazz. A expectativa é que mais negócios cheguem à região com a inclusão de Itaguaçu e Itarana na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), programa que permite benefícios fiscais e créditos mais atrativos à indústria.

Central Sul

  • Municípios: Castelo, Vargem Alta, Cachoeiro de Itapemirim, Muqui, Atílio Vivácqua, Mimoso do Sul e Apiacá. 
  • Pontecialidades: O polo regional é Cachoeiro de Itapemirim, cidade que comanda, junto com Castelo, a principal atividade econômica: a extração e o beneficiamento de rochas ornamentais. Também é uma região que vê crescimento do setor metalmecânico e que tem tido oportunidades de atrair novos negócios por conta da fábrica de papel da Suzano, em Cachoeiro. A cidade, aliás, concentra atividades comerciais e serviços especializados na área da saúde e de educação que atraem moradores do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Todos os municípios da Central Sul devem ter um gás no desenvolvimento com a duplicação da BR 101 e se a ferrovia EF 118 (Vitória-Rio) tiver um ramal de Anchieta a Açu (RJ).

Centro-Oeste

  • Municípios: Baixo Guandu, São Roque do Canaã, Colatina, Marilândia, Pancas, Governador Lindenberg, São Domingos do Norte, Alto Rio Novo, Vila Valério e São Gabriel da Palha.
  • Potencialidades: A região é conhecida por ter atividade industrial baseada no setor de confecções. Colatina é a cidade que lidera a produção e mobiliza a expansão para outros lugares da microrregião, como é o caso de São Gabriel da Palha. No agronegócio, as atividades mais importantes estão a cafeicultura (São Gabriel) e a pecuária de corte (Governador Lindenberg). Baixo Guandu, que tem economia voltada para o agronegócio, assim como Colatina, ainda sente os efeitos do rompimento da Barragem de Mariana (MG), que levou lama da mineração para o Rio Doce. Além do café e de gado, a região tem plantações de mandioca, milho, banana e cana-de-açúcar.

Litoral Sul

  • Municípios: Alfredo Chaves, Anchieta, Iconha, Piúma, Rio Novo do Sul, Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy • 
  • Potencialidades: No Litoral Sul, o petróleo, a logística e a pelotização são as principais atividades. A região sentiu os fortes impactos da tragédia de Mariana, que levou à paralisação da Samarco. Mas, desde o fim de 2020, a Quarta Usina da empresa voltou a operar, o que tem trazido negócios, principalmente para os segmentos de serviços, comércio e de metalmecânica. Um potencial que deve se fortalecer na região é a vocação para transportes. A construção de ramal ferroviário entre Cariacica e Anchieta abrirá chances para movimentação de cargas no Porto de Ubu. Outra expectativa é o início da operação do Porto Central, que terá terminais de águas profundas, permitindo a chegada de navios gigantes. Outra vocação é no setor de energia. Além de produzir petróleo em abundância, algumas cidades, como Itapemirim e Presidente Kennedy, têm potencial para instalação de parques eólicos offshore.

Metropolitana

  • Municípios: Fundão, Serra, Cariacica, Viana, Vitória, Vila Velha e Guarapari.
  • Potencialidades: Sede de grandesVempresas, como Vale, ArcelorMittal Tubarão e Grupo Simec, a Região Metropolitana ainda tem potenciais para serem desenvolvidos. Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana estão nas rotas das empresas de distribuição e logística. As chances de negócios virão também para empresas que operam em portos secos, por conta da privatização da Codesa e devido à construção de ramal ferroviário entre Cariacica e Anchieta. Vitória tem entrado em novo patamar, atraindo negócios de base tecnológica e sendo celeiro de startups. É também o polo do ensino e dos serviços de saúde no Estado. Entre os desafios da região está a diversificação econômica de Fundão − hoje a atividade produtiva é pautada no agronegócio, embora tenha movimentação turística em Praia Grande. Já Guarapari, que tem alta vocação turística no verão, precisa atrair investimentos para dar dinamismo econômico durante todo o ano.

Nordeste

  • Municípios: Jaguaré, São Mateus, Conceição da Barra, Boa Esperança, Pinheiros, Pedro Canário, Montanha, Ponto Belo e Mucurici.
  • Potencialidades: Estar na área da Sudene é um dos diferenciais. A região teve expansão na atividade econômica com a chegada de indústrias, como a montadora Volare. São Mateus é o polo do microterritório e, assim como Jaguaré, ainda tem o petróleo como principal atividade. A cidade litorânea também tem potencial turístico, assim como Conceição da Barra (e a Vila de Itaúnas), e se destaca também por oferecer serviços de educação que atendem a moradores de outros municípios. No agronegócio, as atividades que chamam atenção no Nordeste são as plantações de eucalipto e de cana-de-açúcar. Entre as cidades da região, Pinheiros e Pedro Canário têm sido alvo de fábricas do setor moveleiro. De um modo geral, a segurança, devido às altas taxas de homicídio, é ainda um problema que afeta o avanço econômico.
Centro de treinamento da Marcopolo
Indústria automotiva trouxe novas chances de negócios no Nordeste. Crédito: Divulgação

Noroeste

  • Municípios: Águia Branca, Mantenópolis, Barra de São Francisco, Nova Venécia, Vila Pavão, Água Doce do Norte e Ecoporanga.
  • Potencialidades: Barra de São Francisco e Nova Venécia são polos da região. As duas cidades são grandes produtoras de rochas ornamentais e, embora comercializem as pedras, na maioria das vezes brutas, têm potencial para implantação de indústrias de beneficiamento de mármore e granito. As outras cidades da região têm como foco a produção de café conilon, a pecuária de corte e a produção florestal.

Rio Doce

  • Municípios: Aracruz, Ibiraçu, João Neiva, Linhares, Rio Bananal e Sooretama.
  • Potencialidades: Linhares é a cidade que mais tem atraído investimentos na região, mas a entrada na Sudene deve fazer Aracruz disputar em pé de igualdade novos negócios com o município vizinho. Isso porque Aracruz tem recebido diversos projetos portuários, como as obras na Imetame, expansão de Portocel, além da modernização na planta de celulose da Suzano e de ser a sede do Estaleiro Jurong. Já Linhares abriga grandes indústrias, como a Weg, unidade de tratamento de gás, e vai contar com novas fábricas de alimentos. O agronegócio também se destaca em Linhares e nas outras cidades da região, como João Neiva, Rio Bananal, Ibiraçu e Sooretama. Os destaques no agro são: produção de cacau, laticínios, mamão e outros itens de hortifruti. Dois municípios que têm crescido para além do setor primário são Sooretama e João Neiva. A primeira sendo alvo de indústrias moveleiras. A segunda com atuação do setor metalmecânico. Todas as localidades da microrregião vão se desenvolver mais ao final da duplicação da BR 101.

Sudoeste Serrana

  • Municípios: Laranja da Terra, Afonso Cláudio, Brejetuba, Conceição do Castelo, Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins e Marechal Floriano.
  • Potencialidades: As belezas das montanhas fazem da Sudoeste Serrana um dos principais destinos turísticos do Espírito Santo. A Pedra Azul, a Rota do Lagarto e mesmo os comércios típicos das cidades como Domingos Martins, Marechal Floriano e Venda Nova conseguem atrair visitantes e movimentar a economia local. Com as atividades produtivas focadas no agronegócio, essas cidades, assim como suas vizinhas, conseguem agregar valor, não vendendo apenas produtos in natura, mas criando receitas que conquistam o gosto do turista. A região deve crescer mais com a duplicação da BR 262. Venda Nova do Imigrante é hoje a cidade polo por ligar a microrregião a locais vizinhos.

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