Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 14:48
A Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), uma das mais estratégicas ferrovias do país, vive um novo ciclo de investimentos. Sob gestão da Vale, a concessão foi renovada antecipadamente perante o governo federal, garantindo mais de R$ 1,3 bilhão em investimentos em infraestrutura, segurança e tecnologia. >
De acordo com a Vale, os recursos estão sendo aplicados em obras que promovem “mais segurança e fluidez no trânsito urbano em diversos municípios do Espírito Santo e de Minas Gerais”. No estado capixaba, R$ 230 milhões já foram investidos em 29 intervenções, incluindo viadutos, passarelas, muros de contenção e modernização de passagens em nível.>
JÁ FORAM INVESTIDOS EM 29 INTERVENÇÕES NO ES
A empresa também anunciou a ampliação do serviço do Trem de Passageiros, que percorre 664 quilômetros. A partir de 2026, a previsão é de um novo horário de circulação durante os períodos de alta temporada. >
Estudos do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) indicam que o transporte de passageiros pela ferrovia vem ganhando relevância no turismo capixaba. As melhorias no conforto tornam a viagem mais atrativa. Segundo a Vale, o serviço transportou 850 mil pessoas em 2024. >
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A mineradora ainda destaca a aplicação intensiva de tecnologias de ponta na operação, que vão desde inteligência artificial e realidade virtual até simuladores, sistemas de monitoramento e equipamentos de alta performance. Uma novidade anunciada em outubro de 2025 é a parceria com a empresa norte-americana Wabtec Corporation para o desenvolvimento de motores flex (dual fuel), capazes de operar com diesel e etanol, com testes previstos até 2027. A ideia é reduzir as emissões, deixando o transporte mais sustentável.>
A EFVM, em 2025, deu mais um passo rumo à modernização. A empresa VLI, que utilizava a malha por tráfego mútuo, passou a atuar como Agente Transportador Ferroviário de Cargas >
(ATF-C). A operação foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).>
Segundo o CEO da VLI, Fábio Marchiori, o modelo permite que a companhia use seus próprios trens e equipes operacionais para transportar cargas, de forma independente. A estruturação completa está prevista para ser concluída até o segundo semestre de 2026.>
A etapa foi possível após investimento de R$ 600 milhões para a compra de 50 locomotivas e mais de mil vagões. Segundo Marchiori, a VLI movimenta por ano cerca de 30 milhões de toneladas de carga pela ferrovia e 16 milhões de toneladas nos portos capixabas.>
Fábio Marchiori
CEO da VLIComo exemplo, o CEO da VLI cita o embarque de milho a partir do Terminal de Produtos Diversos (TPD), no Porto de Tubarão, em Vitória. “Em outubro de 2025, realizamos o primeiro embarque, após a autorização de exportação para o mercado chinês. Esse é um marco que mostra o potencial logístico do Estado.”>
Para o diretor-presidente do IJSN, Pablo Lira, a EFVM é um ativo logístico estratégico. Dados da Vale revelam que a ferrovia escoa mais de 60 tipos de cargas, incluindo produtos agrícolas, fertilizantes, celulose, combustíveis, materiais siderúrgicos, madeira e carvão mineral, tanto para exportação quanto para abastecimento do mercado interno.>
SÃO AS MERCADORIAS GERAIS TRANSPORTADAS NA EFVM
Para Lira, a integração da EFVM com a EF 118 colocaria o Espírito Santo em novo patamar logístico. “O Estado já é uma referência, mas com essa conexão e a conclusão de portos como o Imetame e o Porto Central, estará muito à frente de outros Estados brasileiros”, destaca, ao defender também avanços no direito de passagem ferroviário. >
Com mais de 100 anos de operação, a EFVM se consolida como um dos eixos logísticos mais importantes do Brasil. Na visão do IJSN, ela é uma peça-chave no desenvolvimento econômico e na integração logística do Espírito Santo. “A Estrada de Ferro Vitória a Minas é mais do que trilhos, é a espinha dorsal que conecta o Espírito Santo ao Brasil e o Brasil ao mundo”, resume.>
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