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Como transporte integrado quer encurtar distâncias na Grande Vitória

Como transporte integrado quer encurtar distâncias na Grande Vitória

Com corredores exclusivos para ônibus, aquaviário e ampliação das ciclovias, Grande Vitória avança em modelo de mobilidade mais eficiente e sustentável

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 18:07

Aquaviário
Sistema Aquaviário conecta as cidades de Vitória, Vila Velha e Cariacica Crédito: Carlos Alberto Silva

A Região Metropolitana da Grande Vitória vive um momento de reestruturação da mobilidade urbana. Com novos corredores exclusivos de ônibus, operação do sistema Aquaviário e ampliação de ciclovias, o governo do Espírito Santo e os municípios capixabas buscam integrar diferentes modais e tornar o transporte coletivo mais eficiente, seguro e sustentável.

Há seis anos, o sistema Transcol passou por uma modernização que o transformou em referência nacional. “Implantamos o Bilhete Único Metropolitano (Cartão GV), que permite ao usuário pagar uma única tarifa e se deslocar entre todas as cidades da Região Metropolitana”, aponta o secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno.

Segundo ele, o sistema, que em 2018 contava com cerca de 1.350 ônibus, atualmente tem aproximadamente 1.650 veículos operantes, resultado de uma renovação de frota, com ônibus equipados com ar-condicionado, Wi-Fi, acessibilidade e motores menos poluentes. Além disso, o aplicativo Ônibus GV permite que o passageiro consulte horários, estimativas de chegada e o nível de ocupação de cada linha.

“Hoje, o cidadão da Região Metropolitana da Grande Vitória dispõe de um sistema muito bem organizado e em constante evolução. É claro que sempre há o que melhorar, mas quem circula por outros Estados e utiliza o transporte público percebe claramente a diferença de qualidade e gestão do nosso sistema”, compara Damasceno.

Outra solução viária que promete facilitar o ir e vir entre cidades é o Expresso GV, corredor exclusivo de ônibus (BRT) que vai ligar Cariacica a Vila Velha pela Avenida Carlos Lindenberg.

“Quando o transporte coletivo é priorizado, o tempo de viagem reduz, a oferta de lugares melhora e a qualidade do serviço aumenta. Temos exemplos práticos na Grande Vitória, como a Linha Verde, na Terceira Ponte. Priorizar o transporte coletivo é investir em qualidade de vida: é permitir que o cidadão reduza tempo de deslocamento para que possa dedicar mais horas à família, ao lazer”, reforça.

Projeção do Corredor Metropolitano Sul - Expresso GV
Projeção de como ficará corredor metropolitano Expresso GV Crédito: Divulgação/Semobi

O Estado deve alcançar ainda oito barcos em operação no aquaviário e ganhar novas estações.

Os municípios também estão fazendo investimentos para abrir espaço para as bicicletas. A Grande Vitória tem mais de 200 km de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, segundo Instituto Jones do Santos Neves (IJSN). E a previsão é que esse traçado fique ainda maior.

Cariacica

Em Cariacica, a Estação Prefeito Aloizio Santos, em Porto de Santana, conecta o transporte terrestre ao sistema Aquaviário, tornando-se um ponto estratégico da rede integrada. “Na estação, passageiros que chegam a pé, de bicicleta, de ônibus do Transcol ou de outros pontos da cidade podem embarcar e seguir viagem rumo a Vitória ou Vila Velha”, aponta a Secretaria Municipal de Mobilidade.

Atualmente, a viagem direta entre Cariacica e Vila Velha ocorre apenas aos finais de semana, mas a operação já representa uma alternativa relevante de deslocamento marítimo. Os maiores desafios, porém, estão em terra firme.

“Cariacica, por sua posição estratégica, centraliza importantes fluxos viários, tornando a gestão de seus gargalos essencial para a fluidez da Região Metropolitana. Os desafios concentram-se primariamente na Avenida Mário Gurgel (antiga BR 262) e são objeto de intervenções precisas e faseadas”, informa a pasta.

Vitória

Na capital, os investimentos estão direcionados a projetos de mobilidade sustentável, com faixas exclusivas para ônibus, ampliação de ciclovias e modernização das vias. “Nosso objetivo é garantir fluidez, segurança e conforto no deslocamento diário dos cidadãos, com investimentos que valorizam o transporte coletivo e os meios não motorizados”, afirma o prefeito Lorenzo Pazolini. A cidade testa ainda um ônibus elétrico, dentro do programa de descarbonização da frota. Os corredores da Reta da Penha, Avenida Vitória e Beira-Mar recebem prioridade para o transporte público e integração direta com os terminais do Transcol, o que facilita conexões metropolitanas.

Vila Velha

Em Vila Velha, a implantação do Expresso GV promete facilitar a rotina de quem atravessa a avenida Lindenberg diariamente. O corredor metropolitano vai conectar os terminais de Vila Velha e Cariacica, reduzindo o tempo de deslocamento e integrando o sistema à Estação do Aquaviário da Prainha.

A prefeitura também investe na criação de novas ciclovias e ciclorrotas, especialmente nos bairros da orla, para incentivar meios de transporte não motorizados. O projeto inclui conexões com áreas comerciais e de grande fluxo, promovendo integração com os ônibus metropolitanos e municipais.

“Essas iniciativas refletem o compromisso com uma mobilidade sustentável, inclusiva e moderna, em que o uso da bicicleta é tratado de forma planejada e integrada”, destaca o prefeito Arnaldinho Borgo.

Serra

A Serra está apostando na expansão da malha cicloviária e em novos corredores de transporte público. A Secretaria de Mobilidade destaca que as ações locais estão “voltadas à integração entre transporte público, ciclovias e a futura operação do BRT, que beneficiará diretamente a população da Serra”.

Com uma população crescente e grandes polos industriais, a cidade tem trabalhado em conjunto com o Estado para garantir mais eficiência nos trajetos que ligam bairros residenciais a centros de emprego e estudo.

Bicicletas ganham espaço e mudam o perfil da mobilidade

Mais econômicas e sustentáveis que os automóveis, as bicicletas têm se firmado como alternativa de transporte diário. Segundo levantamento da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), o mercado de bikes (manuais e elétricas) movimentou mais de R$ 500 milhões em 2023. Já em relação ao modelos elétricos, há mais de 9 mil em circulação na Grande Vitória, conforme dados da Aliança Bike.

Bike elétrica
Bikes são alternativa de transporte mais econômica e sustentável Crédito: Fernando Madeira

“O mercado de bicicletas elétricas tem registrado crescimento significativo nos últimos anos, impulsionado pela busca por mobilidade sustentável e pelo aumento do custo dos combustíveis”, indica o relatório da Fecomércio.

O relatório especifica as bicicletas elétricas (e-bikes) como veículos de duas rodas com pedais e motor elétrico auxiliar, cuja propulsão depende do pedal (sistema pedal assistido). Elas dispensam registro e habilitação, desde que respeitem o limite de 350W (watts) de potência e 25 km/h de velocidade. Modelos mais potentes passam a ser considerados ciclomotores, exigindo emplacamento e carteira de habilitação ACC ou CNH categoria A.

Dados e tecnologia

O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) destaca a ampliação das ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas na Grande Vitória, que somam mais de 200 quilômetros de extensão, conectando áreas residenciais, comerciais e de lazer. Porém, o principal meio de transporte para o trabalho no Espírito Santo continua sendo o ônibus, seguido pelo automóvel e pelo deslocamento a pé.

Por isso, as políticas públicas de mobilidade têm se apoiado, cada vez mais, na tecnologia. Além do aplicativo Ônibus GV, que revela a movimentação das linhas em tempo real, a bilhetagem eletrônica do Cartão GV permite integração tarifária entre diferentes modais, facilitando o uso combinado de ônibus, bicicletas e o sistema Aquaviário.

“Temos trabalhado junto às prefeituras para mostrar que priorizar o ônibus é a solução para melhorar a mobilidade urbana e a qualidade de vida da população que depende do transporte público todos os dias”, afirma Damasceno.

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