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Projetos sociais fazem arrecadação e distribuição de absorventes para mulheres em vulnerabilidade social
Projetos sociais fazem arrecadação e distribuição de absorventes para mulheres em vulnerabilidade social. Crédito: Freepik/ Montagem A Gazeta

Conheça iniciativas de distribuição de absorventes no ES e veja como ajudar

Na falta de políticas públicas que garantam o direito de mulheres à higiene básica, projetos sociais se mobilizam para arrecadar absorventes

Vitória
Publicado em 24/10/2021 às 04h00

Na falta de políticas públicas efetivas para o enfrentamento da pobreza menstrual, a sociedade civil tem se mobilizado por meio de projetos para ajudar mulheres em vulnerabilidade social. No Espírito Santo, as iniciativas vão desde a inclusão de absorventes em cestas básicas até campanhas que nasceram da necessidade de garantir condições mínimas de higiene feminina durante o período da menstruação.

A pobreza menstrual é o nome dado à falta de acesso de meninas, mulheres e homens trans a recursos básicos para manter a higiene no período menstrual. Inclui muito mais do que o fato de não ter dinheiro para comprar um absorvente, mas também a falta de saneamento básico e água para tomar um banho, por exemplo. 

De acordo com dados do movimento Girl Up, uma a cada quatro meninas brasileiras não tem acesso a um absorvente e, por isso, falta às aulas quando está menstruada. 

Saiba o que é pobreza menstrual

Confira algumas ações realizadas no Estado para minimizar esse problema:

Recriar/Todas Juntas

Em Vila Velha, o projeto Recriar ES assiste meninos e meninas de baixa renda, e há cerca de um ano arrecada absorventes para distribuição. A ação ganhou nome de Todas Juntas e teve origem no relato de uma adolescente atendida pelo projeto, que não tinha condições financeiras para comprar o produto durante o período menstrual.

"Ela me pedia todo mês R$ 5 na mesma data. Um dia, essa menina se abriu pra mim e contou que me pedia o dinheiro porque não tinha como comprar absorvente, e que ela usava pano, pedaço de papel higiênico quando ficava menstruada", relatou Melissa Emanuelle, idealizadora da ação. 

Melissa Emanuelle

Idealizadora do Todas Juntas

"Teve um dia que o fluxo menstrual dela estava tão grande que ela grampeou algodão em uma folha para usar porque não tinha absorvente"

Depois do relato, as voluntárias do projeto realizaram uma roda de conversa com as adolescentes assistidas e descobriram que muitas delas não frequentavam as atividades em determinados dias porque ficavam menstruadas.

"Aí a gente começou a entender aquela situação e arrecadar absorventes para garantir que elas tivessem esse produto todo mês" afirmou. 

Hoje, o Todas Juntas atende mais de 200 meninas, a maioria em Vila Velha. Os absorventes distribuídos são arrecadados por meio de doações, que podem ser feitas por meio de um Pix (27988010769). Quem quiser ajudar de outra forma também pode entrar em contato pelo Instagram do projeto.

  • MUCA 

O Coletivo Mulheres Unidas do Caratoíra (MUCA) presta assistência social para cerca de 500 famílias, a maioria chefiada por mulheres negras periféricas. 

Durante a pandemia, o projeto começou a incluir na cesta básica o absorvente para distribuição. "Elas relataram que tinham dificuldade para comprar o produto, e permitir que elas tivessem esse recurso se tornou o nosso maior foco", afirmou Winy Fabiano, uma das articuladoras responsáveis pelo MUCA.

O Coletivo recebe doações via Pix (@mulheresunidasdocaratoria). Mais informações podem ser obtidas pela página do MUCA no Instagram.

  • Mudando Fluxos

O projeto Mudando Fluxos foi criado em maio deste ano e arrecada absorventes para distribuir a meninas e mulheres de Vila Velha. A iniciativa é da Maria Fiório e uma amiga, que descobriram que a pobreza menstrual estava mais próxima delas do que imaginavam.

"Todo mundo falava sobre isso e eu fui conversar com minha mãe. Foi quando ela me disse que ela não tinha dinheiro para comprar absorvente na adolescência e que viveu a pobreza menstrual. Decidi então fazer algo para mudar essa realidade", pontuou. 

Maria criou uma página nas redes sociais, por onde divulga conteúdos educativos e campanhas para arrecadar absorventes, que são distribuídas para ONGs e coletivos que atendem mulheres em vulnerabilidade. A meta é ajudar 600 meninas até o fim do ano.

Maria Fiório

Idealizadora do projeto Mudando Fluxos

"O ideal seria que projetos assim não precisassem existir e que este auxílio fosse garantido pelo Estado. Apesar de ajudar algumas pessoas, a gente não consegue ajudar todo mundo"

As doações podem ser feitas tanto em forma de dinheiro (enviando um Pix para [email protected]) quanto por doações do produto. Para isso, o contato é feito pelo perfil do projeto no Instagram. 

  • Mães também menstruam

Criado pela Central Única das Favelas no Espírito Santo (CUFA-ES), o projeto "Mães também menstruam" foi lançado em maio como uma ação do Dia das Mães. A campanha, contudo, se tornou um programa permanente de distribuição de absorventes depois que os voluntários perceberam a diferença que estavam fazendo.

"A gente foi entregar cestas básicas no Dias das Mães, e quando as mulheres viram que havia kits com absorvente, elas ficaram surpresas e relataram as dificuldades que enfrentavam para comprar o produto. Aquilo nos acendeu o alerta, e decidimos tornar  uma campanha específica", afirmou Gabriel Nadipeh, presidente da CUFA-ES. 

Mais de 1.000 famílias são atendidas mensalmente pelo projeto, que tem equipes em várias cidades, entre elas Cachoeiro de Itapemirim, São Mateus, Linhares, Colatina, Barra de São Francisco e na Grande Vitória. Ao todo, 13 mil kits de higiene contendo absorventes, sabonetes e pasta dental já foram entregues em favelas e periferias.

As arrecadações são feitas por meio de doações e parcerias com outras organizações. Quem quiser ajudar, pode entrar em contato pelo Instagram do CUFA-ES. Lá estão disponíveis as formas para doar e informações sobre o projeto. 

  • Faz Bem Vix

Era para ser apenas um bloco de Carnaval, mas a reunião de um grupo de amigos do bairro Jardim da Penha, em Vitória, acabou se transformando em um projeto social para ajudar famílias de baixa renda nos morros da Capital. O projeto Faz Bem Vix arrecada doações desde o início da pandemia, mas passou a incluir o absorvente nas cestas básicas após aderir a uma sugestão das vereadoras Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT) para que a Prefeitura de Vitória fizesse isso. 

"A gente viu o pedido delas para a prefeitura incluir o absorvente nas cestas básicas e resolvemos fazer nas nossas. E para nossa surpresa, isso fez muita diferença. Durante as entregas, as mulheres nos agradeciam e relatavam que estavam precisando muito do absorvente", contou Angelo Delcaro, que faz parte do projeto.

O projeto Faz Bem Vix realiza campanhas específicas entre amigos do bairro para distribuição de cestas básicas, que agora tem o absorvente como um dos itens obrigatórios. O grupo já está recebendo doações para a campanha de Natal, que deverá atender famílias no Morro do Quadro e no Morro do Romão. 

Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelo perfil do projeto no Instagram ou pelo Boêmios do Jardan. Eles recebem tanto doações em dinheiro quanto os produtos.

  • Vix Invisível

O projeto Vix Invisível nasceu em outubro de 2020 e assiste pessoas em situação de rua que, na maioria das vezes, estão invisíveis aos olhos da sociedade. Além de alimentos e roupas, o grupo também arrecada e distribui itens de higiene feminina nas ruas da Capital.

A ideia, segundo a co-fundadora do projeto, a estudante Paola Hott, é oferecer mais dignidade às mulheres.

"Em uma das primeiras ações, eu encontrei uma moça que estava andando com as pernas coladas uma na outra. Ela estava menstruada e sem calcinha, e me pediu absorvente porque não tinha. Aquilo foi um choque para mim, porque achei que era uma coisa básica você ter um absorvente, porque é, mas muitas mulheres em situação de invisibilidade social não têm", relatou.

"Agora, todas as vezes que vamos para as ruas, assistimos essas mulheres com produtos de higiene íntima, que para elas são considerados artigos de luxo como calcinhas, absorventes, sabonetes", completou. 

O projeto recebe doações de parceiros, empresas ou quem queira ajudar para realizar as ações. A ajuda pode ser feita por meio de transferência bancária ou Pic Pay. Mais informações podem ser consultadas no site do projeto (vixinvisivel.com) ou pelas redes sociais. 

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