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Jovens mulheres e mesmo adolescentes dedicam parte das suas rotinas para ajudar ao próximo
Jovens mulheres e mesmo adolescentes dedicam parte das suas rotinas para ajudar ao próximo. Crédito: Arte A Gazeta

As meninas e jovens do ES que dedicam a vida para ajudar quem precisa

A pouca idade não é empecilho para que elas arregacem as mangas e deixem um pouco de lado as atividades típicas da juventude para estender a mão ao próximo

Tempo de leitura: 4min
Publicado em 25/12/2021 às 02h00

Aos 18 anos, a universitária Paola Leal entrou em um ônibus na Serra e viajou até Roraima para trabalhar como voluntária, ajudando pessoas que atravessaram a fronteira e vieram da Venezuela para o Brasil. Era o auge da crise migratória no país, em 2018. A experiência, ela diz, mudou a maneira como enxergava a vida.

“Vi muita miséria, criança passando fome, gente dormindo em caixa de papelão, abrigos precários, muito abuso sexual infantil. É algo que vira a chave na nossa cabeça. Até para olhar mais para dentro, onde eu estou, e pensar em como eu posso ajudar”, relata.

Atualmente com 21 anos, Paola é cofundadora do projeto Vix Invisível, que atende moradores de rua e dependentes químicos em Vitória. Ela e mais quatro jovens coordenam um time de 160 voluntários e organiza parcerias com 15 outras organizações.

Paola Leal, cofundadora do Vix Invisível
Paola Leal, cofundadora do Vix Invisível. Crédito: Divulgação/ Isadora Santos

“Se a pessoa quiser sair da rua, a gente tem para onde encaminhar, se quiser cortar o cabelo, se quiser procurar emprego, a gente tem contato para tudo”, conta.

Ela diz que teve desde muito jovem o exemplo dos pais, que se engajaram em projetos sociais da igreja que frequentavam. “Cresci com tudo, mas sempre tive a noção de que tem muita gente que não tinha o básico”, afirma.

AULA ON-LINE PARA MENINAS NO SERTÃO DA BAHIA

Uma viagem também foi o que despertou a vontade de Laura Paiva, de 16 anos, a criar um projeto social para mudar a vida de pessoas que tinham menos do que ela. Aos 13, ela visitou pela primeira vez a comunidade quilombola de Terrinha, no sertão da Bahia. Desde então, buscava formas de ajudar de maneira mais perene aquela população.

"É uma realidade muito diferente da nossa, me senti egoísta de ter reclamado de coisas que são bobas. Ver pessoas em contexto tão diferente me chocou e impactou muito”, conta.

Laura Paiva, fundadora do Educa Torrinha
Laura Paiva, fundadora do Educa Torrinha, em Torrinha, antes da pandemia. Crédito: Divulgação

Com a pandemia, em 2020, ela passou a estudar remotamente e teve a ideia de promover educação à distância também para os moradores da comunidade. O público escolhido foram meninas de cerca de dez anos.

“A ideia é pegar as dez meninas e acompanhá-las durante dez anos até que entrem numa faculdade. A intenção é levar elas para o ensino superior, que é muito longe da realidade delas hoje”, diz.

O projeto Educa Terrinha conseguiu doações de tablets e recursos financeiros para levar rede de wi-fi ao local. Assim, monitoras de todo o país conseguem dar suporte educacional às meninas atendidas.

Laura Paiva, fundadora do Educa Torrinha
Laura Paiva, fundadora do Educa Torrinha. Crédito: Divulgação

Uma das voluntárias é Sara Carvalho, que está no ensino médio e dá mentoria em Português para uma menina de 9 anos que sonha em ser veterinária. “Ela está no quarto ano, mas tem dificuldade de ler e escrever, que são coisas que deveria saber. Faço leitura de textos com ela”, diz.

Ela e Laura contam que foram influenciadas pelo trabalho feito pelos pais no Instituto Água Viva, que atua no sertão do Nordeste com projetos de geração de renda, saúde e educação.

O exemplo dos pais também foi o estopim para que outras jovens decidissem arregaçar as mangas e abrir mão de atividades típicas da juventude para fazer a diferença na vida de outras pessoas.

SOLIDARIEDADE QUE ENVOLVE TODA A FAMÍLIA

Glenda de Paula Ferreira tem só 14 anos, mas divide atualmente o tempo entre os estudos - ela está no oitavo ano do ensino fundamental - e o trabalho voluntário no projeto Recriar ES, que fica no bairro Boa Vista II, em Vila Velha.

“Eu amo fazer esse trabalho, ajudar as pessoas. A gente entrega cesta básica, arruma, passa pano, limpa o local”, lista as atividades que executa no local.

Glenda é enteada da Melissa Emanuelle, de 29 anos, fundadora do projeto que atende a quase 200 crianças em situação de vulnerabilidade. Lá, elas fazem as refeições e ainda têm aulas de luta, inglês, balé, entre outras atividades.

Dentro do Recriar ES há também um grupo de adolescentes entre 14 e 24 anos que trabalha para combater a pobreza menstrual, arrecadando e doando materiais de higiene pessoal como absorventes a mulheres e meninas que não podem comprar.

Melissa sabe como é se envolver em causas sociais desde muito jovem. “Faço isso desde os 17 anos, fui palhaça de hospital, já servi marmita na rua, café da manhã em porta e hospital e hoje tenho o projeto Recriar. É uma necessidade pra mim. Eu reuni toda a minha família nisso”, relata.

Moradora do morro do Quadro, em Vitória, Maria Eduarda Propheta, 18 anos, sempre quis fazer algum tipo de atividade voluntária, mas tinha dificuldades em encontrar seu lugar. Quando terminou o curso básico de dança na Fafi, decidiu que vai dar aulas de balé para crianças atendidas pela Central Única das Favelas (Cufa).

“O que sempre me motivou foi a questão de morar no mesmo local e ver que muitas pessoas não tiveram oportunidade como eu tive, como de fazer aula de balé. Até então não tinha como proporcionar isso para elas, mas a partir de agora vai ter”, diz a estudante.

Maria Eduarda Propheta dará aulas de balé para crianças
Maria Eduarda Propheta dará aulas de balé para crianças. Crédito: Arquivo pessoal

Ela começa a atuar na Cufa do bairro Estrelinha em Vitória no ano que vem e está empolgada com a perspectiva de transmitir o que sabe para outras meninas.

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