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Você sabe o que é tanorexia? Dermatologista alerta para riscos do vício em bronzeamento

Você sabe o que é tanorexia? Dermatologista alerta para riscos do vício em bronzeamento

A condição está intimamente ligada a transtornos de ansiedade e à dismorfia corporal, que é quando a percepção que a pessoa tem do próprio corpo não condiz com a realidade

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 09:00

Mulher muito bronzeada
Os sinais mais claros surgem quando o hábito de se bronzear começa a ditar a rotina Crédito: Shutterstock/ Anton Vierietin

A tanorexia, ou vício em bronzeamento, é um termo utilizado para descrever a obsessão compulsiva por manter a pele bronzeada. O nome é uma combinação de tanning (bronzeamento, em inglês) com anorexia, devido às semelhanças psicológicas com os transtornos alimentares.

Assim como uma pessoa com anorexia pode se olhar no espelho e se sentir acima do peso mesmo estando muito magra, quem sofre de tanorexia se enxerga "pálido" ou "branco demais", mesmo que sua pele já esteja profundamente bronzeada ou até lesionada pelo sol. "A tanorexia é um termo utilizado para descrever a dependência excessiva e compulsiva pela exposição solar ou por métodos de bronzeamento artificial. Por mais que não seja um diagnóstico dermatológico isolado, ela se comporta como um transtorno dismórfico corporal, onde o indivíduo desenvolve uma necessidade psicológica de estar sempre com a pele escura, bronzeada", explica a dermatologista Pauline Lyrio. 

A médica conta que a condição está intimamente ligada a transtornos de ansiedade e à dismorfia corporal, que é quando a percepção que a pessoa tem do próprio corpo não condiz com a realidade. "Estudos sugerem que a exposição UV libera endorfinas no cérebro, criando um ciclo de recompensa semelhante ao de outras dependências químicas, criando um comportamento compulsivo. Isso faz com que a pessoa sinta sintomas de abstinência, como irritabilidade e angústia, quando não consegue se expor ao sol".

Os sinais mais claros surgem quando o hábito de se bronzear começa a ditar a rotina: a pessoa deixa de ir a compromissos sociais ou profissionais para ficar ao sol, apresenta ansiedade extrema se o dia estiver nublado e ignora deliberadamente queimaduras ou descamações visíveis. Uso repetido de câmaras de bronzeamento artificial. "Outro alerta é a 'cegueira do bronzeado', quando o paciente, já visivelmente escurecido ou até com lesões, ainda se descreve como 'pálido' ou 'desbotado'".

Pauline Lyrio
Pauline Lyrio explica a  obsessão compulsiva por manter a pele bronzeada Crédito: Divulgação

Na prática clínica, notamos que o paciente nunca se sente 'bronzeado o suficiente', independentemente do tom que já alcançou

Pauline Lyrio

Dermatologista

Entenda os riscos 

A obsessão compulsiva por manter a pele bronzeada pode trazer riscos para a saúde. A médica explica que eles são severos e divididos em duas frentes: a saúde mental, que demanda acompanhamento psiquiátrico para tratar a compulsão, e a saúde física da pele. "Do ponto de vista dermatológico, estamos falando de danos celulares profundos que podem levar a cicatrizes, manchas irreversíveis e, no cenário mais grave, ao desenvolvimento de tumores malignos", diz Pauline.

A dermatologista conta que o sol tem efeito cumulativo e a pele 'guarda' o dano de cada exposição desprotegida. A curto prazo, a pessoa tem queimaduras e insolação. "A longo prazo, enfrentamos o fotoenvelhecimento precoce (rugas profundas e flacidez) e, principalmente, o aumento drástico no risco de câncer de pele, incluindo o melanoma, que é o tipo mais agressivo e com potencial de metástase".

Usar camas de bronzeamento também é perigoso. Elas, que foram proibidas no Brasil para fins estéticos pela Anvisa desde 2009, emitem radiação UVA concentrada, que penetra profundamente na derme, destruindo fibras de colágeno e alterando o DNA celular. "Torrar" no sol ou nessas máquinas acelera o surgimento de ceratoses actínicas (lesões pré-cancerígenas) e manchas que dão um aspecto envelhecido e "coureado" à pele.

Pauline reforça que o único bronzeado 100% seguro é aquele que não agride o DNA da pele: o uso de autobronzeadores tópicos (cremes e mousses) ou o bronzeamento a jato (spray). "Esses produtos reagem com a queratina na camada mais superficial da pele para dar cor, sem necessidade de radiação. É a solução perfeita para quem quer o efeito estético 'dourado' sem pagar o preço do envelhecimento precoce ou do risco de câncer", diz.

A orientação é usar o protetor solar sempre e de forma rigorosa. "Ele é o melhor creme anti-idade que existe. No nosso estado, com incidência solar alta o ano todo, ele deve ter FPS no mínimo 30 e ser reaplicado a cada três horas, ou a cada duas horas se houver suor ou contato com água. A proteção não deve ser vista como uma barreira para a diversão, mas como o seguro de vida da sua pele", finaliza.

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