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Publicado em 6 de março de 2026 às 15:05
O ator Jackson Antunes, de 65 anos, passou por uma cirurgia de transplante de rim. Em entrevista ao Fantástico, que será exibida no próximo domingo (08), ele desabafou sobre a insegurança do problema no órgão que é fundamental para a vida. “Não tem coisa mais terrível que é dor. Não tem coisa mais terrível do que você não ver esperança”.
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O órgão foi doado pela esposa, Cristiana Britto, sua companheira há mais de três décadas. "Meu maior medo era não estar perto dele", confessou Cris na entrevista. E o ator falou ainda sobre a doença, e a expectativa pelo transplante: "Não tem coisa mais terrível que a dor. Não tem coisa mais terrível que você não ter a esperança", refletiu.>
O transplante renal é um tratamento indicado para pessoas que têm perda muito avançada da função dos rins, quando esses órgãos já não conseguem mais realizar adequadamente funções essenciais do corpo, como filtrar o sangue, eliminar toxinas e ajudar no controle de líquidos, sais minerais e pressão arterial. Nesses casos, o transplante pode ser uma alternativa à diálise e, para muitos pacientes, representa mais qualidade de vida, mais autonomia e uma nova perspectiva de tratamento. >
O nefrologista Américo Cuvello Neto, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que transplante renal é indicado para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado. "Nos pacientes com diabetes, é recomendado quando a função renal está inferior a 15% da função renal normal, e em pacientes não diabéticos quando a função renal está inferior a 10%. Todavia, todos os possíveis candidatos devem ser submetidos a uma avaliação clínica e laboratorial rigorosa, realizada por um nefrologista". >
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O transplante pode ser realizado com doador falecido, ou seja, um doador em morte encefálica, cujos órgãos são ofertados após abordagem e consentimento dos familiares para esse ato. O doador também pode ser vivo, podendo ser um parente ou um doador vivo não parente. "O transplante renal é um procedimento cirúrgico realizado por urologistas ou por cirurgiões gerais com treinamento específico em transplante renal", diz o médico.>
Américo Cuvello Neto
NefrologistaEntre os mais comuns estão infecções e a possibilidade de rejeição do órgão nas fases iniciais do transplante. "Nas fases mais tardias, podem ocorrer complicações como doenças cardiovasculares e doenças oncológicas. Por isso, o acompanhamento médico contínuo após o transplante é fundamental para o monitoramento dessas possíveis complicações", reforça Américo Cuvello Neto. >
Embora o transplante seja o "padrão-ouro" para o tratamento da insuficiência renal, o rim transplantado tem o que os médicos chamam de sobrevida útil. Em média, um rim de um doador vivo (como o caso do Jackson Antunes, que recebeu da esposa) costuma durar entre 15 a 20 anos. Já o rim de um doador falecido costuma durar entre 10 a 15 anos. >
"A duração do rim transplantado varia de acordo com rim recebido. Se for de doador vivo, varia entre 15 a 20 anos (ou mais), e de rim de doador falecido, de 10 a 15 anos. Alguns rins podem funcionar por mais de 25 anos, dependendo do cuidado do paciente e da compatibilidade", diz o nefrologista Sérgio Gobbi, da Rede Meridional.>
Após o transplante o paciente precisa tomar corretamente suas medições. Em principal os medicamentos imunossupressores, mas é necessário realizar consultas e exames periódicos. "Deve manter uma alimentação saudável, evitar ambientes insalubres e evitar contato com pessoas doentes, principalmente, nos primeiros meses".>
O nefrologista Américo Cuvello Neto explica que o receptor de transplante deve tomar medicações específicas, chamadas imunossupressores, que são utilizadas para evitar a rejeição do órgão doado. Também é necessário manter seguimento médico regular. "Nos primeiros três meses após o transplante, recomenda-se evitar aglomerações, pois elas aumentam a disseminação de doenças infecciosas. Também é importante lavar as mãos com frequência ou utilizar álcool em gel antes de realizar qualquer procedimento com as mãos. Após os primeiros seis meses, os cuidados continuam sendo necessários, embora algumas medidas possam ser flexibilizadas conforme orientação médica". O paciente deve seguir com acompanhamento médico para garantir o bom funcionamento do órgão transplantado e para a identificação precoce de qualquer alteração. >
O Brasil é o segundo maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A lista para transplantes é única e vale tanto para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto para os da rede privada.>
A compatibilidade sanguínea é o primeiro fator analisado, seguida pela compatibilidade de peso, altura e genética entre doador e receptor. Cada tipo de órgão tem critérios de gravidade próprios que também influenciam a posição na lista. "Quando os critérios técnicos são semelhantes, a ordem cronológica de cadastro, ou seja, a ordem de chegada, funciona como critério de desempate", explica o Ministério da Saúde. Pacientes em estado crítico são atendidos com prioridade, em razão de sua condição clínica. >
Sérgio Gobbi diz que existem dois tipos de transplante renal. O transplante renal doador falecido e o transplante renal doador vivo. "Um paciente com critérios corretos é inscrito no Sistema Nacional de Transplante. São critérios rigorosos, para receber o rim. No rim de doador vivo, familiares, cônjuge e em casos especiais, pessoas sem parentesco (com autorização judicial) podem doar. Já no rim de doador falecido, os doadores são pessoas com morte encefálica confirmada e autorização da família".>
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