Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Se Cuida
  • Bebês reborn: brincar com bonecas na vida adulta é um problema?
Hiper-realistas

Bebês reborn: brincar com bonecas na vida adulta é um problema?

Psicólogo explica que o comportamento por si só não é indicativo de nenhum transtorno e nem problema prévio

Publicado em 23 de Maio de 2025 às 13:13

Redação de A Gazeta

Publicado em 

23 mai 2025 às 13:13
Bebês reborn
Os bebês reborn, bonecos hiper-realistas, conquistaram adultos em todo o mundo Crédito: Shutterstock/ Davaiphotography
Eles parecem reais, pesam como um recém-nascido, têm textura de pele humana, detalhes minuciosos e vêm com enxoval completo. Os bebês reborn, bonecos hiper-realistas, conquistaram adultos em todo o mundo. O fenômeno, embora muitas vezes tratado como hobby ou arte, levanta discussões profundas no campo da saúde mental.
Segundo o psicólogo Alexandre Vieira Brito, o vínculo com objetos simbólicos não é incomum na psicologia humana. “O apego aos bebês reborn pode ser compreendido dentro da lógica da transferência emocional: o boneco representa algo significativo para a pessoa, como um filho perdido, um desejo não realizado ou até uma figura de afeto idealizada. No entanto, o que preocupa é o apego excessivo".
O psicólogo, que também é professor do Unesc, ressalta que há estudos que mostram que objetos transicionais, como bonecos e pelúcias, ajudam a mediar emoções e servir de suporte emocional em momentos de perda, ansiedade ou solidão. “Embora normalmente estejam associados à infância, esses vínculos podem persistir ou ressurgir na vida adulta”, disse.
A psiquiatra Karen de Vasconcelos vê a busca por bebês reborn como uma tentativa de preencher lacunas emocionais em alguns casos. “Essa relação afetiva com o boneco pode revelar um vazio, seja pela perda de um filho, perdas gestacionais, solidão extrema e até traumas não elaborados ao longo da vida. A prática é comum em mulheres que sofreram abordos espontâneos ou que não puderam ter filhos”, explica.
Quando questionado sobre a normalidade de se brincar com bonecos na fase adulta, o psicólogo Alexandre Vieira Brito disse que o comportamento por si só não é indicativo de nenhum transtorno. “Brincar pode ter valor emocional, artístico ou terapêutico. Tudo depende do contexto e do impacto na vida funcional da pessoa”, explicou.
Ele acrescenta ainda que se o indivíduo mantém uma rotina, trabalha, tem autocuidado, lida com a realidade de forma equilibrada, mantém relações sociais, a presença do boneco é apenas uma extensão emocional. “Assim como as pessoas colecionam vários objetos, podem colecionar bebês reborn”.
A psiquiatra explica que a utilização desses bonecos é reconhecida como recurso terapêutico com resultados positivos na redução da agitação e da ansiedade. “No entanto, quando a pessoa começa a negar a natureza simbólica do boneco, tratando-o como um ser vivo, criando uma rotina exclusiva em função dele e se afastando da vida social ou do contato humano, há um sinal de ruptura com a realidade. Se uma pessoa entra em crise emocional porque se afastou do boneco, por exemplo, ele deixa de ser uma ferramenta emocional e se transforma em uma muleta psicológica que, possivelmente, indica transtorno como depressão, transtorno de personalidade ou mesmo episódios psicóticos”, alerta Karen de Vasconcelos.
O  psicólogo diz que quando a pessoa começa a comparar experiências afetivas, corre o risco de haver uma alienação e ter prejuízos no vínculo social com outras pessoas. "Além de prejuízos psicológicos também quanto a sua capacidade de simbolização. É esse limite entre ter o bebê reborn como simbólico ou se alienar na experiência que devemos ter atenção". 
Cada caso precisa e deve ser analisado de forma particular. Todo ser humano é único e reage de formas distintas diante das situações. Não podemos generalizar o apego aos reborns como sinal de doença mental
Alexandre Vieira Brito - Psicólogo
O assunto, apesar de muito polêmico ultimamente, requer um olhar cuidadoso para o tema. “Não sabemos o que as pessoas enfrentam no seu dia a dia. Precisamos apoiá-las, fazer um acolhimento empático e sem julgamentos. Dialogar, observar os sinais e, se necessário, sugerir acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. A família e os amigos desempenham papel importante ao incentivar o autocuidado e a propor redes de apoio afetivo. Há casos em que torna-se necessário fazer o uso de medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos como parte do tratamento, sempre sob orientação de especialistas”, finaliza Karen de Vasconcelos.

Regulação emocional

A psiquiatra Luana Dantas, da Holiste Psiquiatria, diz que é importante lembrar que adultos também utilizam elementos do mundo lúdico como forma de prazer e regulação emocional — como no caso dos games. “Não há problema em um adulto brincar, jogar ou cuidar de algo simbólico. O que precisamos avaliar é a intensidade, a frequência e, principalmente, o impacto na vida real. Quando há prejuízo funcional ou sofrimento, é sinal de que algo precisa ser olhado com mais cuidado”, orienta.
Esse tipo de comportamento pode estar associado a quadros como depressão, transtornos de ansiedade ou mesmo luto não elaborado. “Há pessoas que alimentam uma fantasia intensa com o reborn, tratando-o como um bebê real em todos os aspectos. Se isso vier acompanhado de isolamento, recusa em lidar com outras pessoas, ou sofrimento evidente ao se separar da boneca, é importante procurar ajuda especializada”.
Para familiares e amigos que convivem com alguém muito apegado a uma boneca reborn, o olhar deve ser de acolhimento, sem julgamentos, mas com atenção aos sinais. “Nem todo apego é patológico. O problema não está no objeto em si, mas na função que ele cumpre na vida da pessoa. Se ela está emocionalmente estável, mantendo uma rotina funcional, e usa a boneca como hobby ou expressão afetiva, não há motivo para preocupação. Mas se há sofrimento envolvido, a escuta e o suporte psicológico são fundamentais”, conclui Luana.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Editais e Avisos - 25/10/2026
Imagem de destaque
Quase mil pessoas são presas após confrontos em mais um dia de protestos em massa na França
Imagem de destaque
Pesquisa mostra vantagem de Pazolini, mesmo com esforço de Ricardo, diz diretor da Quaest

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.