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Água do frango causa intoxicação? Os riscos do suco da Milena no BBB 26

Água do frango causa intoxicação? Os riscos do suco da Milena no BBB 26

Pequenas quantidades da água liberada pelo frango já podem ser suficientes para causar a infecção, com surgimento de diarreia, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos

Publicado em 30 de março de 2026 às 17:30

Milena ao preparar um “suco” com a água liberada pelo frango cru
Milena ao preparar um “suco” com a água liberada pelo frango cru Crédito: Reprodução @BBB/TV Globo

No Big Brother Brasil, a atitude de Milena ao preparar um “suco” com a água liberada pelo frango cru para provocar outro participante repercutiu nas redes sociais e levantou uma dúvida importante: a ingestão desse líquido pode representar riscos à saúde?

A médica nutróloga Marcella Garcez diz que sim. “A água liberada do frango cru pode conter bactérias como Salmonella e Campylobacter, que são causas frequentes de infecção alimentar. E pequenas quantidades já podem ser suficientes para causar a infecção, pois a dose infectante da Salmonella pode ser relativamente baixa, especialmente em crianças, idosos, gestantes e imunossuprimidos. Dependendo da cepa e da susceptibilidade individual, a ingestão de poucas centenas a milhares de bactérias já pode desencadear doença, o que torna relevante evitar qualquer contato com a água do frango cru”, explica a  diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). 

De acordo com a médica, os sintomas mais comuns são diarreiador abdominal, febre, náuseas e vômitos, geralmente iniciando entre 6 e 48 horas após a ingestão. “Além disso, o paciente também pode apresentar mal-estar, cefaleia e, em alguns casos, diarreia com muco ou sangue”, acrescenta Marcella. Na maioria dos adultos saudáveis, o quadro é autolimitado e leve a moderado, durando em média de 3 a 7 dias.

“Porém, pode ser grave em idosos, crianças pequenas, gestantes e imunossuprimidos, com risco de desidratação e disseminação sistêmica”, diz a especialista, que explica que o tratamento é, principalmente, de suporte, com hidratação oral ou intravenosa. “Antibióticos são reservados para casos graves ou para grupos de risco, pois o uso indiscriminado não reduz a duração da doença e pode prolongar a eliminação bacteriana”, detalha.

Em casa, o risco está principalmente na contaminação cruzada, já que a água do frango pode contaminar mãos, utensílios, pia e outros alimentos, facilitando a ingestão das bactérias e aumentando a chance de infecção. Por isso, é importante adotar alguns cuidados, como não lavar o frango. “Lavar o frango não remove o risco de Salmonella. Pelo contrário, pode piorar a situação. A prática favorece a proliferação de microrganismos nocivos que são espalhados junto com a água nas superfícies ao redor, aumentando o risco de contaminação cruzada e, consequentemente, de infecção alimentar. E não há necessidade de se preocupar com bactérias, pois elas serão eliminadas pelo calor durante o preparo adequado do alimento”, pontua a médica.

Também é importante tomar cuidado ao descongelar o frango, o que nunca deve ser feito em temperatura ambiente e sim sob refrigeração. “Vale ressaltar que o congelamento não elimina a Salmonella, apenas reduz a multiplicação bacteriana. As bactérias podem sobreviver ao congelamento e voltar a se multiplicar após o descongelamento”, diz  Marcella Garcez.

Outras medidas fundamentais para evitar o risco de infecção alimentar incluem usar tábuas e facas diferentes para alimentos crus e prontos, higienizar as mãos e utensílios após manipular frango cru, manter alimentos crus separados dos prontos e, claro, prestar atenção na hora de preparar os alimentos, garantindo que eles sejam adequadamente cozidos. “É recomendado cozinhar completamente até temperatura interna de pelo menos 74°C, o que elimina Salmonella”, finaliza a médica nutróloga.

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