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Pesquisa detectou até 45 mil bactérias e 9 mil fungos em latinha de cerveja

Análise foi feita com produtos comprados em supermercados, padarias, postos de combustíveis e bares em Campinas (SP). Veja dicas para consumo no carnaval

Publicado em 20/02/2020 às 17h39
Vendedor ambulante em bloco de carnaval: pesquisa apontou presença de mais de 45 mil bactérias em uma latinha de cerveja. Crédito: Shutterstock
Vendedor ambulante em bloco de carnaval: pesquisa apontou presença de mais de 45 mil bactérias em uma latinha de cerveja. Crédito: Shutterstock

A multidão segue atrás do bloco. Uns com cervejinha, outros com refri ou água mineral, e a folia vai até de madrugada. Muitos exagerando na dose e poucos se preocupando com a higiene dos produtos que estão consumindo na rua.

Mas deveriam se preocupar. Uma pesquisa mostrou que uma única latinha de cerveja estava contaminada com milhares de bactérias e fungos, micro-organismos que podem causar doenças como diarreia, vômito, febre, entre outros problemas de saúde.

A pesquisa foi feita por uma microbiologista em Campinas (SP), que analisou 31 latinhas de bebidas, como cerveja, suco e refrigerante que estavam sendo vendidas em estabelecimentos na cidade – supermercados, padarias, postos de combustíveis e bares - e encontrou, em apenas uma delas, 45 mil bactérias e 9,7 mil fungos. Em outro produto, havia 12 mil bactérias e 2,6 mil fungos.

Em época de carnaval, em que muita gente consome comidas e bebidas de vendedores ambulantes, diretamente nos blocos de rua, vale uma atenção maior.

A professora de microbiologia da UVV Clarisse Arpini afirma, no entanto, que essa quantidade de bactérias e fungos encontrados nas amostras está dentro da normalidade. "A gente deve evitar fazer muito alarde. Parece muita coisa, mas essa quantidade de micro-organismos está dentro do padrão aceitável de contaminação, por incrível que pareça. Talvez o certo fosse mudar a legislação, não sei", pondera.

O que não quer dizer que os foliões não devam se atentar para a higiene dos produtos que estão comprando por aí. Porque o problema, segundo a especialista, é que mesmo numa quantidade pequena de micro-organismos pode haver a presença de alguns patogênicos, que podem causar males à saúde. "O principal deles é o do grupo dos coliformes, como o Escherichia coli", cita ela.

Quando se diz coliformes, significa que há presença de fezes nas latas.

A questão, diz Clarisse, é como essas latinhas de bebida estão sendo armazenadas. "Elas ficam em toneis ou caixas de isopor com os ambulantes, o que é muito comum agora no carnaval. Com a temperatura lá em cima, o gelo derrete muito rápido, propiciando uma proliferação microbiana. Pode ser até que o gelo ali dentro por si só já esteja contaminado, contaminando as latinhas".

As dicas

Uma dica é tentar, ao máximo, evitar levar a lata diretamente à boca. "Se possível, o ideal é higienizar a latinha antes de fazer uso dela. Pode pegar um guardanapo e limpar a borda da lata. Isso pode minimizar o risco. Outra dica é usar canudos", orienta a professora.

Para algumas pessoas, um pequeno contato com uma área contaminada por ser suficiente para desencadear um mal-estar. "Pessoas com alguma predisposição, uma baixa imunidade ou crianças, gestantes e idosos, por exemplo, são um pouco mais suscetíveis ao desenvolvimento de alguma doença", afirma Clarisse.

Clarisse Arpini

Professora de microbiologia

"Se possível, o ideal é higienizar a latinha antes de fazer uso dela. Pode pegar um guardanapo e limpar a borda da lata. Isso pode minimizar o risco. Outra dica é usar canudos"

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