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Energético faz mal? Candidato Red Bull do Espírito Santo revive polêmica

Após candidato eleito posar com lata de energético durante vitória no segundo turno em Vila Velha, debate sobre os perigos do consumo de bebidas estimulantes volta à cena

Rede Gazeta
Publicado em 03/12/2020 às 15h03
Arnaldinho Borgo comemora com a bebida Red Bull sua vitória ao cargo de prefeito de Vila Velha. Durante a campanha Max Filho, candidato a reeleição derrotado, chamou Arnaldinho  de candidato Red Bull
Arnaldinho Borgo comemora com a bebida Red Bull sua vitória ao cargo de prefeito de Vila Velha. Durante a campanha Max Filho, candidato a reeleição derrotado, chamou Arnaldinho de candidato Red Bull. Crédito: Carlos Alberto Silva

Se antes a vitória era celebrada com uma taça, dessa vez ela foi simbolizada por uma lata de energético. Em tom de ironia, o candidato Arnaldinho Borgo (PODE), no domingo (29), ergueu um Red Bull para provocar o segundo colocado das eleições para prefeito de Vila Velha.

Isso porque durante um debate realizado por A Gazeta, Max Filho (PSDB) ironizou o rival que, em uma entrevista, afirmou a necessidade de se ter energia para governar a cidade. O candidato do PSDB disse que os problemas do município não seriam resolvidos tomando Red Bull.

De cima do trio elétrico, Arnaldinho Borgo rebateu as provocações ao lado do vice Victor Linhalis (Solidariedade), e do prefeito de Viana e presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel. “Me chamaram de menino, mas esse menino tem muita energia e não precisa de Red Bull para comandar Vila Velha”, alfinetou.

Essa polêmica bebida sempre levantou discussões na sociedade em relação ao consumo excessivo que pode levar à dependência ou a combinações perigosas com bebidas destiladas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já considerou o energético como um perigo em potencial para a saúde pública. Diante de tantas informações, ouvimos especialistas para nos revelar quais os reais problemas em se tomar essa bebida estimulante.

Juliana Tinelli, 42, é nutricionista e chama atenção para o consumo exagerado de energéticos
Juliana Tinelli, 42, é nutricionista e chama atenção para o consumo exagerado de energéticos. Crédito: Juliana Tinelli

Para a nutricionista Juliana Tinelli consumir energético em excesso pode representar riscos do indivíduo, mas é importante avaliar alguns fatores antes. Ela afirma que cada um responde de forma diferente ao produto, podendo apresentar problemas cardíacos, hipertensão, insônia e até queda de rendimento.

Tudo isso devido à composição dos energéticos que contêm ingredientes estimulantes e grandes quantidades de açúcar, além de cafeína (em quantidades exageradas), taurina e inositol.

“Mas o que causa a dependência é o excesso. A pessoa que ingere muito pode sofrer uma queda de energia muito brusca no organismo após consumir, chamada de efeito rebote. Isso causa uma dependência porque ela sente a necessidade de ficar o tempo todo ligado,  estimulando essa produção”, comentou a nutricionista.

Betina Rezende, 23, trabalha com marketing e se considera viciada em energético
Betina Rezende, 23, trabalha com marketing e se considera viciada em energético . Crédito: Betina Rezende

Betina Rezende, 23, trabalha com marketing e tem o energético como parte da rotina. Ela conta que amigos e familiares frequentemente a questionam sobre o consumo da bebida, e que desde o início da quarentena tem tentado reduzir as doses.

“Há 3 anos, mais ou menos, eu tive uma hiperglicemia com o excesso de açúcar do energético e acabei desmaiando. Desde então, tenho reduzido o consumo e prestado mais atenção na composição das bebidas. A quarentena também ajudou nesse processo, porque o home office me deu novos hábitos de trabalho e uma rotina de sono melhor“, relatou Betina.

O PERIGO DAS COMBINAÇÕES COM ENERGÉTICO

Quando combinado com outras substâncias estimulantes, o energético pode ser fatal. Em novembro do ano passado, Isabella Bueno, de 19 anos, morreu em Londrina, no Paraná, após ter misturado a bebida com cerveja. De acordo com a família, ela já apresentava quadros de problemas cardíacos e teve uma parada cardiorrespiratória com a combinação.

“Muitos jovens costumam misturar o energético com bebidas destiladas, o que eleva a pressão arterial. Os batimentos cardíacos ficam acelerados e podem demorar até dois dias para voltar ao normal“, destacou a cardiologista Kátia Vasconcellos.

Ela acrescenta ainda que muitas pessoas utilizam a bebida para enganar o cansaço e aumentar o desempenho do organismo. O perigo desse tipo de conduta é acabar mascarando outros tipos de doença. Por isso, o recomendado é regular o sono, levar uma vida mais saudável, se alimentar bem e consumir as vitaminas recomendadas.

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