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Diabetes: obesidade é fator de risco para doença que atinge milhões de brasileiros

O tratamento é baseado em dieta restrita em carboidratos, atividade física e medicamentos que podem ser orais, injetáveis ou inaláveis

Publicado em 13/11/2020 às 05h00
Atualizado em 13/11/2020 às 05h00
Teste de glicemia para diabético; diabetes
O exame de glicemia capilar (ponta de dedo) é realizado quando o paciente já apresenta alguns sintomas característicos. Crédito: Shutterstock

Amanhã, dia 14/11, é celebrada a campanha do Dia Mundial do Diabetes, criada em 1991 pela International Diabetes Foundation (IDF), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A data foi criada para chamar a atenção para a conscientização e prevenção da doença que, segundo dados da OMS, atinge 16 milhões de brasileiros, sendo que metade dessas pessoas desconhece o diagnóstico. E mais: a taxa de incidência aumentou 61,8% mundialmente nos últimos dez anos, e o número crescente de casos da doença está diretamente relacionado à má alimentação, sedentarismo e obesidade.

O diabetes, que é o excesso de açúcar no sangue, é uma doença silenciosa que aparece quando o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente ou quando o organismo não pode mais usar a insulina de forma eficaz. A insulina é usada pelo corpo para estimular as células a absorver a glicose advinda dos carboidratos digestíveis para a corrente sanguínea.

A endocrinologista da Samp, Letícia Barbosa Martins, explica que a doença pode ser detectada bem no início e  antes que apareçam quaisquer sintomas, mas, infelizmente, os sintomas aparecem quando a doença já está em fase mais avançada. "Por isso é tão importante a prevenção. A descoberta é feita com exames simples de glicemia em jejum e hemoglobina glicada ou através da glicemia capilar (ponta de dedo) quando o paciente já apresenta alguns sintomas característicos". 

Existem vários tipos de diabetes: tipo 1, tipo 2, Mody e Lada, porém o mais comum é o diabetes tipo 2. No caso do tipo 1, geralmente a doença se manifesta muito precocemente. E é causada por autoimunidade contra as células pancreáticas produtoras de insulina. "O tipo 2 começa com uma resistência da ação da insulina nos tecidos periféricos que com o tempo pode evoluir com uma insuficiência na produção da insulina pelo pâncreas. Geralmente inicia na fase adulta e tem importante fator hereditário", diz a endocrinologista.

Letícia Barbosa Martins

Endocrinologista

"O diabetes mal tratado é uma das principais causas de infarto do miocárdio, AVC, cegueira e amputações de membros"

A médica conta que a obesidade é um fator determinante para a doença. "Sabemos que as células de gordura têm importante função endócrino e metabólica produzindo substâncias pró-inflamatórias que atrapalham o bom funcionamento dos vasos e órgãos. A obesidade pode causar resistência insulínica, diabetes e hipertensão arterial sistêmica", diz Letícia Barbosa Martins. A doença, quando mal tratada, é uma das principais causas de infarto do miocárdio, AVC, cegueira e amputações de membros. 

SINTOMAS

Os sintomas característicos são sede e fome excessivas, perda de peso, sendo que visão turva, infecções genitais, dores, cansaço e fraqueza também podem aparecer. 

Lorena Lima Amato

Endocrinologista

"Os sintomas característicos são sede e fome excessivas, perda de peso, sendo que visão turva, infecções genitais, dores, cansaço e fraqueza também podem aparecer"

A endocrinologista Lorena Lima Amato explica que o diabetes pode estar relacionado a outras comorbidades. “Por exemplo, o paciente com fibrose cística, que é uma doença sistêmica, tem uma destruição de todas as glândulas exócrinas, podendo cursar com diabetes insulino dependente. Paciente com hemocromatose pode ter diabetes pelo excesso de depósito de ferro no pâncreas, além da obesidade que a principal doença relacionada ao diabetes tipo 2”, relata a endocrinologista.

TRATAMENTO

O tratamento é baseado em pilares como dieta restrita em carboidratos, atividade física e medicamentos que podem ser orais, injetáveis ou inaláveis. Difere entre crianças e adultos no que diz respeito a medicações. "Como nos pequenos o tipo 1 é o mais prevalente, a insulina e seus análogos são o tratamento de escolha. Nos adultos, o tipo 2 é o mais comum, então medicações orais e até subcutâneas podem ser utilizados e assim retardar, ou até mesmo evitar, o uso de insulina em estágios mais avançados da doença", diz Letícia Barbosa Martins.  

A prática da atividade física, a manutenção de uma alimentação balanceada -, evitando açúcares refinados, alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas, e controle do peso são fatores que ajudam na prevenção da doença. 

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