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Sofreu de ansiedade com o "apagão" do WhatsApp? Entenda se você tem nomofobia

O termo se refere a uma espécie de medo e angústia de se ficar off-line. O "apagão" mundial das redes sociais deixou fora do ar por cerca de seis horas os principais serviços do Facebook, incluindo o Instagram e o WhatsApp, impactando a vida de milhões de pessoas

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 06/10/2021 às 11h22
Pessoa usando o celular
O termo se refere a uma espécie de medo e angústia de se ficar off-line e ao medo patológico que uma pessoa tem de ficar longe de seu celular. Crédito: Freepik

Foi uma segunda-feira diferente. O "apagão" mundial das redes sociais impactou a vida de milhões de pessoas ao deixar fora do ar  ferramentas como o Facebook, Instagram e o WhatsApp por cerca de seis horas. Muitos ficaram sem saber o que fazer com as plataformas desplugadas. E como fica a vida (e a ansiedade) quando somos privados de uma hora para outra de usar as plataformas digitais?

Esse medo e angústia de se ficar off-line tem nome: nomofobia. O termo também é o medo patológico que uma pessoa tem de ficar longe de seu celular. É um fenômeno relativamente novo. Mas por que nos sentimos em perigo quando estamos longe do celular, como se nunca tivesse existido vida pré-zap? 

O psiquiatra Fabio Olmo, da clínica Aube – Cuidados da Mente, explica que durante a pandemia do coronavírus, o tempo de uso do celular aumentou à medida que nossa rotina precisou ser alterada. E as pessoas se acostumaram com o uso, se tornou um hábito e, em excesso, um vício.

"Por isso, num primeiro momento sem a possibilidade de acesso, algumas pessoas se sentem perdidas. Com a entrega constante e imediata de um excesso de informações, existe um medo de não ficar atualizado, de perder alguma coisa sobre algum assunto, e todas as características de uma dependência, o que gera sintomas ansiosos. Os aparelhos hoje aprisionam muitos jovens e adultos na frente das telas, diminuindo a qualidade de vida de maneira geral", diz Fabio. 

Usar muito a tecnologia por si só não indica dependência. Porém, é preciso perceber se o uso virtual atrapalha a vida real. O psiquiatra conta que é preciso entender o que é a compulsão e o que é a dependência.

A compulsão se caracteriza pela repetição excessiva de um pensamento ou uma ação, a fim de aliviar um desconforto psíquico. Quando está associada ao uso de substâncias (álcool, tabaco, maconha), ela pode caracterizar um quadro de dependência química. Quando não, pode caracterizar transtornos de impulso e compulsão, como é o caso de vício em internet, jogos, compras, comida, amor patológico, entre outros.

Fabio Olmo, psiquiatra
O psiquiatra Fabio Olmo fala sobr o uso do celular e das redes sociais. Crédito: Fábio Olmo

Fabio Olmo

Psiquiatra

"Nos dois casos, podemos ter o agravamento dos sintomas, como modificações no humor, desenvolvimento de tolerância até se chegar à satisfação, desejo incontrolável de usar (o celular), abstinência, aumento nos conflitos com as pessoas por causa da atividade e, é claro, recaídas"

O médico diz que as redes sociais ainda não estão como critério de agravante na Classificação Internacional de Doenças (CID), mas é um tipo de dependência de internet, com sintomas que se enquadram. "Existem diversos relatos de aumentos de transtornos mentais, como ansiedade, relacionados ao consumo excessivo de internet, principalmente redes sociais", reforça. 

DEPENDÊNCIA

O neurocientista Fabiano de Abreu  conta que, se por um lado as pessoas tiveram que passar horas longes de seus conteúdos digitais favoritos, por outro muitas revelaram o quanto estão dependentes destas ferramentas, e isso pode trazer sérias consequências para a saúde física e mental.

"Diferente das outras vezes, os aplicativos ficaram mais de 6 horas off-line. Mediante a este acontecimento, monitorei o comportamento das pessoas durante e após a volta destas redes sociais: se mediante a isso a pessoa pegou no celular para buscar constantemente algo para fazer ou analisou se já havia voltado; se a pessoa buscou outras redes sociais, isso já serve de alerta para um possível vício - a depender do grau que isso afetou, revelando o tamanho do problema”. 

Diante deste cenário, Fabiano lembra de um passado não muito distante: “Há pouco tempo não tínhamos essas redes e vivíamos. O que acontece hoje com o comodismo para que não consiga usar outros meios e argumentos no cotidiano?”, questiona.

Para saber se a pessoa está sofrendo deste vício, o neurocientista cita algumas situações que aconteceram com muitos usuários durante o período em que os aplicativos ficaram fora do ar: ficou parado olhando para o celular sem saber o que fazer; entrava nos aplicativos constantemente para ver se havia voltado; entrou em aplicativos que não costumava usar e ficou perdido são alguns dos alertas. 

Para Fabio, é preciso ter cuidado para não enxergar doenças ou distúrbios onde não existem. "Essa avaliação deve ser feita por um profissional. Ao notar sintomas persistentes, é importante marcar uma consulta com um psiquiatra e falar sobre o que está acontecendo. Cada caso é único e precisa ser avaliado individualmente. Para quem sofre com a dependência, o primeiro passo é ter o reconhecimento do problema e conseguir entender que esse uso está excessivo e atrapalhando a vida em diversos sentidos", diz o médico. 

CONTROLE

Para Flavia da Veiga, especialista em Felicidade e fundadora da BeHappier, existe um desiquilíbrio no uso da tecnologia. "Perdemos muito dessa capacidade de conectar no presencial, e isso é fundamental para a felicidade. A conexão digital não produz o mesmo efeito, em termos psicológicos, para sua percepção de felicidade como a conexão emocional presencial faz. O toque, o olhar, o abraço, a proximidade são importantes para a produção dessa percepção de felicidade".

Ela conta que temos uma necessidade de conexão social e pertencimento. "Para os brasileiros, isso é ainda mais forte. Ficar fora das redes sociais, então, na percepção que temos hoje, é se desconectar das pessoas, o que causa essa percepção de sofrimento, como se isso não fosse felicidade, quando, na realidade, é o oposto". 

Será que colados num aparelho controlamos alguma coisa ou é ele que nos controla? "Se estivermos presentes no aqui e no agora, podemos ter esse controle, ainda que a tecnologia seja projetada para nos viciar. A orientação é colocarmos limites no uso das tecnologias. Toda vez que estamos fazendo algo e paramos para olhar o celular, ver as redes sociais ou o e-mail, perdemos vários segundos até voltarmos a raciocinar e focar, por isso perdemos muito tempo. A consciência e o autocontrole são fundamentais", diz Flávia Veiga. 

VEJA OS SINAIS DE ALERTA

Se você sentiu muitos destes sintomas durante o dia ontem, é bom acender o sinal de alerta, pois são sintomas que têm relação com a nomofobia:

  • Ficou parado olhando para o celular sem saber o que fazer.
  • Entrava nos aplicativos constantemente para ver se havia voltado.
  • Entrou em aplicativos que não costumava usar e ficou perdido.
  • Sentiu agonia.
  • Vazio existencial.
  • Ficou impaciente e/ou irritado.
  • Teve a impressão de receber notificação.
  • Alteração de humor

Fonte: Fabiano de Abreu, neurocientista

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