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"Não vejo meus pais há 2 meses", diz médica na linha de frente contra a Covid-19

A infectologista Marina Da Rós Malacarne, que trabalha no São Bernardo Apart Hospital, em Colatina, faz relato de como tem sido a luta contra o coronavírus

Publicado em 07/05/2020 às 19h45
Atualizado em 07/05/2020 às 19h45
A infectologista  Marina Da Rós Malacarne trabalha na linha de frente contra o coronavírus
A infectologista Marina Da Rós Malacarne trabalha na linha de frente contra o coronavírus. Crédito: Divulgação

"Não vejo meus pais há dois meses. Todos os domingos ia visitá-los em São Gabriel da Palha, onde moram". O depoimento é da infectologista Marina Da Rós Malacarne, que trabalha no São Bernardo Apart Hospital. Desde que o primeiro caso de coronavírus surgiu no Espírito Santo, ela viu a rotina mudar. "Começamos a fazer toda a estruturação hospitalar e a preparar o hospital. Deslocamos leitos que estavam em outros setores, conseguimos mais respiradores, além de treinar a equipe", conta.

A médica, que atua no controle de infecções adquiridas no hospital e infectologia em geral, tem trabalhado 12 horas diariamente. "Meu telefone não para, inclusive nos finais de semana. O meu cansaço é muito mental, sou eu que faço os protocolos. Está sendo muito exaustivo", confessa.

Para enfrentar a Covid-19 o hospital, localizado em Colatina, criou uma ala específica com seis leitos isolados para receber os pacientes testados positivo para o coronavírus. "Sou uma avaliadora, inclusive checo os pacientes para ver se é positivo ou negativo" Atualmente duas pessoas estão internadas em estado estável. 

Marina Da Rós Malacarne é infectologista do São Bernardo Apart Hospital e trabalha no combate ao coronavírus
Marina Da Rós Malacarne é infectologista do São Bernardo Apart Hospital e trabalha no combate ao coronavírus. Crédito: Divulgação

Cuidado em casa

A médica conta que tem medo. "O medo de passar alguma coisa para a minha família aumenta a estafa mental", admite. Por isso, ela toma todos os cuidados possíveis. Além do uso dos equipamentos de proteção individual (Epis), sempre quando em chega em casa após o trabalho,  segue os protocolos de retirar a roupa e não deixar as crianças encostarem nela. "É muito doloroso porque minhas filhas querem me abraçar. Tomo banho e só depois posso pegá-las. A minha família é o meu combustível".

Religiosa, tem se apegado à fé para continuar na batalha. Conta que sente saudade dos sobrinhos e irmãos. Atuando há 8 anos como infectologista, é a primeira vez que enfrenta uma pandemia desta proporção. E diz que tem aprendido lições. "A minha filha mais nova fez aniversário e fizemos um bolo em casa. A festa da mais velha, que vai fazer 5 anos, foi cancelada. Temos que entender que é uma fase difícil e faz parte. Tenho orado muito".

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