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Crianças em quarentena: aulas virtuais viram solução e dividem os pais

Sem poder ir para a escola, o jeito é estudar no computador de casa. Mas a medida preocupa algumas famílias, que reclamam de dificuldades para acompanhar os filhos nos estudos

Publicado em 25/03/2020 às 20h41
Criança estudando pelo laptop: novas adaptações na quarentena
Criança estudando pelo laptop: novas adaptações na quarentena. Crédito: Freepik

Isolados em casa, sem poder ir à escola, crianças e adolescentes estão tendo que aprender uma nova forma de manter os estudos em dia durante a quarentena. As atividades continuam chegando, agora via Internet. Mas a medida tem dividido os pais de colégios particulares do Estado.

Alguns elogiam a iniciativa e não veem outro jeito que não este para que os filhos não percam totalmente o ritmo de estudos até a situação voltar ao normal. Já outros estão preocupados com a dificuldade para acompanhar os pequenos nas aulas virtuais.

Assim como muitos colegas de profissão, a médica Fernanda Cypreste, 39 anos, está inquieta com a situação. Temendo expor o filho e os demais familiares ao risco do coronavírus, ela tem ficado longe do menino. Théo, de 10 anos, passa os dias com os pais dela, que são idosos.

Para ela, a dificuldade está na forma como as matérias serão passadas às crianças. “Isso me angustia muito. Desde que a pandemia começou, tive que sair de dentro da minha residência, já que trabalho em Pronto-Socorro em hospital. Para zelar por todos, tive que me ausentar. Desde então, o Théo fica com os avós de 67 anos, que não podem ajudar muito pois não dominam a tecnologia”, conta.

Fernanda diz que a situação do seu filho é ainda mais particular. “O pai não mora aqui no Estado, e o Théo tem déficit de atenção. Preciso garantir o aprendizado do meu filho. Para essas crianças muito pequenas, uma aula on-line é muito complicada. Eu precisaria de uma aula gravada pelo menos, para que ele pudesse ver mais de uma vez”, comenta a médica.

"Acho que a escola está certa", diz empresária e mãe de 3 crianças

Na casa da empresária Iracema Neves, por enquanto, a nova rotina tem dado certo. Mãe de três crianças, de 1 ano, 3 e 11, ela, por enquanto, só precisa se preocupar mais com os possíveis prejuízos para o mais velho.

“Tenho uma área externa, consegui tirar os móveis para que pudessem brincar. Não é muito grande, mas dá para chutar uma bola, andar de velotrol… Depois do almoço, o mais velho começa a fazer o dever da escola. E a gente está seguindo a sugestão da escola, de estudar três matérias por dia. Tem leitura, exercícios. Não é pouca coisa. Dura a tarde toda. Até por isso tem muita mãe reclamando”, comenta ela.

O menino precisa de ajuda. “Geralmente, meu marido, que está trabalhando em casa, é que está ajudando o Lucas nos estudos. Tudo é feito via aplicativo. Mas, por enquanto, não é matéria nova ainda. É recente ainda. Foram só três dias de estudos até agora. Muitas vezes, ele não faz tudo porque fica com certa preguiça de ler. Então, a gente tem que ficar muito no pé dele”, relata Iracema.

Ela diz que muitos pais, no grupo de WhatsApp, estavam reclamando antes mesmo de a medida ser implementada. “O problema é que tem muita coisa acumulada. Gente que tem que trabalhar, fazer comida, cuidar da casa, dos filhos… Eu entendo, mas acho que a escola está certa. Não tem como não mandar nada pra casa. Se não mandam, vai ter reclamação também! Não estou dizendo que vamos conseguir fazer tudo que mandam, todas as tarefas, E vai chegar uma hora em que vai ser preciso mandar matéria nova. Ou isso ou depois vai ter que estudar de noite, final de semana, vai ficar sem férias de julho”.

A empresária sabe, porém, que não dá para ter a pretensão de assumir o papel dos professores. “É possível que a gente não consiga ensinar matérias novas. Mas é bom as crianças olharem! Depois, a gente senta com a escola e vê como vai repor isso, porque, de fato, a gente não tem capacidade para ensinar. A gente não é professor! Se depois as mães acharem que as crianças não conseguiram aprender, podem conversar com a escola e solicitar em um tipo de reforço depois que isso tudo passar”.

Iracema também acha que estudar em casa, sozinho, é mais um aprendizado para o filho. “Acho interessante, ótimo isso! Mesmo que ele não aprenda a matéria e eu não saiba ensinar, ele vai ter uma noção do que é estudar sozinho”.

Objetivo é evitar que calendário acadêmico seja prejudicado

O Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe/ES) informa que, após autorização do Conselho Estadual de Educação, orientou todas as instituições associadas a aderirem ao ensino à distância a partir da última segunda-feira (23). O objetivo, segundo o sindicato, é evitar que o calendário acadêmico de 2020 seja prejudicado pela suspensão das aulas presenciais para conter o avanço do Covid-19 no país.

“Desta forma, as instituições de ensino que possuem plataformas online vão disponibilizar as aulas em vídeos, que serão gravados pelos professores em home office. Além disso, também serão disponibilizados exercícios e os professores ficarão online em chats nos horários das aulas para esclarecer as dúvidas dos alunos”, diz o Sinepe, em nota.

Assim, as aulas presenciais serão substituídas, temporariamente, por recursos tecnológicos, como aplicativos, softwares e outras ferramentas digitais.

O sindicato afirma que adotou a medida após recomendação do Conselho Estadual de Educação (CEE-ES) e que se trata de uma autorização, concedida em caráter excepcional, amparada no Ministério da Educação e no CEE-ES.

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