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Prova não prova nada? Escolas adotam novas formas de avaliar alunos

Motivo de estresse para alunos e um desafio também para os educadores, a avaliação da aprendizagem ganha métodos mais eficientes e inovadores, que medem muito mais do que a retenção de conteúdo

Vitória
Publicado em 08/10/2021 às 02h30
Cada vez mais as escolas abandonam provas tradicionais e investem em novas formas de avaliar os alunos
Cada vez mais as escolas abandonam provas tradicionais e investem em novas formas de avaliar os alunos. Crédito: Jessica Lynn Lewis/ Pexels

Algumas décadas atrás, era difícil encontrar nas salas de aula algum professor que não lançasse mão das convencionais provas escritas, seja com questões discursivas, seja com as de múltipla escolha. Quando muito surgiam outras formas de medir o aprendizado que também se baseavam na famosa "decoreba", como os temidos testes orais.

Motivo de estresse para alunos e um desafio também para educadores, a avaliação da aprendizagem sempre esteve em debate nas escolas, que aos poucos foram incluindo novas formas de medir não apenas a retenção de conteúdo, mas também instrumentos que forneçam um diagnóstico mais completo do aluno, apontando competências e habilidades mais relevantes e outras que precisam ser mais desenvolvidas.

O avanço das tecnologias e também da sociedade trouxe ainda mais metodologias de avaliação. Isso ficou ainda mais nítido durante a pandemia e o consequente ensino remoto, em que o risco da "cola", pela internet ou pelos apps de mensagem instantânea, tornaram quase impossível a aplicação da prova tradicional.

Com isso, as escolas buscaram maneiras inovadoras de verificar não apenas o conhecimento, mas também de estimular habilidades que ficam escondidas atrás de um papel. Ganham destaque tanto as atividades avaliativas individuais, em que é possível medir avanços e necessidades de cada aluno, como tarefas coletivas, em que, de quebra, estimula-se a cooperação e a interação.

Alguns exemplos são relatórios, produção de textos de diferentes gêneros (como resenhas críticas e resumos), seminários em grupo, exploração de novos formatos, como vídeos e podcasts, além da realização de debates e até shows de talento. O importante é que cada avaliação tenha um propósito claro para os estudantes e que cada formato caminhe junto com as habilidades que devem ser trabalhadas pedagogicamente.

“O mundo está mudando e a escola precisa mudar também. Não podemos mais pensar que o conhecimento é medido em uma prova, é preciso verificar se a aprendizagem está sendo significativa para o aluno, a forma como ele alcança o conhecimento”, pontua a especialista no tema Juliana dos Santos, gestora de Educação Digital da Faesa.

Já faz algum tempo que as provas escritas deixaram de ter protagonismo na Escola Crescer PHD, em Vitória. Segundo a coordenadora pedagógica da unidade, Alba de Freitas, novas formas de verificação são postas em prática para avaliar o aluno em todas as etapas do processo de aprendizagem, não apenas na retenção ou acúmulo do conteúdo conceitual.

Na Escola Crescer, o ensino da Matemática é por meio de game, que ajuda a avaliar várias habilidades dos alunos
Na Escola Crescer PHD, o ensino da Matemática é por meio de game, que ajuda a avaliar várias habilidades dos alunos. Crédito: Crescer PHD/ Divulgação

Quando se fala em todas as etapas, é em todas as etapas mesmo. “É em uma participação na sala de aula, na apresentação de um projeto, em uma inferência que o estudante faz, na forma como ele divide o conhecimento, a criatividade, em seu desenvolvimento emocional”, explica a coordenadora.

Com os alunos da educação básica, a escola trabalha a matemática por meio de games. A própria plataforma utilizada pelo professor indica as habilidades que vão ser analisadas no jogo e o nível de desenvolvimento do estudante. Os games podem ser jogados em inglês, o que permite que o conhecimento da língua também seja explorado. “Conseguimos trabalhar duas disciplinas e avaliar habilidades dentro de um game. As crianças aprendem brincando”, conta Alba. 

O ALUNO NA SUA TOTALIDADE

Para Jacqueline Dias, coordenadora pedagógica do Colégio Marista, localizado em Vila Velha,  é importante aliar mais de uma metodologia para ter uma avaliação diferenciada, “capaz de enxergar o estudante na sua totalidade”. “Tem aluno que não se sai bem na prova escrita, mas quando você avalia dentro de um projeto, identifica habilidades fantásticas nele”, pontua.

A coordenadora pedagógica Jacqueline Dias, a aluna Giovana Vidal e a professora Fabiana Muniz, do Marista: educação midiática como forma de medir várias competências
A coordenadora pedagógica Jacqueline Dias, a aluna Giovana Vidal e a professora Fabiana Muniz, do Marista: educação midiática como forma de medir várias competências. Crédito: Marista/ Divulgação

Um dos projetos desenvolvidos no colégio é o Marista News, um telejornal produzido pelos estudantes do 5º ano do ensino fundamental. A professora Fabiana Muniz explica que os alunos são responsáveis tanto pela parte técnica do vídeo quanto pelo conteúdo. Assim, a escola coloca em prática o ensino por investigação. “Permitimos que eles desenvolvam a capacidade crítica para distinguir uma notícia de uma fake news e, assim, selecionem o que vai para o jornal”, exemplifica.

Fabiana Muniz

Professora do Marista

"A escola precisa ser inovadora nas metodologias, porque assim ela consegue valorizar o que o estudante tem de maior. Hoje, um aluno nota 10 não é aquele que tira 10 na prova, mas que tem um conjunto de habilidades"

A escola utiliza o sistema de rubrica para avaliação, uma metodologia ativa que mostra ao aluno quais habilidades vão ser avaliadas e o que se espera dele ao realizar determinada atividade. “Eles já sabem aonde precisam chegar desde o início do projeto”, afirma Fabiana. No final, o estudante é responsável por fazer uma autoavaliação.

“Acreditamos que a escola precisa ser inovadora nas metodologias de avaliação, porque asim ela consegue valorizar o que o estudante tem de maior. Hoje, um aluno nota 10 não é aquele que tira 10 na prova, mas que tem um conjunto de habilidades, sabe escutar, desempenha um papel em equipe, consegue fazer uma autoavaliação, debate e argumenta”, aponta Jacqueline.

Outro consenso entre especialistas é que as avaliações não devem servir apenas para dar nota ao aluno ao fim de um determinado conteúdo ou ao fim do bimestre, por exemplo. O diagnóstico deve ser feito ao longo de todo o processo de ensino-aprendizagem, para medir não apenas a evolução do estudante, mas também do próprio ato de ensinar. As chamadas avaliações continuadas ou formativas ajudam o professor a identificar a necessidade de revisão ou reforço de alguns conteúdos, com aulas de recuperação e atividades complementares para cobrir eventuais lacunas. É a educação baseada em evidências.

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