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Estimular a curiosidade na escola ajuda a formar cidadãos mais conscientes

Para as crianças, que ainda estão descobrindo o mundo ao seu redor e tentando entender como e por que as coisas funcionam, o estímulo ao entendimento da ciência é fundamental para a formação

Publicado em 08/10/2021 às 02h10
Criança, laboratório, cientista
Apesar de parecer algo restrito às instituições de pesquisa e ensino, a ciência está presente em todos os aspectos do nosso dia a dia. Crédito: Pixabay
  • Debora Sonegheti

Hipótese, metodologia, amostra, periódico… termos recorrentes no universo da ciência, mas que, para quem não está inserido neste contexto, podem parecer coisas muito difíceis, distantes e até inacessíveis.

Apesar de parecer algo restrito às instituições de pesquisa e ensino, a ciência está presente em todos os aspectos do nosso dia a dia, desde os cuidados com a saúde e alimentação até os recursos que nos permitem realizar atividades corriqueiras de lazer, trabalho e convivência em família.

Para as crianças, que ainda estão descobrindo o mundo ao seu redor e tentando entender como e por que as coisas funcionam e fazem sentido, o estímulo ao entendimento da ciência é um caminho interessante e muito necessário para a sua formação.

Em tempos de questionamento à ciência e negacionismo, o estímulo ao raciocínio crítico deve acontecer desde cedo na escola. É o que defende a professora doutora Mari Inêz Tavares, mestre em ensino da ciência. Ela aponta que em alguns países, como Portugal, as crianças já recebem aulas de ciências a partir dos três anos de idade. A metodologia empregada é o ensino por investigação.

Mari Inêz Tavares

Mestre em ensino da ciência

"As crianças são convidadas a realizar experimentações simples que envolvam os cinco sentidos, a relação entre variáveis, a fazer previsões e elaborar relatos de forma oral, desenhados ou escritos. Atividades que envolvam flutuação e afundamento de objetos em água e observar diferentes folhas e frutos, por exemplo, abrigam conceitos mais inclusivos de física, química e biologia que podem ser explorados de forma lúdica pelas crianças ainda na educação infantil"

Já nas séries mais avançadas, os professores podem trabalhar de forma inter e transdisciplinar, por meio de projetos escolares que abordem as interrelações entre ciência, tecnologia e sociedade. “Durante a execução do projeto, é preciso que os estudantes sejam convidados a resolverem problemas e não simplesmente executarem exercícios de memorização, argumentando sobre as suas descobertas de forma oral e escrita, ouvindo o argumento do outro e sabendo contra-argumentar de forma responsável e responsiva”, completa.

CURIOSIDADE DEVE PAUTAR O ENSINO DA CIÊNCIA

Curiosas por natureza, crianças questionam, formulam suas próprias hipóteses e muitas vezes as colocam em teste, um processo que se assemelha muito ao método da pesquisa científica. Para o gestor da Escola Monteiro, Eduardo Gomes, é partindo dessa curiosidade e interesse que o ensino da ciência deve ser pautado.

"Quando pensam em uma hipótese qualquer, por exemplo, por que uma planta cresce no sol e não na sombra? Por que uma fruta é doce? Isso gera uma curiosidade, e, através dela, partimos para o processo de pensar sobre a questão e consolidar uma resposta através de uma experiência de pesquisa", aponta.

Estimular a curiosidade na escola ajuda a formar cidadãos mais conscientes
Estimular a curiosidade na escola ajuda a despertar a vocação do aluno para a ciência. Crédito: Pixabay

Ele defende que a escola precisa se empenhar em criar formas de ensino que incentivem essa curiosidade e engajem o estudante no desejo de pesquisar e descobrir. Um exemplo são as atividades que estimulam a construção e a prototipação.

"Hoje sabemos que as aulas precisam ser apresentadas de uma forma mais engajadora. Temos um laboratório que chamamos de Espaço Maker, um espaço com diversos equipamentos para experimentação. Tivemos um projeto para a construção de um carrinho movido a ar, uma plataforma com rodinhas e uma bexiga. Isso fez com que os alunos pensassem sobre algumas questões - por que o do meu colega andou mais? O que fez o carro se comportar daquela maneira?”, conta.

INCENTIVO PARA FORMAR FUTUROS PESQUISADORES

É comum que alguns jovens tenham o primeiro contato com a produção científica apenas ao ingressar na universidade, estimulados por professores do ensino superior. Porém, se uma das chaves para ter jovens e adultos que acreditam na importância da ciência é incentivar desde cedo, é preciso fomentar a formação de futuros pesquisadores e investir em pesquisa ainda na escola.

Um exemplo é o Programa de Iniciação Científica Júnior – Pesquisador do Futuro, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) em parceria com a Secretaria da Educação (Sedu), que destina mais de R$ 1 milhão para projetos de iniciação científica júnior nas escolas da rede pública.

O objetivo? Despertar a vocação científica de cada aluno, com a ajuda de um professor tutor que auxilia na execução das atividades do projeto. Além do suporte dos docentes, estudantes universitários também podem atuar como monitores, aproximando alunos nas mais variadas faixas de conhecimento e gerando intercâmbio de ideias e estímulo ao pensamento científico.

Para a diretora-presidente da Fapes, Cristina Engel, o programa é um instrumento de sensibilização e incentivo à pesquisa e ao ingresso no ensino superior. "Precisamos da curiosidade e da capacidade criativa desses jovens, pois serão eles que conduzirão o futuro da ciência e do desenvolvimento tecnológico do Espírito Santo. O PIC Jr é um investimento para hoje com o olhar no amanhã", frisa.

ESTRATÉGIAS PARA O ENSINO DA CIÊNCIA ÀS CRIANÇAS

  • Organização de aulas que priorizem uma metodologia investigativa
  • A metodologia de ensino por investigação, associada aos estudos CTS (Ciência-Tecnologia e Sociedade) é a mais indicada para o ensino científico às crianças e adolescentes. As sequências didáticas de ensino por investigação devem possuir em seu conteúdo: tema, objetivo, exploração didática.

  • Visitas monitoradas a museus e centros de história e ciências
  • Museus e centros de ciências são espaços não formais de educação em que todos podem e devem frequentar. Os pais, sempre que possível também podem e devem levar os seus filhos aos museus e centros de ciências. É uma opção de lazer barata e que contribui positivamente para a formação cultural geral.

  • Assistir filmes e documentários sobre temas científicos
  • As crianças e jovens devem ser estimulados a frequentar salas de cinema e teatro com temáticas que envolvam a ciência e tecnologia. Mais uma vez, as famílias podem contribuir e participar levando os seus filhos a estes espaços durante os finais de semana. Alguns canais do YouTube também trazem documentários que podem ser assistidos de forma livre e servem de subsídio para o preparo de aulas que envolvam debate sobre o tema.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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