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Trump defende adiamento das eleições presidenciais nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu um adiamento para que as pessoas possam votar "de maneira adequada, segura e protegida"

Publicado em 30/07/2020 às 13h00
Donald Trump realiza seu primeiro comício de campanha de reeleição em Tulsa, Oklahoma
Donald Trump em seu primeiro comício de campanha de reeleição em Tulsa, Oklahoma. Crédito: Reuters/Folhapress

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta quinta-feira (30) o adiamento das eleições presidenciais, marcadas para novembro.

Em uma publicação no Twitter, o líder republicano afirmou que a votação universal pelo correio poderia fazer do pleito "a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história" e um "grande embaraço para os EUA".

Ele sugeriu um adiamento para que as pessoas possam votar "de maneira adequada, segura e protegida".

O posicionamento destoa da postura do presidente diante da pandemia do novo coronavírus. Em várias ocasiões, Trump minimizou a gravidade da Covid-19, deu conselhos que contrariam orientações médicas e entrou em conflito com os próprios conselheiros sobre a melhor forma de responder à pandemia.

O avanço vigoroso da pandemia do novo coronavírus nos EUA fez com que pelo menos 14 estados americanos postergassem suas eleições primárias, levantando especulações sobre a possibilidade de adiamento da eleição geral no país, marcada para 3 de novembro.

Especialistas, no entanto, afirmam que a alteração da data é improvável e que o presidente, ainda que quisesse, não tem o poder de fazer qualquer modificação no calendário eleitoral por ordem executiva.

A data da eleição geral dos EUA é definida por Lei Federal desde 1845. Para alterá-la, seria preciso um processo complexo, com acordo bipartidário -entre democratas e republicanos- no Congresso e aval do presidente. A decisão ainda estaria sujeita a contestações na Justiça.

O próprio Trump já votou pelo correio neste ano. Durante as eleições primárias do Partido Republicano na Flórida, o presidente escolheu a si mesmo para tentar a reeleição e um novo mandato na Casa Branca.

Na ocasião, em março, o novo coronavírus não havia atingido em cheio os EUA, e Trump ainda não investia de forma tão agressiva contra a opção de voto a distância, que se tornou determinante na pandemia.

Agora, com seu adversário Joe Biden, do Partido Democrata, liderando nas pesquisas de intenção de voto, a postura do líder americano começa a mudar.

Nos EUA, o voto não é obrigatório, e o eleitor pode escolher seu candidato de três maneiras: a mais tradicional é ir à urna no dia da eleição, mas há também como votar pessoalmente de forma antecipada ou fazer o voto por correio, que precisa ser solicitado com antecedência.

As regras variam de estado para estado, mas a pandemia fez com que muitos deles deixassem de exigir justificativa para o voto a distância e extendessem prazos até o fim de outubro para pedir as cédulas.

Em estados considerados chave na disputa, como Flórida, Carolina do Norte e Pensilvânia, os aliados do presidente temem que o medo do novo coronavírus impeça os eleitores de irem às urnas em novembro.

A incerteza paira, principalmente, sobre os que têm mais de 65 anos e os que vivem em áreas rurais, importante parcela da base eleitoral de Trump.

Em maio, o Twitter classificou como falsas duas publicações do presidente em que ele afirmava que votações por correio comprometem a validade de uma eleição.

Colocar em dúvida a integridade do pleito é uma forma de tentar barrar a alternativa que pode dar vantagem aos opositores de Trump.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o republicano está errado nas duas concepções: o voto por correio não é passível de fraudes significativas e não beneficia nenhum partido político.

A três meses da eleição, ainda é difícil prever o impacto da pandemia nos estados em novembro e como o voto por correio pode influenciar a participação de eleitores dos dois partidos.

A certeza por enquanto é que, em razão da logística, o sistema pode atrasar a apuração, o que significa que, na noite de 3 de novembro, é possível que não se saiba quem foi eleito presidente dos EUA.

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